terça-feira, 12 de junho de 2012

Um tempinho pra namorar

Esta é uma semana boa pra falar sobre relacionamentos e vida a dois. Porque para muito casal com filhos, dia dos namorados é um dos poucos dias no ano em que se faz uma comemoração especial.
Eu acho que ter um tempo pra namorar é essencial em qualquer relação, e isso se torna ainda mais importante depois dos filhos. Porque se deixar, a rotina e a preguiça tomam conta da gente. E o casamento vai virando mais amizade do que qualquer outra coisa.
E aqui em casa eu e meu marido nos preocupamos bastante com isso. Lógico que o dia-a-dia é puxado, não estou dizendo que fazemos jantar à luz de velas toda semana e que estamos sempre lindos, dispostos e a fim de uma noite arrasadora. O trabalho por si só já nos cansa o suficiente ao longo da semana, e isso somado ao pique com as crianças e às noites sem dormir, já viu.
Mas sempre procuramos ter nosso tempo, sair pra jantar, conversar sobre outros assuntos que não unicamente os filhos. E acho que isso temos conseguido. Também procuramos manter, pelo menos uma vez por ano, uma viagenzinha a dois. Renova o casamento que vocês não tem ideia. Sei que muita gente não tem esquema pra fazer isso, ou não tem coragem de deixar as crianças. Mas, se puder, eu aconselho. Se tiver vontade, crie coragem.
Meu dia dos namorados foi comemorado intensamente na semana passada, quando fizemos uma viagem para um lugar mais do que romântico. As meninas ficaram com minha mãe e com a babá em casa, mesmo esquema de sempre.
E vou aproveitar o tema pra requentar um post antigo sobre o assunto que acho que vale a pena, já que os relacionamentos são o assunto da semana.


Viajando sem filhos - dicas para quem vai e para quem fica

Ao menos uma vez por ano, nos últimos quatro anos, eu e meu marido temos tentado fazer uma viagem sozinhos. Apesar de procurarmos sempre ter nossos momentos a sós no dia-a-dia - saímos para jantar ou para fazer algum outro programa pelo menos uma vez por semana, por exemplo -, viajar é muito diferente. Porque simplesmente você não tem que esperar as crianças dormirem pra poder sair, não tem hora pra chegar ou para acordar, não tem hora pra comer, pode encher a cara de vinho ou de cerveja e, também muito importante, não tem hora marcada pra namorar.
Lógico que dá uma saudade imensa das crianças, afinal nunca mais uma viagem será como aqueles tempos em que você não tinha filhos. Um bodinho sempre vai aparecer durante a viagem, especialmente depois de falar com eles ao telefone e quando a volta está se aproximando. Mas nem queremos que seja como quando éramos solteiros, porque é bom demais ter essas criaturinhas nos esperando em casa na volta. Não trocaria isso por nada.

Se você ainda não criou coragem, experimente planejar uma viagem a dois em um final de semana ou em um feriado. Depois me conta se não foi bom. Está certo que as crianças serão sempre a prioridade, mas é muito importante e saudável cuidar do casamento também. Isso se reflete, inclusive, na nossa relação com nossos filhos, vai por mim.

Já me achando "experiente" no assunto, rabisquei aqui algumas dicas para quem vai fazer sua primeira viagem sem as crianças.

Para o casal:

- Escolha, de preferência, um lugar novo pra conhecer e explore-o ao máximo. As novidades fazem com que a gente se distraia mais e pense menos nas crianças (não há problemas em pensar nelas, mas também não dá pra ficar pensando e falando nelas o tempo todo, certo?). Pra mim não funciona ir para um lugar e ficar o tempo todo de pernas pro ar, tipo uma casa na praia. Se fico muito tempo de bobeira, fico enlouquecida de saudades e pensando que queria estar com elas. Prefiro bater perna e só parar para relaxar em alguns momentos. Mas isso vai do ritmo de cada casal.

- Deixe os resorts para quando for viajar com as crianças. Esses ambientes são muito propícios para famílias e você vai ficar se remoendo, achando que deveria ter levado as crianças também. Vá, de preferência, para um hotel que não seja tão familiar.

- Leve fotos das crianças e filminhos na máquina ou no celular, mas tente olhar no máximo uma vez por dia, quando a saudade apertar muito.

- Dê uma caprichada nas roupas (inclusive nas íntimas), sapatos e acessórios. Lembre-se que você não vai ter que ficar correndo atrás de crianças e não vai ter ninguém sujando sua roupa de comida. Caprichar no visual faz bem para a auto-estima e nada como uma viagem a dois pra gente se sentir jovem e bonita.

- Aproveite pra dormir até tarde (eu tento, mas não consigo mais como antes), tirar cochilos durante o dia... Essa é a hora de colocar o sono em ordem.

- Não brigue por bobagens. Às vezes a saudade das crianças dá um certo mau-humor, mas controle-se e não deixe isso contaminar a viagem. Curta a vida a dois porque logo a bagunça vai se instaurar de novo. A viagem passa rápido, rápido.

Para as crianças:

- Monte uma estrutura que deixe vocês tranquilos. Não adianta viajar sem ter confiança em quem vai ficar com elas. Este é um bom exercício para você aprender a relaxar. Se a criança puder ficar com alguém que já conhece um pouco da rotina dela, melhor ainda.

- Deixe todos os telefones importantes colados na geladeira (pediatra, hospital, vizinhos, parentes etc), separe carteirinha do convênio e documentos, deixe dinheiro para extras e deixe um bom supermercado feito. Deixe uma listinha com os remédios básicos e as recomendações para quando se deve acessar o pediatra ou ir diretamente ao hospital.

-Eu prefiro deixar as crianças na minha casa em vez de levá-las para a casa da minha mãe, por exemplo. Mas isso é uma opção minha e cada família pode encontrar sua melhor alternativa. Eu prefiro em casa porque elas saem menos da rotina e vão se cansar menos. Em casa elas já têm seus espaços, seus brinquedos, seus costumes. Desta vez, as duas ficaram em casa com a minha mãe (que me dá uma super confiança) e com a babá (que conhece toda a rotina das meninas e ajuda muito nas questões práticas,  e com isso não sobrecarrega a minha mãe).

- Uma decisão que tomamos desta vez e que foi muito legal foi a contratação de um motorista para ficar à disposição delas (com o nosso carro mesmo) durante essa semana que estávamos fora. Como minha mãe não dirige e nem a babá, sempre fico dependendo de vizinhas ou amigas (já que não tenho família em SP) para ligar em situações de emergência. Com o motorista à disposição (que pode ser um taxista de confiança, por exemplo), elas não precisavam chamar taxi e ele as levava para passeios, natação, supermercado etc. E também ficava de sobreaviso caso elas precisassem de algum apoio de madrugada. Foi um investimento que valeu muito à pena.

- Compre antecipadamente ingressos para teatro, cinema, circo, etc. Ter algumas atividades diferentes durante esse período deixa as crianças empolgadas e faz o tempo passar mais rápido. Além disso, ajuda para que as pessoas que ficaram com elas não tenham que ficar o tempo todo pensando em atividades diferentes para fazer.

- Fale sobre a viagem poucos dias antes de ir. Criança não tem muita noção de tempo e falar com muita antecedência pode criar uma ansiedade desnecessária.

- Para que a Luísa tivesse noção de quando iríamos voltar, peguei um calendário e marquei o dia em que viajamos e o dia em que voltaríamos. Pedi que todos os dias quando acordasse ela fizesse um X no calendário, assim ela saberia quando eu iria chegar. Escrevi "eu te amo" em cada um dos dias. Isso ajudou muito a controlar a ansiedade dela.  Minha mãe contou que era a primeira coisa que ela fazia quando acordava.

8 comentários:

Lia Vasconcelos disse...

Ótimas dicas, Roberta! Finalmente, tivemos coragem e pela primeira vez em 3 anos e meio vamos viajar só eu e o marido. Vai ser em agosto e eu estou tentando ficar tranquila! E olhe que serão só 4 dias! Mas vai ser ótimo para todos, tenho certeza! Bjs

Lia disse...

Tenho uma amiga que tem duas filhas pequenas (está grávida do terceiro) e diz: "viajar sem os filhos???? que coisa mais sem graça!!!" HAHAHAHAH
Eu não tenho coragem de deixar as meninas. Acho que preciso que o(a) caçula tenha pelo menos dois anos pra eu me ausentar mais que 24h sem me sentir péssima - e, mesmo assim, teria de deixar com alguém de muuuuita confiança, com quem elas se sentissem totalmente à vontade. Vó e tios. Viajar com o coração na mão não adianta, né? Ninguém curte.
Mas quando as crianças forem maiorzinhas, com certeza! Como canta nosso querido Roberto Carlos: "Quando as crianças saírem de férias/ quem sabe poderemos nos amar um pouco mais"

van disse...

descobri seu blog há pouquíssimo tempo, amei e estou lendo tudinho em pequenas porções. mas acho muito difícil ainda deixar minha bb (ela tem só 1 ano)... e não se se é pq eu estou grávida, mas, acredite, fiquei chorando enquanto lia o post. mas acho que vc está certíssima e pretendo um dia (assim que eu conseguir) fazer o mesmo.

Luciana - Descobertas disse...

esses dias estava pensando nisso sabe. Pedro já fez 2 anos e ainda não fizemos nossa viagem de casal e que já está mais do que na hora de fazê-la.

suas dicas foram valiosas e deu uma força danada na mulher aqui do outro lado.

beijos

Fe Piovezani disse...

Ah menina! Como seria bom eu conseguir sair sim com o Lucas, por uma semana inteira! Minha mãe fica com a Lú quando preciso sim, sabe! Depois de reclamar um pouco, claro, e acho que é isso que me inibe um pouco. Sei que as duas sozinhas se entendem super mega bem mesmo, mas o fato da minha mãe sempre reclamar primeiro, me desanima, me dá uma certa insegurança. Nem todas as mães são como uma certa "mãe da Rô" linda maravilhosa e animada!!! Mas acho incrível essa coisa de você e o Luiz terem isso como meta sabia? Quem sabe um dia eu chego lá. Porque vou te contar...
Não! Te conto pessoalmente qualquer dia! hahaha
beijo grande

Natália disse...

reconheço que as dicas são excelentes mas não se adequam nem um pouquinho à minha realidade financeira! viajar já seria uma coisa extraordinária pois poupar dinheiro para tal está realmente difícil. Agora, motorista particular?! Isso realmente me soou coisa de outro mundo. Me desculpe, não estou criticando, acho que se a pessoa tem condições, é realmente uma excelente pedida... eu é que devo ser pobre demais mesmo... adoro o blog, beijos!

Dani disse...

Bom, pequenas viagens a dois são ótimas mesmo. E olha que só conseguimos passar pouco mais de 24 horas sem elas! Estamos planejando algo um pouco maior (rarara...um final de semana!!!).
Tb. acho importante sair sem elas. De vez em quando deixo as meninas com a minha mãe e a gente se joga nu cineminha, jantarzinho, vinhozinho...eeeee!
Ótimo post, Ro, querida!
Bj

Roberta Lippi disse...

Natália, entendo sua observação. O motorista nada mais é que uma pessoa conhecida e de confiança que dirige meu carro durante os dias que fiquei fora, não é nada de outro mundo. Como não tenho ninguém da família na cidade que possa dar um apoio pra elas e minha mãe não dirige, esse esquema pra mim é mais seguro e até mais barato do que se elas ficarem usando taxi na cidade pra tudo. Essa despesa faz parte do planejamento da nossa viagem, porque deixá-las seguras aqui é uma tranquilidade pra gente numa cidade como São Paulo, entende? Mas, obviamente, cada família ajusta o seu esquema de acordo com a sua realidade e as suas possibilidades. Beijos