domingo, 14 de outubro de 2012

Não eram apenas bens materiais

Eu não imaginava que ficaria tão emocionada. Mas o nó na garganta surgiu quando comecei a explicar para aquele moço humilde, de rosto jovem e coração bom, como montar o carrinho e colocar o bebê-conforto no carro. Eu ia tirando as coisas do depósito, entregando pra ele e explicando ao futuro pai de primeira viagem para que servia tudo aquilo: a almofada e a cadeira de amamentação, o cadeirão para as primeiras papinhas, o abajour que também serve de cabideiro.
Quando aquele caminhãozinho foi embora carregado com todo o enxoval que pertenceu às minhas duas filhas, eu desabei. Meu coração virou um grãozinho de feijão. Cada cantinho daquilo que ele levava para a sua filha Isabelle, que deve nascer daqui a alguns meses, tem pra mim uma enorme carga emocional.
Ele levou o carrinho que minhas filhas saíam de casa desde que nasceram, o berço onde as duas dormiram, a garrafa térmica que mantinha aquecida a água que eu usava para limpar o bumbum das meninas, a cadeira que por um bom tempo me foi muito útil para amamentar a Rafaela. Foram embora também a mala da maternidade e as sacolas de passeio que formavam o conjunto. Toalhas de banho, lençóis de berço. Tudo. Deixei em casa apenas algumas roupas que eu quis guardar e alguns brinquedinhos que têm um significado especial - só que, ao mesmo tempo, parece que tudo aquilo que estava indo embora tinha um significado especial, sabe? Eu não imaginava que iria me sentir assim depois dessa doação.
Eu chorei, chorei, chorei. Pela ligação emocional que eu tinha a tudo aquilo, por lembrar de tantas coisas que aconteceram nos últimos anos. E por perceber que se passou de vez uma fase importante da vida delas e da minha. Em casa, agora, não existe mais bebês. As duas conversam, dormem na cama, não usam mais fraldas. Ainda bem que ainda restam a chupeta, a mamadeira do leite e a fralda noturna.

Que essa família que recebeu esse presente seja muito abençoada e tão feliz quanto nós somos. E que venham por aqui as próximas fases da infância das minhas filhas. E que eu pare de ser tão nostálgica e chorona.


18 comentários:

Gabi disse...

Aiiiii, tô chorando lendo... com certeza não são só bens materiais...
Beijoss
Gabi

Mari disse...

Eu nunca comentei aqui, apesar de ler sempre.
Eu recentemente fiz uma doação muito grande para um rapaz carente, que engravidou a namorada. Foram só roupinhas, mas foram quase todas as roupas que minha filha usou desde que nasceu (também guardei uma ou outra, as mais especiais).
Me senti exatamente como você. Mas me esforcei para dizer a ele que minha filha foi muito planejada e aguardada. Que é saudável, amada, feliz. Que eu acredito muito em energia, e que a energia dela está naquelas roupas, e que a filhinha do rapaz vai herdar não só o que vestir, mas a energia de amor que envolve minha filha desde que ela nasceu.
Pensar assim me deixou um pouco menos apegada...

Um abração!

Pâmela disse...

Ai eu chorei muito aqui, simplesmente por que tentei me colocar no seu lugar. Estou esperando minha menininha chegar também, tenho 18 anos e estou grávida de 38 semanas.. Sim sou muito nova rs' Bom, só sei que estive lendo seu blog e fiquei me imaginando cuidando de minha princesa e os momentos que ela me fará sorrir e chorar de emoção... Enfim, parabéns pelas lindas filhas !

Letícia Volponi disse...

Ai, confesso que tenho muito medo desse dia também. Ainda tenho bastante tempo, mas sem dúvida, doar esses objetos significa deixar no passado um momento mágico da nossas vidas: a primeira infância de nossos filhos. Bjo

Carol Garcia disse...

ô rô...

me dê aqui um abraço.

até eu que sou a rainha do desapego choro qdo vejo objetos carregados de carga emocional materna indo embora.
mesmo que seja pra fazer outras familias felizes, escrever outras historias.

bjo bjo bjo nas mocinhas

Rosi Carvalho disse...

É realmente difícil se desfazer dessas coisinha tão importantes!! Já me desfiz de muitas dessas coisas, mas a cada coisinha q sai eu me pego lembrando dos momentos felizes q tivemos!!! Porém outros, muitos outros momentos viram!!!
Bjs e parabéns pelo Blog!!

Lilian disse...

Por aqui é igual. Eu também fico feliz de ver pela casa a chupeta e a mamadeira da minha caçula... Fraldas já não temos mais... E tenho uma ligação ridícula com o berço e com a banheira delas. Doei tudo, menos esses dois itens, que estão no depósito do prédio. Fico arranjando desculpas para mantê-los, dizendo que logo teremos sobrinhos... Enfim, te entendo! bjo

Renata disse...

Ai, Ro...entendo exatamente esse sentimento. Ao mesmo tempo uma tristezinha por um período que passou e não volta, mas uma enorme alegria por ser tudo tão maravilhoso e ainda mais por poder doar e levar alegria e conforto a uma bebezinha que esta chegando, não é??
Um beijo enorme em vc e outro nas suas mocinhas!

Li disse...

Me emocionei e chorei ao ler seu relato!
Muito difícil mesmo, mas, as lembranças ficam...

Beijos!!!

Lívia.

Raquel (NY) disse...

Lindo. E que venham novos objetos e novas emocoes.

Lia Vasconcelos disse...

Fiquei aqui com os olhos marejados. Como não ficar? Pude me colocar no seu exato lugar e já imaginei como será isso aqui em casa tb um dia. Minha caçula ainda é pequena. Ainda temos berço, fraldas, chupeta, trocador e afins. Mas o tempo passa rápido e daqui a pouco pluft!, já foi. Eu não sei se terei um terceiro filho e uso a dúvida como desculpa para não me desfazer de quase nenhuma roupa das meninas (afinal, e se vier uma terceira menina??!!). Está tudo em caixas no armário....não quero dar. Pelo menos, ainda não. Bjs

lolo disse...

Seu post me fez entender os meus próprios sentimentos. Sempre fui muito desapegada e quase tudo da minha filha vai para as primas gêmeas dela, mas ainda assim, quando eu entrego a sacola, me dá um nó no peito. Eu me repreendia, achando que era egoismo, mas acho que é emoção mesmo. Bjs

Fe Piovezani disse...

Ah, Rô, sabe que fiquei aqui, depois que li seu post, imaginando você chorando, né? Porque, vamos falar aqui: você sempre foi chorona mesmo, super sensível, e me deu mais saudades de você ainda.
Na minha opinião, você foi é corajosa de dar tudo tudinho. Claro que foi super lindo, e que tem alguém que precisa disso tudo, e que você fez esta família muito feliz. Acho que eu choraria por duas razões: por ter dado o que foi da minha filha, e por ter feito alguém muito feliz.
beijo querida!

Sarah disse...

Emocionante com certeza. Cada objeto tem sua carga de memórias e lembranças dentro dele... Já doei muitas roupas e o berço do Bento, e o carrinho modelo guarda-chuva hoje carrega minha sobrinha de 2 meses. É muito bom saber que outra criança irá encher aquele objeto de recordações e que outra família fará tão bom uso dele. Mas dá uma nostalgia... ô se dá!
bjos

Lu (mãe da Bia) disse...

Amém!!!!!!!!!!!!!!!
E, de coração!!! Amei essa nostalgia, esse choro lindo e real!!!
Doar um bem que não nos tem utilidade mais, é doar tbm um pedaço de nossa vida! Como não doer????
Mais uma vez, bato palmas pra vc!!!
Beijos.............

Gleice disse...

Lindo post Ro !!! Estou tentando fazer isso, mas esta muito difícil viu !!! Com a primeira tinha a desculpa do segundo filho, mas agora não !!! Cada vez que começo mexer nas coisas, desisto, mas vou conseguir !!! Parabéns por compartilhar esse sentimento tão comum em muitas mães, que as vezes achamos até ser egoísmo. Bjs

Thati Teixeira disse...

Engraçado, chorar ao ler todo o seu post e no final sorrir, pq a gente sabe que é so uma pagina que esta sendo virada e dando lugar a um novo capitulo. Sei com é esse sentimento que para mim vem de forma cruel, quando meu filho fez três anos eu doei tudo que tinha de bebê em casa depois de tantas tentativas frustadas de engravidar, hj ele tem quatro e eu continuo tentando, com dor no coração de doar tudo que ele não usa mais, pq o próximo para nós ainda não chegou, mas tem quem precise nesse exato momento.

A equipe da Babycub disse...

Que coisa linda!