domingo, 11 de agosto de 2013

O nascimento de um pai



Paola Saliby/UOL


O nascimento de um filho é como um tsunami que chega com tudo e vira a nossa vida de ponta-cabeça. "Nasce um bebê, nasce uma mãe" é a frase comumente repetida, mas não podemos nos esquecer que nascem também um pai, um novo marido/companheiro, um novo casamento, uma nova rotina e ainda a necessidade de repensar nossas verdades e reforçar valores.

Nós, mulheres, abrigamos o bebê no ventre, amamentamos, desenvolvemos naturalmente a relação visceral com a cria. Talvez por isso, inconscientemente, tendemos a achar que somos mais "donas" dos nossos bebês do que os pais, que precisam conquistar essa relação.

Tendemos a ser cruéis na cobrança que fazemos aos nossos companheiros. Por um lado, queremos que eles participem, sejam ativos, compartilhem de todas as nossas angústias, sejam compreensivos e parceiros. Mas também esperamos que sejam perfeitos nesse comportamento –dentro da nossa concepção de perfeição–, sem compreender que a natureza masculina é diferente da feminina.

Imaginar como a vida dos pais também se transforma com a chegada de um bebê é um exercício que poderíamos começar a fazer.

Reclamamos que eles não sabem onde fica o termômetro. Reclamamos porque compram tudo errado no supermercado. Reclamamos porque não entendem que, quando pedimos alguma coisa, queremos aquilo na mesma hora e não dez minutos depois. A sensação é que eles nunca fazem nada certo.

Adoro uma esquete do espetáculo "Grávido" chamada "Office Boy", em que o pai corre pra lá e pra cá, fazendo tudo o que a mãe ordena, logo após o nascimento do filho, e nada do que ele faz é suficiente.

Quando ele acerta, a mulher diz que ele não fez mais do que a obrigação. Ou então, quando o marido aparece pra atendê-la, ela responde: "não precisa mais, agora eu já fiz". Muitas vezes, os homens querem e gostam de fazer as coisas –só que do jeito deles– e nós não permitimos.

Temos de encontrar uma forma de a mulher e o homem darem valor ao simples fato de compartilhar a vida dos filhos, sem a cobrança de que existe um único modelo a seguir. Não se trata de uma bandeira em defesa do sexo masculino, apenas estou tentando trazer uma discussão sobre as relações normais e saudáveis, de casais que se amam e se respeitam.

Não podemos nos esquecer que os pais desta geração estão vivenciando um movimento importantíssimo de mudança no comportamento familiar, o que é ótimo e necessário na nossa atual sociedade. Mas, ao mesmo tempo, eles têm a grande desvantagem de, em sua maioria, terem crescido com modelos muito diferentes dentro de casa.

Seus pais sequer diziam "eu te amo" a um filho, muito menos dividiam tarefas domésticas com suas mulheres. Ou seja, os pais modernos estão tentando, ao máximo, se adaptar à nova realidade, mas não têm referências. Como fazer? O que é certo? O que as mulheres e a sociedade efetivamente esperam deles?

O que observo é que, até hoje, os homens foram menos preparados para serem pais do que as mulheres para serem mães. Nem sempre é fácil, não vou mentir, porque a carga sobre as mães é enorme, mas cabe a nós termos um pouco de paciência e compreensão também.

Texto da minha coluna do Mamatraca no UOL publicada nesse Dia dos Pais.