sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A superexposição, os julgamentos, a Anne Guedes


Na Vejinha São Paulo do dia 17 de outubro, saiu uma matéria entitulada "Modelos Precoces", sobre pais que contratam fotógrafos profissionais para produzir ensaio dos filhos a partir de duas semanas de vida. Ensaios naquela linha da fotógrafa australiana Anne Guedes, sabe como? Que colocam o bebê em poses pensativas, em lugares inusitados, para produzir aquelas fotos que todo mundo da família depois olha e fala "ownnnnn"...
Eu, obviamente, tive uma reação de repulsa quando bati o olho nessa matéria. Acho um absurdo expor um bebê recém-nascido a esse tipo de coisa para atender a capricho dos pais. Por sorte, encontrei no texto alguém que pensasse como eu: a psicóloga Rosely Sayão, que eu tanto admiro: "A sociedade vive um momento de culto à fama e à beleza e talvez os pais não percebam a superexposição à qual submetem as suas crianças", disse ela.
Cada vez mais, tenho percebido como os pais - especialmente os de primeira viagem - têm essa necessidade de exibir os filhos e como os recursos para isso e as ofertas do mercado aumentam. É uma indústria que não para de crescer.

Faço a minha crítica, mas também faço aqui a minha mea culpa. Eu também já me incluí nessa leva. Não cheguei ao ponto de fazer sessão fotográfica em estúdio com recém-nascido, mas antes de ter filhos eu também falava "ownn" para as fotos da Anne Guedes. Eu já fiz coisas lá atrás que hoje vejo que foram totalmente desnecessárias, egoístas.
Quando eu estava grávida da Luísa, em 2007, o ultrassom em 3D era relativamente uma novidade, e era pago à parte do ultrassom de rotina. Era, na verdade, um recurso totalmente desnecessário do ponto de vista médico/clínico, servia apenas para os pais poderem ver melhor as bochechas do seu filho e já identificar se era mais parecido com o pai ou com a mãe ainda ali na barriga. Confesso que é um momento mágico. Quando você está grávida do primeiro filho, em especial, a ansiedade é imensa pra ver o rostinho do bebê. A emoção do ultrassom 3D é realmente indescritível.
O problema - e o exagero, o egoísmo - consistiu no fato que, no primeiro exame 3D, a Luísa estava virada de costas e não dava pra ver quase nada do rosto dela. E a médica ficava chacoalhando a minha barriga com aquele aparelhinho para ver se ela se mexia. Ela dizia que não havia nenhum impacto para o bebê e eu, ansiosa que estava pra ver o rostinho, acreditava e deixava a moça mexer e apertar fortemente minha barriga com o aparelho do ultrassom pra tentar ver se ela mudava de posição. Meu marido dizia pra parar, que aquilo era desnecessário - tenho que dar o crédito a ele -, mas eu realmente não achava que estava agredindo o bebê. Não conseguimos ver quase nada naquele dia. E ganhei um "bônus" para retornar e fazer o 3D num outro dia, afinal tinha pago uma boa grana pra ver a minha filha. Hoje não me conformo por ter feito isso, e provavelmente acharia um absurdo se outra pessoa me contasse essa mesma história. Ainda voltei lá depois e refiz o exame, e consegui tirar fotos melhores. Foi lindo, é realmente muito legal ter aquelas fotos do bebê ainda na barriga, mas gostaria muito de não ter tirado a minha filha do conforto que ela estava lá dentro só pra tirar algumas fotos. Eu precisava realmente daquilo? Não, não precisava. E muito menos ela.

Acho que não dá pra gente ficar se martirizando por nossas atitudes do passado. (E nem estou a fim de receber julgamentos ofensivos aqui nos comentários, por favor me poupem de trollagem). Ainda hoje faço coisas que talvez, lá na frente, possa também me arrepender - como ter parte da minha vida contada num blog, por exemplo. Mas penso que o importante é que a maternidade - e a vida - é feita de aprendizados e amadurecimento.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Por que eu não gostei de Carrossel

Estava conversando com uma amiga sobre o exagero de merchandising dentro da novela Carrossel, só que meu comentário foi ficando tão grande que resolvi escrever um post.

Eu não deixava a Luísa assistir, apesar de saber que é uma novela para crianças. Não achava interessante a ideia de criança, nessa idade dela (cinco anos) já viciar em novela e ter que assistir todos os dias. Mas ela evidentemente começou a ouvir falar na escola e na perua escolar e começou a pedir pra ver. Sabia até cantar algumas músicas, mesmo sem nunca ter assistido.

No dia das crianças, como falei que era o "dia do pode tudo", ela me pediu pra assistir Carrossel e eu deixei. Esperou o dia todo ansiosa pra ver. E fui assistir junto para ver qual era. Eu me lembrava de ter assistido alguns capítulos da primeira versão que passou no Brasil, mas eu já era uma adolescente em 1991. Me lembrava das historinhas do Cirilo, da professora Helena, da Maria Joaquina.

Não sei se foi aquele episódio em especial que eu assisti na semana passada, mas não gostei. Por vários motivos, que vou elencar aqui:

- Os amiguinhos da Luísa na escola andam muito com um papinho de "namorado" pra lá e pra cá que me deixa louca da vida, porque acho cedo demais pra crianças de 4 e 5 anos, e achei que a novela puxa isso também com esse lance de "meu primeiro amor", com ceninhas e clipes românticos Acho que esse contexto faz parte, mas ainda não nessa idade. Como tenho tentado combater esse tipo de conversa aqui em casa, não gostei do pouco que vi.

- Não gostei desse merchandising exagerado. Amigas estavam contando que a filha agora pede pra mãe vender produtos Jekiti e comprar nas Casas Bahia. Uma outra mãe comentou que a filha pede pra comprar Cacau Show. No dia que eu assisti, os garotinhos estavam tomando Chamito. Outro dia teve um jogo todo patrocinado pela LifeBuoy. Isso deveria ser proibido. O movimento Infância Livre de Consumismo, inclusive, tem combatido abertamente essa publicidade infantil na novela disfarçada.


- Achei o remake de péssima qualidade, com diálogos e atores horríveis, com raríssimas exceções - e não apenas os atores mirins. Gente, o que é aquela atriz que faz a professora??? Muito, muito ruim. Mas até acho que esse não seria um grande problema se não houvesse a combinação de todo o resto, especialmente desses temas "pré-adolescentes".

Enfim, concordo que a novela tem esse lado da diversidade que é positivo, mas achei que não é legal para a Luísa e resolvi cortar. Expliquei para ela que não gostei do conteúdo, não achei adequado para a idade dela e que, além de tudo, a novela passa muito tarde. Ela ainda tem pedido pra ver e confesso que até fico com pena, porque as amiguinhas assistem, mas ela sabe que cada família tem suas regras e essa é a que vale por aqui.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Criança que trabalha como atriz ou modelo - isso pode?

Antes mesmo de saber que estava rolando uma blogagem coletiva com o tema trabalho infantil, eu andava pensando num assunto. Ok, todo mundo condena os casos de chinesinhos que passam o dia inteiro trabalhando em fábricas ou confecções - é uma prática horrível e condenável no oriente. Todos nós condenamos os casos de crianças que trabalham para ajudar as famílias nas fazendas e plantações de cana-de-açúcar e as crianças que vendem balas ou fazem malabarismos nos semáforos.

Mas aí eu vejo aquelas crianças todas que fazem a novela Carrossel ou essas modelos-mirins que levam sobrenome famoso sendo exploradas por marcas de sapato e ganhando fortunas de dinheiro para desfilar e lançar grife com o próprio nome. Queria realmente entender qual é a diferença entre uma criança que trabalha como atriz ou modelo daquela criança que que ajuda os pais na lavoura. Está certo, umas fazem trabalho braçal, são pouco ou não remuneradas e muitas vezes não têm a chance de estudar.
Mas, espera aí, esses atores e atrizes da tal novela infantil também não deveriam estar brincando no seu tempo livre em vez de estarem trabalhando? Ou isso não é trabalho? Eles não são remunerados para trabalhar e garantir produção para uma novela diária? Essas crianças que atuam como modelos não passam horas em espera para fazer um casting? Ah, sim, eles fazem isso por que gostam (ou porque os pais gostam??) e não atrapalha os estudos. Mas e as brincadeiras, e o tempo de ser criança? Não estão sendo roubados do mesmo jeito?




domingo, 14 de outubro de 2012

Não eram apenas bens materiais

Eu não imaginava que ficaria tão emocionada. Mas o nó na garganta surgiu quando comecei a explicar para aquele moço humilde, de rosto jovem e coração bom, como montar o carrinho e colocar o bebê-conforto no carro. Eu ia tirando as coisas do depósito, entregando pra ele e explicando ao futuro pai de primeira viagem para que servia tudo aquilo: a almofada e a cadeira de amamentação, o cadeirão para as primeiras papinhas, o abajour que também serve de cabideiro.
Quando aquele caminhãozinho foi embora carregado com todo o enxoval que pertenceu às minhas duas filhas, eu desabei. Meu coração virou um grãozinho de feijão. Cada cantinho daquilo que ele levava para a sua filha Isabelle, que deve nascer daqui a alguns meses, tem pra mim uma enorme carga emocional.
Ele levou o carrinho que minhas filhas saíam de casa desde que nasceram, o berço onde as duas dormiram, a garrafa térmica que mantinha aquecida a água que eu usava para limpar o bumbum das meninas, a cadeira que por um bom tempo me foi muito útil para amamentar a Rafaela. Foram embora também a mala da maternidade e as sacolas de passeio que formavam o conjunto. Toalhas de banho, lençóis de berço. Tudo. Deixei em casa apenas algumas roupas que eu quis guardar e alguns brinquedinhos que têm um significado especial - só que, ao mesmo tempo, parece que tudo aquilo que estava indo embora tinha um significado especial, sabe? Eu não imaginava que iria me sentir assim depois dessa doação.
Eu chorei, chorei, chorei. Pela ligação emocional que eu tinha a tudo aquilo, por lembrar de tantas coisas que aconteceram nos últimos anos. E por perceber que se passou de vez uma fase importante da vida delas e da minha. Em casa, agora, não existe mais bebês. As duas conversam, dormem na cama, não usam mais fraldas. Ainda bem que ainda restam a chupeta, a mamadeira do leite e a fralda noturna.

Que essa família que recebeu esse presente seja muito abençoada e tão feliz quanto nós somos. E que venham por aqui as próximas fases da infância das minhas filhas. E que eu pare de ser tão nostálgica e chorona.


sexta-feira, 5 de outubro de 2012

De uma caixa se faz uma casinha

Tem gente que acha que precisa gastar dinheiro para entreter e divertir uma criança, né? Mas já repararam que muitas vezes uma embalagem faz mais sucesso do que o que vem dentro? Sempre que recebo caixas grandes embalando alguma coisa, tento inventar alguma coisa com elas, mesmo que seja por pouco tempo. Não me importo muito em fazer coisas perfeitas, o que vale aqui em casa é a diversão e a participação das meninas - até porque, se quiser fazer alguma coisa perfeita, dificilmente poderia contar com a participação delas e não é esse o objetivo. Ou melhor, perfeito na concepção de quem, certo? (Além disso, estou bem longe de ser uma artista plástica).
Muitas vezes apenas solto a embalagem na mão delas e deixo que elas inventem. Dia desses recebemos uma caixa enooorme, que continha uns balões dentro, e aquela caixa foi a sensação por vários dias aqui em casa. Elas se escondiam dentro, brincavam de casinha, inventavam mil brincadeiras.
Na semana passada, recebi alguma coisa numa caixa que nem era de muita qualidade, mas rendeu um bom tempo de brincadeira. Como o papelão era mole, foi fácil cortar. Cortei as portas e janelas e as meninas se encarregaram do resto da decoração com canetinha e adesivos. Depois recortei a tampa da caixa e dividi os espaços do interior da casa, para separar os ambientes e para elas poderem organizar com os brinquedinhos que já tinham aqui.
Olha só que diversão:
Cortei as laterais das portas e janelas e elas fizeram o resto

A divisão dos ambientes da casa

Montamos a mobília e depois colocamos a casinha por cima

 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Domingo de paulista


Domingo bom para paulistano começa com um bom café da manhã na padaria. Pode ser daqueles simples de padoca, com pão na chapa e um café com leite, ou daqueles em buffets mais sofisticados que oferecem vários tipos de pães, frutas, frios, queijos, sucos e tudo mais que se tem direito. E foi assim que começou o dia do nosso último desafio, que era ter um dia especial em família.
Como ficaríamos em São Paulo no final de semana, optamos por fazer programas típicos da cidade, coisa que a gente adora fazer. No domingo de manhã, fomos a pé até um lugar delicioso perto de casa e tomamos aquele mega café da manhã para dar energia para o dia. Dali, seguimos caminhando para o parque Ibirapuera, outra fonte de inspiração para qualquer família.

Lá caminhamos, as crianças brincaram um pouco e depois seguimos para ver as obras da Bienal. Gostamos de levar as meninas a exposições interativas, elas costumam se divertir bastante e não têm as mesmas amarras que nós adultos quando enxergam aquelas instalações totalmente malucas. Gostei mais da exposição do ano passado, para falar a verdade, mas ainda assim elas aproveitaram e interagiram com todas as obras que puderam. Para as crianças, acho que as instalações que permitem esse contato físico surtem muito mais efeito do que apenas olhar quadros e esculturas que nunca podem ser tocadas.

Interagindo literalmente com a instalação na Bienal

Almoçamos ali mesmo no descolado restaurante do Museu de Arte Moderna, dentro do parque, e depois  voltamos caminhando pra casa. Delícia de programa, sem pressa, sem carro, sem frescura, misturando lazer, cultura e comida boa. Quer coisa melhor? Adoro essas coisas boas que a cidade oferece – e o melhor, gastando pouco!
À tarde, depois de uma soneca para nos recuperarmos do descanso, chegou a hora da porcaria e da bagunça na sala: estourei pipoca e fiz brigadeiro, e sobrou migalha para contar a história.  Depois disso, uma brincadeira de esconde-esconde entre pais e filhas para terminar o dia. Bom demais.
Vai um brigadeirinho de colher aí?

Gostaria de deixar registrado aqui que participar desses desafios por 20 semanas foi um prazer enorme. Topei participar desse projeto porque ele era totalmente diferente de qualquer abordagem que uma empresa já me fez até hoje, me estimulando a pensar formas diferentes de me divertir com a minha família, com total liberdade. Hoje encerro o último desafio, confesso, já com um pinguinho de saudade. E a promessa que vou continuar inventando sempre novas – e simples – maneiras de me divertir com as crianças antes que elas cresçam. 


#Desafio 20 - Esse texto faz parte do desafio 100 Coisas para fazer com seus filhos antes que eles cresçam”, proposto pela Royal, do qual eu participei ao longo de 20 semanas. Quem quiser conferir a lista completa dos desafios, é só clicar aqui