quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Com quem selá?

E faz questão de se vestir sozinha


Porque primeiro filho, quando tem dois anos de idade, sabe cantar "Borboletinha, tá na cozinha...",  Parabéns a Você, musiquinhas do Palavra Cantada e outras coisinhas do gênero.

Aí vem a pilantra da segunda filha, que é uma esponja e suga tudo o que aprende com a irmã mais velha.

Sabe o que ela chega cantando no meu quarto hoje de manhã?

- Com quem selá, com quem selá, com quem selá que mamãe vai casá
vapendê vapendê se papai vai quelê

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Novos velhos livros


Adoro dar dicas de coisas às vezes bobas que eu faço no dia-a-dia com as meninas mas que têm um resultado super legal. Depois do Quadro do Sorriso - que funcionou mesmo, ela ficou 15 dias praticamente sem chorar e depois disso nós combinamos que não precisaríamos mais continuar com o quadro -, criamos a Fila de Livros.
O lance é o seguinte: Luísa (e agora Rafa também, obviamente) tem muitos livros. Isso foi uma coisa que eu nunca regulei aqui em casa, ao contrário, sempre procurei boas recomendações e fiz questão de comprar. Mas é claro que a criança tem seus preferidos e quer ler sempre os mesmos. Com isso, muitos livros legais acabam ficando de escanteio na prateleira. Inventamos, então, essa brincadeira que acabou virando a maior sensação.
Escolhemos um monte de livros que ela não lia fazia tempo (uns 10 ou 15, não contei) e a Luísa colocou todos empilhados na ordem que ela própria selecionou, a partir do que queria ler primeiro. E agora esses é que estão sendo os livros pra lermos à noite, antes de dormir, nessa ordem escolhida por ela, até acabar a pilha. Quando terminarem esses, ela vai escolher outra pilha de livros diferentes e assim vai, até ler todos os livros e depois começar de novo. Ela está adorando e não deixa ninguém mexer na ordem.
Com isso, ela acabou encontrando novidade naquilo que já tem, como se estivesse lendo um livro novo por dia. E, obviamente, a brincadeira provoca ainda mais o interesse pela leitura. Recomendo!

PS: Acho que o mesmo pode ser feito com brinquedos, qualquer dia vou testar!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mais sobre meninos e meninas

A maternidade tem sido um eterno exercício de reflexão pra mim, em todos os sentidos. Tenho quebrado internamente muitos tabus e preconceitos que carregava com base na minha própria criação e nas informações que fui recebendo ao longo da vida. Dia após dia, me descubro enxergando as coisas de uma forma diferente de como eu pensava antes. Talvez isso se chame informação, talvez amadurecimento. 

Um dos assuntos em que eu passei a prestar bastante atenção nos últimos anos foi o do sexismo na infância, nessa necessidade de separar o tempo todo o que é de menino e o que é de menina - das roupas às brincadeiras, e obviamente os comportamentos. Falei pela primeira vez sobre esse assunto nesse post aqui em 2009 e também posteriormente voltei a discutir o tema no Mamatraca quando fizemos uma semana inteirinha sobre o tema (o conteúdo está aqui). Desde então esse debate tem sido constante em rodas de mães com quem converso. Acredito que a experiência com a diversidade é essencial para a formação do ser humano, e que crianças que têm a possibilidade de brincar sem rótulos têm chance de se tornarem cidadãos e até mesmo profissionais muito mais completos quando adultos.

Tenho insistido muito nisso com as minhas filhas, apesar de permitir que elas gostem e usem o rosa, que exerçam a sua vaidade. E tenho percebido efeitos positivos da minha influência. Um exemplo: tempos atrás, saí com a Luísa pra comprar sapatos. Ela estava praticamente sem nada que servisse, então saímos para escolher uns três pares de uma vez, tanto pra sair como pra usar no dia-a-dia e ir pra escola. Na hora de escolher o tênis, resolvi ir até a seção masculina, apesar de não estar assim discriminada. Encontrei um tênis perfeito: de couro bege, com uma tirinha azul marinho, com fecho de velcro. Macio, prático. Nenhum tênis da "ala das meninas" era tão adequado pra usar na escola. Experimentei no pé da Luísa e ela concordou que era confortável, topou levar. E de fato ela usa aquele tênis pra caramba. 


Dia desses, quando estávamos indo pra escola, comentei com ela: 


-  Filha, esse é de longe o melhor tênis que você tem pra ir à escola, né? Confortável, não desamarra, não aperta...

- É mesmo, mãe. Mas todo mundo na escola fala que é tênis de menino.
- Todo mundo quem, filha?
- Ah, a fulana. E a ciclana. E não sei mais quem. Mas eu não ligo, eu falo pra eles que é de menino e de menina também, e que isso não tem nada a ver. 
- Isso mesmo, filha, quem disse que menina só pode usar coisa rosa? Eu mesma, veja bem, minha cor preferida é o verde. E sou menino, por acaso?
- Mãe, outro dia todo mundo estava escolhendo balões na escola, e o André* escolheu um balão rosa. Todo mundo achou engraçado e riu dele, menos eu. 

Posso dizer que meu coração ficou todo cheio? 



E agora encerro esse post copiando aqui o comentário anônimo que recebi ontem naquele post antigo lá de 2009. Foi escrito agora por um menino de 13 anos, que provavelmente encontrou o post pelo Google. 



Eu tbm concordo com esta matéria. Eu tenho 13 anos e quando era menor eu sempre fui fascinado pelas bonecas das minhas primas, na verdade só gostava delas por um motivo: gostava de pentear o cabelo delas. Eu acho que por que meu tio era cabeleireiro.

Mas hoje em dia não ligo mais para isso, quer dizer, gosto muito que minhas primas brinquem de boneca, acho que por eu não ter sido liberado a isso.
Na escola eu tbm ando mais com meninas, mas tbm tenho amigos meninos. Um deles é alto e não curte tanto brincadeiras tipicas de adolescentes, sabem, o outro é um headbanger.
Já os outros são aqueles retardados de sempre que tiram onda de tudo e não se olham no espelho para ver seus defeitos sabe, por isso não ando com eles.
Então, nem por isso eu sou gay. Não estou namorando no momento, mas beijar é uma coisa que não sai do meu dia-a-dia (em garotas claro).
Então, não se preocupem com seus filhos brincarem de bonecas.


Ah! E recomendo ainda a leitura desse artigo fantástico aqui- "Meu filho é gay e estou bem" 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

O Quadro do Sorriso

O "Quadro do Sorriso" que será trocado mês a mês até a fase do choro passar.
Por enquanto, nenhuma carinha de choro. 


Eu já disse aqui algumas vezes que a Luísa é uma criança que chora muito, desde pequena. Ela quase não grita, não responde, mas sempre foi do perfil dramática e chorona. E, em algumas fases, esse choro se intensifica, me deixando quase louca, uma espécie de tortura psicológica que cansa e desgasta muito. Sempre fico observando se tem alguma coisa acontecendo e que porventura eu não esteja notando, mas percebo também que essa característica meio dramática faz parte da personalidade da Luísa e ela usa mais fortemente quando quer chamar minha atenção. Acho que ciúme da irmã tem um pouco a ver com isso.

Fazia muitos dias que ela andava chorando pelo menos umas três vezes ao dia, um martírio. Drama pra comer, drama pra se vestir, drama pra dormir, drama quando era contrariada. Choros longos, manhosos, sem motivo. Então tive uma sacada que está funcionando super bem (por enquanto): criamos, em conjunto, o "Quadro do Sorriso".

- Peguei na internet um calendário do mês e imprimi grande em uma folha A4 (sulfite). 
- Procurei ícones de "emoticons" e escolhemos os que representavam o que nós queríamos: sorriso, choro leve e muito choro. E também o rostinho com os corações que representariam o prêmio. Montei vários ícones desses em uma página de Power Point, um ao lado do outro, e imprimi. Luísa depois recortou os quadradinhos e guardou numa caixinha.

Os "emoticons" recortados pela própria Luísa

O jogo que criamos trata-se simplesmente de registrar no quadro, ao final do dia, o comportamento dela. Se chorar, ganha a carinha correspondente. Quando completar dez dias sem choro por manha (choro por machucado ou por dor não conta) ela ganha um presente (uma coisinha simbólica, não um presentão). 

E sabe o que é mais incrível? Desde o dia que colocamos o quadro no painel do quarto dela, cinco dias atrás, ela não chorou nenhum dia sem motivo e vibra com cada sorrisinho que cola no quadro. Engraçado é que muitas vezes ela ameaçou chorar por bobeira quando contrariada e, quando eu perguntei se ela ia chorar, ela respondeu que estava com muita vontade, mas que não iria chorar. Juro que nessas horas me dá até um aperto no coração, mas deixo a critério dela. Explico que ela pode chorar se quiser, e que ganhar um símbolo de choro no quadro não é nenhum problema. Mas ela não quer!
Não quero estender isso por muito tempo, e já conversei sobre isso com ela também. É só para que as coisas voltem ao normal e a fase das manhas excessivas se acalmem. E, nesse ponto, melhorou 100%.

Sei lá se algum psicólogo vai me dizer que estou fazendo tudo errado, mas o fato é que pelo menos por enquanto esse tal  "Quadro do Sorriso" está sendo bom pra todo mundo aqui em casa. A Luísa está mais leve, feliz e orgulhosa porque está conseguindo alcançar os seus objetivos. E isso irradia, obviamente, para toda a família. Menos brigas, menos choros, mais sorrisos. :-)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Como amar uma criança

Para quem ainda não viu o vídeo lindo que fizemos lá no Mamatraca essa semana, recomendo. Uma delícia que retrata, em forma de uma poesia colaborativa com mães e crianças de vários cantos do Brasil, o que é amar uma criança.

Aqui, ó. 

(Post picareta de quem não tá tendo tempo de vir aqui escrever, tá certo. Mas o vídeo é lindo mesmo, eu juro!! Beijos pra tod@s!!)