quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma cruel realidade, um vídeo chocante

Esse vídeo é chocante. Arrepiante. Triste. Quem ainda não viu, precisa ver.

Na maior parte das vezes as mulheres não têm direito a fazer suas escolhas, e é aí que está o grande problema. Esse vídeo mostra claramente que a questão não pode se centrar em críticas ou julgamentos com relação às mães, mas sim de questionar um sistema que não nos dá a mínima chance.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Como é que dois filhos podem ser tão diferentes?


Quem nunca ouviu ou disse a frase: "como é que pode: filhos da mesma mãe e do mesmo pai, cresceram na mesma casa, com tudo igual, com a mesma educação... como é que são tão diferentes?"

Pois é. Aí é que está. Eu demorei muito pra entender que não, nossos filhos não são criados da mesma forma. Na verdade, só descobri isso depois que tive a minha segunda filha e a questão vai muito além das diferenças de personalidade dos filhos. Os valores essenciais podem e tendem a ser os mesmos, mas os cenários onde essas crianças crescem, exceto em caso de gêmeos, são bem diferentes.

Vou explicar.

1) Primeiro filho

Tem coisa mais tensa do que pais de primeira viagem? Por mais calmo que você seja, sua vida de repente é invadida por um mundo completamente novo. Além do tsunami que é o nascimento da criança por si só, ele traz junto uma mudança grande no casamento, na relação com a família, com a casa, com os amigos, com a vida profissional. Tudo ao mesmo tempo.

O primogênito nasce nesse ambiente de descobertas e ansiedades, enquanto os pais vão aprendendo a lidar com as situações na base da tentativa e erro. Eu, por exemplo, achava que tinha que ser certinha com tudo. Tinha horror à possibilidade de criar uma criança mimada e as referências que eu tinha me indicavam que eu precisava impor disciplina desde cedo. Eu admito com dor no coração que peguei muito menos no colo minha primeira filha do que eu deveria – me diziam que a criança iria acostumar mal, e que depois eu não iria mais conseguir fazê-la dormir no berço. Eu achava que tudo o que eu fizesse teria consequências irreversíveis. Como se tudo fosse assim tão simples e linear. Que bobagem!

Já a criança, desde que não seja gêmea, é por um bom tempo a única. É mais mimada, mais paparicada pela família, ganha brinquedos novos, roupas novas, quarto novo, convive com um exagero de consumo. Não precisa dividir seus brinquedos e nem o amor dos seus pais. Mas, ao mesmo tempo, é mais cobrada.  Tem que fazer tudo certo. E ele tem que fazer todas as suas conquistas sozinho.

2) Segundo filho

Quando ele chega, os pais já estão com a vida adaptada – filho, casa, família, trabalho, casamento. Ou seja, o nível de tensão é infinitamente menor - mesmo sabendo que cada criança é diferente da outra. Mais leves, mais relaxados, os pais não são os mesmos que eles eram quando engravidaram pela primeira vez.

O filho mais velho, que tinha tudo só pra ele, de repente tem que dividir a atenção dos pais, brinquedos, carinho, roupas, quarto. E quando nasce o irmão, continua sendo cobrado porque, afinal, é o mais velho e precisa ser compreensivo. Ele se torna o estereótipo do filho mais velho e responsável simplesmente porque nós o moldamos assim.

Agora vejam o ambiente em que surge o segundo: para começar, ele já nasce com a segurança de ter um irmão. Ele não sabe como é a vida sem isso, portanto sua necessidade de adaptação é muito menor em comparação ao primeiro. Já nasce dividindo tudo. E seus pais já aprenderam que muitas de suas verdades lá atrás não eram tão verdades assim. Minha segunda filha, por exemplo, ganhou mais colo - e, vejam bem, dormia muito melhor.

Essas diferenças parecem óbvias, mas nem sempre nos damos conta que elas nos fazem definitivamente educar nossos filhos de forma diferente. Não sei se isso é bom ou ruim, afinal é o curso natural da vida, onde aprendemos com a experiência. Mas o que eu posso afirmar é que, definitivamente, esse discurso de “como é que podem ser tão diferentes” não faz tanto sentido assim.