domingo, 22 de julho de 2012

Homenagem a uma grande amiga


Ela foi minha estagiária. Minha primeira funcionária. Uma pessoa que eu ajudei a formar profissionalmente, que eu acompanhei, protegi, corrigi, chamei a atenção quando preciso, defendi, promovi. Mas, mais do que tudo, ela se tornou uma amiga. Em quatro anos de intensa convivência, sentadas lado a lado e sabendo tudo uma da vida da outra, impossível não ficar absolutamente próximas.
Ela era absurdamente inteligente. Menina ainda, na época, com 23 anos, já tinha viajado para vários países do mundo, falava um inglês perfeito, conversava sobre história, política, geografia, cultura, filosofia, antropologia e qualquer outro assunto que surgisse - especialmente se fosse numa mesa de bar, coisa que ela mais gostava. Doce. Querida, querida de tudo. Acho que ninguém se lembra dela sem ser com um sorriso largo no rosto.
Quando a Luísa nasceu, ela foi a primeira pessoa do trabalho para quem telefonei. Liguei ainda da sala de parto, pedindo que ela avisasse a turma. Ela acompanhou todos os passos da minha gravidez e, depois que saí do trabalho, continuou acompanhando por telefone, encontrando de vez em quando e especialmente frequentando esse blog. Ela comentava sempre. E, mesmo não sendo mãe, dava opiniões pertinentes de filha e de alguém que pretendia ser mãe em breve - há alguns anos havia encontrado o amor da sua vida lá na Irlanda. Um cara bacana que só.
Foi ela quem me ajudou a escrever, em formato de rima, o livrinho que eu fiz quando a Rafaela nasceu. Fez Letras na USP, a danada, e tinha vontade de escrever livros infantis.
Eu às vezes a criticava por seu jeito quase irresponsável. Ficava, como se fosse uma mãe, pegando no pé dela. Achei estranho quando, aos 27 anos, ela resolveu tirar um "sabático" e passar um pouco mais de um ano viajando pela Europa. Eu pensava que, nessa idade, ela deveria estar por aqui trabalhando e tentando se estabelecer profissionalmente, já que nunca definia direito o que queria fazer da vida. Ela apenas aproveitava. Quando não estava gostando mais, mudava de planos.

Há duas semanas, depois de uma crise de asma, ela simplesmente perdeu os sentidos e não voltou mais. A Cissa faleceu aos 31 anos. Um choque.
Eu fiquei em frangalhos e ainda não consegui me recuperar direito. E me dei conta do quanto ela estava certa em aproveitar a vida. Uma vida curta, mas muito intensa, linda, divertida, cheia de amigos.
Não paro de pensar na fragilidade da vida. No quanto estamos aqui num dia e de repente podemos não mais estar no outro. Sendo mãe, esse pensamento é mais doído e mais profundo.
Só me resta acreditar com todas as minhas forças que todo mundo está nessa vida cumprindo uma missão e que ninguém vai antes da hora.
Mas hoje queria deixar aqui registrada a minha homenagem à querida Clarissa, a Cissa, minha amiga e parceira que acompanhou o Projetinho de Vida desde o primeiro post. Obrigada, Cissa, por me ensinar tanto sobre a vida - e olha que eu achava que estava te ensinando, veja bem como a gente nunca tem certeza do que é realmente o certo.
Saudade infinita.

16 comentários:

Gleice disse...

Belas palavras, belíssima homenagem Rô.
E mais do que isso, um alerta, só estamos aqui de passagem, vamos aproveitar mais a vida !!!

Bjs

Gleice

Cinthia Spanó disse...

Lindo, Ro! Bjs!

Larissa disse...

Homenagem maravilhosa... Carpe diem... Esta é realmente a frase que resume tudo.

Patrícia Boudakian disse...

Poxa vida, querida. Fui lendo e me entristecendo. Caramba, basta estar vivo mesmo né?
Um beijo solidário e um abraço apertado.

:)

Dani Rabelo disse...

Nossa, Rô, que baque...
Ia lendo e meus olhos enchendo de lágrimas...
a vida é mesmo muito doida... para morrer, basta estar vivo. e isso doi.

espero que se recupere bem. aos poucos...

um forte abraço, Dani.

Sol! disse...

Aí, apareço por aqui e logo um POST desse, assim, de tirar o fôlego! Oh god! Sem palavras! Bom, força na peruca, beijo nas meninas e agora vou estar sempre por aqui!

Liege Albuquerque disse...

sinto muito, roberta. mesmo. eu nunca vou entender a morte d gente do bem, ainda mais tão jovem. acho q nem aceitar.

Camila disse...

Caramba, Rô! A vida tem dessas coisas que a gente não entende direito... Sinto muito, muito e muito mesmo.
Bjo com todo o meu carinho,
Camila
www.mamaetaocupada.com.br

Anne disse...

amore... um abraço para você e muitas vibrações para a cissa. sinto muito.

Dani disse...

Linda essa amizade e a forma que encontrou pra homenageá-la.
Nessas horas a gente para pra pensar no quanto tudo pode passar rápido, de como a vida é frágil...e de como perdemos tempo com bobagens.

Sinto muito, muito mesmo.

Beijo

Daniel disse...

Que tristeza. Chorei também. Dói ler, fiquei sabendo pelo bonito texto/homenagem - obrigado por compartilhar com tanta delicadeza, cuidado e sensibilidade. Mas triste, destruído por aqui, sem entender direito como algumas coisas acontecem.

Daniel

Mãe do Pitoco disse...

Que amizade linda, Rô! E que dor você deve estar sentindo. Ela vive em você e é isso o que importa agora. Força.

Cristiana Rodrigues disse...

Tenho pra mim que algumas pessoas são chamadas pra iluminar outros cantos que a gente ainda nao entende. Dificil demais. Sinto muito amiga. um beijo no seu coraçao lindo.

ॐRøGer!Ø FerRe!rªॐ disse...

Oi, ontem mesmo recebi uma noticia de que o marido de uma pessoa que conheço faleceu, não tinha tanto contato com ele mas foi uma surpresa, imagino como deve ter sido para você que era mais ligada a Clarissa...que nem a Sol falou ai em cima muito é de tirar o folego mesmo.
Muito bonita mesmo essa sua homenagem *_*

Renata disse...

Nossa, Ro...que tristeza sem tamanho. Estou aqui colocando a leitura em dia e depois dessa homenagem linda de me deu ontade de te dar um abraço bem apertado.
Sinta-se abraçada, querida.
beijos

Tony Neves disse...

Oi Roberta, eu e a Rosona ficamos sabendo ontem dessa triste notícia
Que ela seja feliz onde quer que esteja
Abrçs

Tony e Rô (ex- Brasilprev)