sexta-feira, 29 de março de 2013

Desculpa, papai do céu

Sexta-feira santa, depois de almoçarmos um espetacular bacalhau com natas, resolvemos caminhar um pouco e, na pracinha perto de casa resolvemos entrar um pouquinho na igreja. Não é algo que temos como hábito frequente em casa, mas de vez em quando passamos pra rezar um pouco e reenergizar.
Daí que entramos, sentamos e a Rafaela logo perguntou se "ia abir ali na frente". Acho que ela pensou que a igreja era um teatro: iluminado, cheio de desenhos no teto e nas paredes, um "palquinho" mais à frente, até que fazia sentido a associação dela.
No meu colo, ela continuou perguntando se já ia começar. Não era hora de missa, então realmente só havia poucas pessoas por ali.
Expliquei pra ela que aquele lugar era uma igreja e que não era um teatro. Que estávamos ali só pra rezar e agradecer ao papai do céu por tanta coisa boa que ele dá pra gente.
Eis que, meio choramingando, em alto e bom som, ela solta a pérola das pérolas, the best ever:

- MAS EU NÃO GOSTO DESSE PAPAI DO CÉU.
   EU SÓ GOSTO DA GALINHA PINTADINHA...

Hahahahahahahahaahahahahahahahaha
Desculpa, papai do céu. Mas essa foi muito boa.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Guarda-roupa de bonecas



Adoro esses brinquedos que lembram aquelas bonecas de papel que trocavam de roupa. Uma graça esse lançamento que eu recebi da editora Salamandra, obra da inglesa Bettina Patterson, que combina livro com brinquedo. Além das peças magnéticas de roupas e acessórios que grudam no corpo das bonecas, que ficam em pé, o kit traz dois  livros de história diferentes das menininhas Lili e Bia. Luísa já ganhou uma vez umas bonecas que também tinham roupinhas magnéticas, mas o mais interessante nesse caso é a combinação com os livros, algo que sempre me agrada muito.
Quando a caixa se abre, como dá pra ver aí nessa foto, o livro fica em formato de guarda-roupa, super fofo mesmo, cheio de gavetinhas onde ficam as roupas e acessórios.
Achei que essa combinação dá um ótimo presente. Mas não se engane quanto ao valor, que está mais para preço de brinquedo do que preço de livro. Em uma livraria que eu pesquisei, estava saindo por R$ 65,90.




sexta-feira, 8 de março de 2013

Carreira e maternidade: como eu concilio

Para participar e conhecer os outros textos que participam da blogagem coletiva do Mamatraca, clique nesta imagem. E fique à vontade para roubar o selinho para colocar no seu blog. 



Eu sou jornalista com a maior parte da carreira dentro de redação de jornal. Mas, antes da Luísa nascer, eu estava trabalhando na área de comunicação corporativa de uma empresa do setor financeiro. E ritmo de empresa é bem diferente do ritmo de redação, ao qual eu estava acostumada. A pressão é maior, o ambiente é mais cruel, os horários são mais puxados.  Quando ela nasceu, minha cabeça e minhas prioridades começaram a mudar (o que acontece com 100% das mães que eu conheço). Como meu marido poderia segurar a onda das finanças da casa, conversamos muito e eu decidi dar um tempo àquela rotina pesada. Quando terminou a minha licença-maternidade no trabalho, resolvi não voltar. Pedi demissão e montei um escritório em casa.

Lógico que não foi uma decisão fácil, porque sempre fui uma mulher muito independente e não saberia o que aquela decisão iria me custar exatamente. Queria ter mais flexibilidade, mas não me via sendo dependente totalmente do meu marido. Mas, como ele tem um ritmo louco no trabalho, inclusive com muitas viagens, achamos que seria melhor que um dos dois tivesse um pouco mais de tempo, pelo menos nos dois primeiros anos da Luísa. Não seria justo que nossa filha praticamente só nos visse nos finais de semana. Tenho a sorte de atuar em uma profissão que permite trabalhar em casa, então resolvi arriscar. Assim teria mais tempo, porém não ficaria sem trabalhar (acho que ser 100% mãe-dona-de-casa me deixaria infeliz).
Confesso que no começo a adaptação não foi fácil, especialmente porque eu sentia falta de conversar, interagir com as pessoas. Mas depois fui me acostumando ao ritmo, marcando alguns almoços fora, saindo de vez em quando de casa. E, sob esse aspecto, hoje lido muito bem. O próprio blog (que eu criei naquela época) e as redes sociais me ajudam muito no quesito companhia.
Quanto à presença da Luísa, cada fase da criança causa um impacto diferente. Quando ela era menor (até 1 ano e meio) e exigia presença constante ao lado dela, era mais complicado. Especialmente quando eu tomava cano da babá e tinha que ficar sozinha com ela. Era muito difícil trabalhar e fazer minhas entrevistas por telefone. Eu fazia quando ela estava dormindo, mas nem sempre o entrevistado resolve retornar a ligação no momento que você gostaria. Ter uma babá ou empregada que fique com a criança foi fundamental pra conseguir trabalhar em casa, inclusive para eu poder sair quando tenho reuniões fora. Eu fiz um projeto de consultoria, por exemplo, em que passava parte do dia fora durante uns três meses. Mas podia voltar antes do horário de pico do trânsito, olha que beleza.
Já passei muitos apertos quando ela era pequena. Já dei entrevistas com ela pendurada na minha perna, já fiquei mil vezes sem graça por ter que explicar ao entrevistado que o que ele estava ouvindo era mesmo um bebê chorando. Mas tenho visto que o home office é cada vez mais aceito, acho que o preconceito tem diminuído bastante.  Agora, se alguém tem preconceito e vai achar que meu trabalho é pior por causa disso, paciência!
Depois a Luísa cresceu e ficou mais compreensiva, respeitando mais meu espaço (apesar de aparecer hora ou outra no escritório querendo que eu brinque com ela). Quando tenho uma entrevista importante e ela está em casa, converso com a babá e peço pra ela ficar com a Luísa bem longe do meu escritório e tudo corre bem. Ela respeita se a porta do escritório está trancada e fica quietinha se eu estou fazendo entrevista. O fato de ela passar a tarde na escola e ter outras atividades pela manhã também ajuda.
Com o nascimento da Rafaela, mantive o mesmo esquema. Até porque profissionalmente ele também tem dado super certo e fiz muita coisa bacana (e variada) nesse período. Acho que foi mais fácil administrar agora com ela, porque eu já tinha a rotina estabelecida em casa. Funcionou super bem.
Aprendi também a me disciplinar melhor, o que não é muito fácil em home office.  Meu pico de rendimento se dá no final da tarde, o que coincide com a chegada da Luísa da escola. Durante um período, eu continuava trabalhando e ela ficava com a babá quando chegava. Mas depois me dei conta que esse era um momento em que eu precisava ficar com ela, e que teria de me ajustar. Especialmente depois que a Rafa nasceu. Passei a largar tudo quando ela chega da escola e este é um momento em que fico só com as duas. Só trabalho se for algo realmente com prazo urgente de entrega.
Encontrar um equilíbrio nesse modelo é um desafio constante.  Aos tropeços e acertos, acho que tenho evoluído à medida que o tempo passa.

Lá atrás recebi algumas propostas para voltar ao mercado, mas avaliei a situação e optei por manter meu esquema por mais um tempo. 
Agora, este ano, estou entrando em uma nova etapa. A Rafaela também começou a ir para a escola, e eu passo todas as tardes sozinha em casa. Comecei a pensar na possibilidade de voltar a ter um trabalho fora. 
Mas tenho certeza do que não quero: não topo encarar um trabalho que me faça ficar enclausurada das 8h da manhã às 9 da noite. Se eu resolver encarar esse retorno ao mercado, será em um modelo que me permita ver minhas filhas e estar presente. 


Aqui nesse post já falei em maiores detalhes sobre a experiência em home office.

*Esse post é uma adaptação do texto que fiz para o Mãe de Duas.