sexta-feira, 8 de março de 2013

Carreira e maternidade: como eu concilio

Para participar e conhecer os outros textos que participam da blogagem coletiva do Mamatraca, clique nesta imagem. E fique à vontade para roubar o selinho para colocar no seu blog. 



Eu sou jornalista com a maior parte da carreira dentro de redação de jornal. Mas, antes da Luísa nascer, eu estava trabalhando na área de comunicação corporativa de uma empresa do setor financeiro. E ritmo de empresa é bem diferente do ritmo de redação, ao qual eu estava acostumada. A pressão é maior, o ambiente é mais cruel, os horários são mais puxados.  Quando ela nasceu, minha cabeça e minhas prioridades começaram a mudar (o que acontece com 100% das mães que eu conheço). Como meu marido poderia segurar a onda das finanças da casa, conversamos muito e eu decidi dar um tempo àquela rotina pesada. Quando terminou a minha licença-maternidade no trabalho, resolvi não voltar. Pedi demissão e montei um escritório em casa.

Lógico que não foi uma decisão fácil, porque sempre fui uma mulher muito independente e não saberia o que aquela decisão iria me custar exatamente. Queria ter mais flexibilidade, mas não me via sendo dependente totalmente do meu marido. Mas, como ele tem um ritmo louco no trabalho, inclusive com muitas viagens, achamos que seria melhor que um dos dois tivesse um pouco mais de tempo, pelo menos nos dois primeiros anos da Luísa. Não seria justo que nossa filha praticamente só nos visse nos finais de semana. Tenho a sorte de atuar em uma profissão que permite trabalhar em casa, então resolvi arriscar. Assim teria mais tempo, porém não ficaria sem trabalhar (acho que ser 100% mãe-dona-de-casa me deixaria infeliz).
Confesso que no começo a adaptação não foi fácil, especialmente porque eu sentia falta de conversar, interagir com as pessoas. Mas depois fui me acostumando ao ritmo, marcando alguns almoços fora, saindo de vez em quando de casa. E, sob esse aspecto, hoje lido muito bem. O próprio blog (que eu criei naquela época) e as redes sociais me ajudam muito no quesito companhia.
Quanto à presença da Luísa, cada fase da criança causa um impacto diferente. Quando ela era menor (até 1 ano e meio) e exigia presença constante ao lado dela, era mais complicado. Especialmente quando eu tomava cano da babá e tinha que ficar sozinha com ela. Era muito difícil trabalhar e fazer minhas entrevistas por telefone. Eu fazia quando ela estava dormindo, mas nem sempre o entrevistado resolve retornar a ligação no momento que você gostaria. Ter uma babá ou empregada que fique com a criança foi fundamental pra conseguir trabalhar em casa, inclusive para eu poder sair quando tenho reuniões fora. Eu fiz um projeto de consultoria, por exemplo, em que passava parte do dia fora durante uns três meses. Mas podia voltar antes do horário de pico do trânsito, olha que beleza.
Já passei muitos apertos quando ela era pequena. Já dei entrevistas com ela pendurada na minha perna, já fiquei mil vezes sem graça por ter que explicar ao entrevistado que o que ele estava ouvindo era mesmo um bebê chorando. Mas tenho visto que o home office é cada vez mais aceito, acho que o preconceito tem diminuído bastante.  Agora, se alguém tem preconceito e vai achar que meu trabalho é pior por causa disso, paciência!
Depois a Luísa cresceu e ficou mais compreensiva, respeitando mais meu espaço (apesar de aparecer hora ou outra no escritório querendo que eu brinque com ela). Quando tenho uma entrevista importante e ela está em casa, converso com a babá e peço pra ela ficar com a Luísa bem longe do meu escritório e tudo corre bem. Ela respeita se a porta do escritório está trancada e fica quietinha se eu estou fazendo entrevista. O fato de ela passar a tarde na escola e ter outras atividades pela manhã também ajuda.
Com o nascimento da Rafaela, mantive o mesmo esquema. Até porque profissionalmente ele também tem dado super certo e fiz muita coisa bacana (e variada) nesse período. Acho que foi mais fácil administrar agora com ela, porque eu já tinha a rotina estabelecida em casa. Funcionou super bem.
Aprendi também a me disciplinar melhor, o que não é muito fácil em home office.  Meu pico de rendimento se dá no final da tarde, o que coincide com a chegada da Luísa da escola. Durante um período, eu continuava trabalhando e ela ficava com a babá quando chegava. Mas depois me dei conta que esse era um momento em que eu precisava ficar com ela, e que teria de me ajustar. Especialmente depois que a Rafa nasceu. Passei a largar tudo quando ela chega da escola e este é um momento em que fico só com as duas. Só trabalho se for algo realmente com prazo urgente de entrega.
Encontrar um equilíbrio nesse modelo é um desafio constante.  Aos tropeços e acertos, acho que tenho evoluído à medida que o tempo passa.

Lá atrás recebi algumas propostas para voltar ao mercado, mas avaliei a situação e optei por manter meu esquema por mais um tempo. 
Agora, este ano, estou entrando em uma nova etapa. A Rafaela também começou a ir para a escola, e eu passo todas as tardes sozinha em casa. Comecei a pensar na possibilidade de voltar a ter um trabalho fora. 
Mas tenho certeza do que não quero: não topo encarar um trabalho que me faça ficar enclausurada das 8h da manhã às 9 da noite. Se eu resolver encarar esse retorno ao mercado, será em um modelo que me permita ver minhas filhas e estar presente. 


Aqui nesse post já falei em maiores detalhes sobre a experiência em home office.

*Esse post é uma adaptação do texto que fiz para o Mãe de Duas.

6 comentários:

Pati_SB_Carvalho disse...

Ultimamente, tenho lido bastante sobre isso. E acho que vai ser uma questão eterna. Ser mãe x profissional. A escolha do caminho perfeito.
Pouco antes de casar, larguei a carreira numa grande empresa e fui trabalhar com o meu pai, pensando no dia que eu decidisse ter um filho. Como a vida tem suas surpresas, eu engravidei com 2 meses de casada. Hoje, tenho a possibilidade de trabalhar de casa até quando eu quiser (o que será por volta de 1 ano da minha filha). Mas, assumo, gostaria de mudar. Não gosto do que faço e sinto uma necessidade enorme de me reposicionar no mercado em algo que me permita estar perto da minha filha. Acredito muito na educação corpo a corpo! Qualidade associada à quantidade também. Tomar conta, ver de perto, estar junto. Ter tempo para mim e, principalmente, para ela. Mas é tão difícil...Enquanto estou em casa, tenho pensado na possibilidade, inclusive, de fazer uma nova faculdade...Enfim! Mil desculpas pelo desabafo...
Adoro seus posts!
Beijos,

Roberta Lippi disse...

Pati, obrigada pelo comentário! Copie ele lá nos comments do Mamatraca (www.mamatraca.com.br), para dividir com as outras mães que estão acompanhando a blogagem coletiva!! Beijos,
Roberta

Lia Vasconcelos disse...

Super me identifiquei, sigo no mesmo caminho que o seu! Bjs e boa sorte pra nós! E Feliz Dia Internacional da Mulher!

Liege Albuquerque disse...

legal essas reflexões. vou comentar no mama, tá? bjs

Neide e Raquel disse...

Oi Roberta, super válido seu post, e muito oportuno pra mim...
Acompanho o Projetinho à mais de dois anos, o encontrei assim que engravidei e me apaixonei pelo seu texto e sua família. Seu relato do parto entrou nas minhas orações e pedia (descaradamente), um parto lindo e rápido como o seu, e guess what???? assim foi!
Alice acabou de fazer dois anos, e não consigo mais te visitar com a mesma frequencia, passei hoje para procurar seu contato e bum, o post tudo a ver com o assunto que quero tratar.
Amo escrever e sentia falta de compartilhar isso com alguém, pensei em fazer um blog sobre maternidade mas , blah! com tatos tão incríveis me intimidei. Agora, mais tranquila e com mais tempo (desempregada) pude fazer aquele check up de objetivos, conversar pesquisar e finalmente decidi sobre o que quero escrever: mulheres que por falta de oportunidade ou que por não querer se sujeitar às regras de algumas empresas como vc citou, criam suas oportunidades dão seu jeito = empreendem! Nessa brincadeira as mulheres e especialmente as mães, têm inovado, e fortalecido a economia. Ainda não lancei o blog pq quero caprichar bem e já ter um conteúdo bacana para isso.
Fato é, vc é uma inspiração pra mim, que tenho planos de me aventurar no home office (outra história tb) e como mãe é minha guru!
Gostaria muitíssimo de entrevistá-la para o meu blog, me mudo daqui (São Paulo) para o Rio no início do próximo mês, se pudéssemos antes disso, seria incrível.

bjo grande e obrigada por compartilhar suas experiências.
Raquel
Amorim

Roberta Lippi disse...

Raquel, que delícia esse seu comentário! Boa sorte nesse seu novo desafio! E claro que posso te dar uma entrevista. Pode me mandar um email: roberta.lippi@hotmail.com
Beijos
Roberta