quinta-feira, 3 de maio de 2012

Um tombo e o chup chup maldito

Sempre digo que me tornei uma mãe muito mais consciente depois que entrei para o mundo bloguístico materno. Aprendi pra caramba, quebrei muitos pré-conceitos, derrubei muitas das minhas verdades. E, lógico, aprendi com a experiência de vida também. Quando a gente tem o segundo filho, tudo parece ser muito mais fácil.
E uma das coisas que aprendi muito foi sobre alimentação. Tempos atrás me cobrei por ter dado danoninho pra Luísa com pouco mais de um ano (como sugestão da pediatra, inclusive), de ter deixado ela comer miojo achando que era a mesma coisa que um macarrão normal e outras porcariasitas mais.
Com todo esse conhecimento em voga, adquirido por anos de leitura de blogs de mães super conscientes em relação à alimentação, tracei para mim mais uma verdade: tudo seria diferente com a minha segunda filha.
Já começou diferente, de fato, porque os hábitos alimentares em casa se transformaram desde então. Miojo praticamente nem entra mais em casa. Com a ajuda de uma super nutricionista funcional, introduzimos muita coisa saudável e gostosa aqui em casa e nos alimentamos muito melhor no dia-a-dia. Grãos integrais, alimentos orgânicos, muitas ervas, muitas frutas, quase nada de óleo e sal. Tudo o mais natural possível. Rafaela adora damasco seco, castanhas e outras coisas que Luísa não comia quando pequena.

Mas não sou radical. Luísa já tem quase cinco anos e permito que ela coma besteiras de vez em quando, especialmente aos finais de semana ou em festinhas. Balas e guloseimas são coisas que brotam na casa da gente quando temos criança, né? Eles ganham em todos os lugares, não tem como escapar. Então combino que ela guarda e come aos finais de semana. Ok, check, tudo sob controle.
O problema é que simplesmente não estou conseguindo seguir o que havia planejado com a Rafaela. Se você só tem um bebê em casa, ele não precisa nem passar perto de chocolates, doces, pipoca e afins. Só que com irmão mais velho é praticamente impossível proibir o acesso da pequena às porcarias (é como chamo aqui em casa os alimentos que não são saudáveis).
E acontece que toda aquela minha verdade que nunca deixaria Rafa comer doce antes dos dois anos já foi por água abaixo faz tempo, desde que ela começou a andar e foi capaz de pegar as coisas escondido. Na Páscoa, por exemplo, foi só piscar e ela estava comendo um dos ovinhos de Páscoa que a Luísa ganhou do coelhinho.
Por mais que eu fale pra Luísa não dar pra ela as porcarias, é difícil controlar. Ela quer comer tudo o que a irmã come. Ou a Luísa fica com dó e deixa ela comer, ou ela pega escondido.
Pra dar uma ideia:
No feriado, a Luísa ganhou dos monitores do hotel um saquinho de doces. Entre eles, aqueles plásticos com doce de leite, um genérico do Chup Chup, sabe? (hummmm, que delícia). Mas eu abri pra ela e ela não gostou. Então joguei no lixinho do quarto.
Minutos depois, Luísa estava brincando com o pai de rolar na cama (brincadeira que uma mãe nunca permite mas o pai adora fazer, sabe que tipo?). Como a gente sempre avisa que vai acontecer, ela errou o cálculo e numa das rolagens caiu da cama de cara no chão. Começou a gritar de dor e eu rapidamente peguei ela no colo pra dar carinho e ver se tinha machucado de verdade. Não tinha machucado, ainda bem, então fiquei ali acalmando.
De repente, aparece na minha frente a Rafa com um sorriso de safada e o saquinho de chup chup na boca VAZIO. Ela pegou no lixo e comeu todo o doce de leite que tinha ali enquanto a gente acudia a Luísa.


Eu estava quase me sentindo culpada, mas quer saber de uma coisa? Não esquentei a cabeça. Muita culpa pra vida da gente. Morremos de rir, Luísa riu também e até se acalmou. Decidi que não vou sofrer ou me culpar por besteiras. Sei que os doces não fazem parte da rotina da vida dela e que uma ou outra besteira que ela possa comer não vão ser tão danosas assim perto de todos os hábitos saudáveis que já temos aqui em casa.

19 comentários:

Lia Vasconcelos disse...

Tá certíssima, Roberta! Coisas de segundo filho, né? Não tem jeito...Eu me vejo aqui com o mesmo problema. Como limitar o acesso da caçula a algumas coisas que a mais velha come? Em casa temos uma alimentação saudável desde sempre e é raro ela comer doces durante a semana, mas às vezes acontece de a mais velha comer algo que a mais nova ainda não pode (até agora consegui que ela não comesse chocolate). E aí? Já que a mais nova se encanta por tudo que a mais velha faz e come? A Cecília vê a Isadora comendo e pede o mesmo, gosta de comer do prato da irmã mais velha. Até a comida que a mais velha dá na sua boca parece mais gostosa do que a que está no prato. Enfim...até agora consegui contornar a situação, mas sei bem que não vou conseguir manter os mesmos limites cpm a segunda. É da vida. O importante é fazer desses momentos doces - para as duas filhas - a exceção, e não a regra. Como tudo na vida, o equilíbrio é o segredo! Bjs

Tatei e Nana disse...

Roberta, também sou bem preocupada com a alimentação aqui em casa. A rotina, em geral, é bem saudável. Mas não tem como evitar que de vez em quando eles comam alguma porcaria. Pra nós, é quando vão visitar os avós. É impossível controlar... Mas o que importa é o dia a dia, né? O que acontece esporadicamente, não vai prejudicar tanto.
bjs

Taisa Albini De Assis disse...

Tive que rir aqui da sapequisse da Rafa!

Concordo contigo incluindo a parte das besteiras... Infelizmente hoje em dia os doces estão em todas as partes... mercado, restaurante, até nas lojas tem balinhas e pirulitos para as crianças...
Aqui também temos hábitos saudáveis e liberamos porcaria "DE VEZ EM QUANDO" sem deixar que isso se torne hábito ou faça mudar a qualidade de vida...
É a vida.. E ninguém morre porque comeu uma porcariazinha!
Esta é a minha opinião :)

Bjs

Dani Garbellini disse...

Sabe que já tenho pensado nisso, sobre como será com a segundinha aqui.
Em relação à alimentação, já estou me trabalhando mentalmente e pensando como você. Mas o quesito acesso a tv/filmes me preocupa mais.
Arthur quando bebê não tinha qualquer contato com a tv, depois foi sendo permitido aos poucos, conforme demonstrava interesse, sempre buscando adequar à idade.
E como será um irmão mais velho de 5 anos e um bebê de 01 ano? Vou ter que desencanar também. Ai, ai, ai...
Conta ai sua experiência sobre isso um dia?

Beijos!

Carolina disse...

Eu tenho uma sorte imensa de ter uma cunhada nutricionista. Desde a gravidez me preocupo com a alimentação. Mas é claro que permito guloseimas em festas ou ocasiões especiais. Mas tudo em relação a alimentação do Bruno passa pelo crivo da tia dele. O problema é que sou fanzoca de doce, tipo tenho que estar com açucar na boca toda hora. A maternidade me forçou a mudar isso.

Adorei a sapequice da da sua caçula. Ela deve ter feito a cara mais linda do mundo!!! rsrsrs

Bjs

Marina disse...

Rô, tá certíssima! Eu tb pensei assim, e olha que Bia só tem 2 anos e 4 meses! Não gost de hambúrguer, nem comidas de fase food, mas ama doces! Eu confesso que ainda tento fugir com ela no final da festa pra evitar que ela pegue, mas brigadeiro e bolo eu sempre libero! A menina até bate palma qd come! Hahahahahahaha
O lance é manter a rotin da semana e liberar umas gostosuras no fds!

Roberta Aquino disse...

Oi Xará ... eu tb pirava bastante .. agora relaxei mais ... a luma não se liga muito em refrigerantes, mc donalds etc ... mas quando vê doces e balas sai de baixo .. hehehehe .. ainda mais depois que ela entrou na escolinha ... vê outros comendo e tal ... e nas festinhas? jesus do céu ... faz parte ... ai resolvi liberar pelo menos nas festinhas ... mas vem k .. não sabia que danoninho faz mal .. é? pq?? a luma ama .. tem dias que come mais de um ... fiquei tensa agora ... bjs

Roberta Lippi disse...

Oi, Roberta, não é que o danoninho faz mal, não. Mas ele contém açúcar e corantes, o que é ruim para aqueles que pregam uma alimentação mais naturalista, especialmente até os 2 anos de idade. Beijos

Paloma, a mãe disse...

Rô, eu fui muito mais cri-cri com a alimentação da Ciça nos dois primeiros anos (mesmo tendo cometendo erros, por falat de informação e de experiência) do que com a da Clarice pelo mesmo motivo.
Ciça ainda não come balas e chicletes (e, se depender de mim, nunca comerá, mas não sou ingênua de achar que ela vai passar a infdância incólume), mas doces caseiros e chocolate eu permito eventualmente. E, quando vejo, Clarice já pegou um pedaço. Clarice já pede "coiate", imagine. Ciça, na idade dela, nem sabia da existência de "coiate" algum.

Quanto ao Danoninho, ele faz mal para bebês, sim, na medida que tem corante e açúcares e não tem valor nutricional algum. Depois dos 2 anos, menos mal. Mas continua sendo muito açucarado.

Beijos

Keive disse...

Leveza. Esse é o jeito certo de encarar a vida.

Anônimo disse...

a classe media tem um neurose com comida natureba... pra evitar os doces, é só nao ir nas festinhas!

Erica Bosi disse...

Não gosto de nada rígido demais, um docinho de vez em quando não tem problema. O que não aguento é saber que minha mãe compra besteiras todos os dias quando vai buscar a minha filha na escola. Isto quase me mata de raiva. O que alivia é saber que ela come outros alimentos saudáveis durante o dia.
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Tem sorteio de brinquedo educativo no meu blog, passa lá, http://educarmaisblog.blogspot.com.br/2012/05/sorteio-de-aniversario-2012-participe.html

Lia disse...

Importante é só escovar bem os dentes dela!
Sabe, tem gente que diz: "não adianta botar o primeiro filho pra comer alface, suco sem açúcar, não ver TV, porque com o segundo não vai ter jeito". É verdade, com o segundo é mais difícil - cito a televisão, que Emília vê muito de vez em quando e Margarida acaba vendo junto. Na idade da Margarida, Emília nem sabia o que era uma TV. Por isso, façamos o melhor com o primeiro e o melhor com o segundo, dentro das possibilidades de primeiro e segundo. Sei que provavelmente Margarida comerá açúcar mais cedo que Emília, mas fiz minha parte com Emília. Agora, fé em Deus!
E é isso mesmo que você falou: se os hábitos da casa são saudáveis, é o que vai pesar mais. Uma frase do pai da Lauren Graham: "There are no bad foods; there are bad diets".

Roberta Lippi disse...

Adorei a frase, Lia!!! Perfeita!!

Isabela Kanupp (Kira!) disse...

Eu tento não encanar muito e uma coisa que eu aprendi foi que a gente controla até onde da para controlar! Não tem como brigar com todo mundo por oferecerem porcarias para os nossos filhos, porque sim oferece.
Para evitar qualquer tipo de problemas na casa da minha sogra, aqui montamos toda uma tática. Em casa não entrava danoninho, chocolate, nada nada nada. Mas quando a Beatriz ia para a casa da vó (e como lá tem criança, sempre vai os netos para lá então sempre tem danoninho, bolacha, etc) lá podia comer!
Dai evitava o stress e funcionou durante MUITO tempo!

Beijos

Patrícia Boudakian disse...

Ro, eu controlo super a alimentação da Alice, mas quando ela está na casa da minha mãe com os primos, não escapa. Já comeu pipoca e chocolate.
Em casa eu não dou nunca, nem como perto dela. Fiquei muito mal quando a vi com um teco de chocolate na boca, mas também não posso ficar censurando loucamente tudo que os primos fazem... o melhor é relaxar e saber a medida e o momento de evitar!
beijos

Anna disse...

Com o Lucas consegui controlar (mesmo sendo taxada de louca, malvada, xiita pela família, essa linda) bem a introdução de doces. Ele só comeu quando tinha dois anos.

O problema é que o menino é uma formiguinha (tal qual a mãe) e ama loucamente um docinho. Eu regulo bastante, mas ainda assim eu acho que ele come mais doces do que eu gostaria que comesso.

Por enquanto tô conseguindo salvar o Miguelito, por conta da alergia ao leite de vaca. Mas ainda assim, certamente come mais porcarias que o irmão mais velho.

O negócio é ter como regra a alimentação saudável. Doces e besteiras são exceção e ficam com cara de festa.

beijos

MAriana disse...

Oi Roberta... Ainda estou na primeira filha, com quase 7 meses, e tb pretendo restringir doces e porcarias industrializadas até os 2 anos, pelo menos.
Uma reflexão que eu tenho feito muito é: em que situações eles serão liberados?
Aí penso: em dia de festa? aos finais de semana?

E aí começo a perceber que, inconscientemente, associamos os bons momentos da vida (dia de festa, férias, finais de semana) com a alimentação não-saudável. Tipo "dia de semana é dia de escola e arroz com feijão. Sábado é dia de piscina e McDonald's".
Eu sou uma pssoa muito ligada a comida, gosto muito de porcarias e percebi que as tenho associadas sempre a bons momentos da vida e não quero que a minha filha cresça com essa associação... As vezes fazemos sem nem perceber, mas o imprint deve ficar lá na criança pros anos futuros...

Roberta Lippi disse...

Mariana, excelente a sua reflexão. Em parte você tem toda razão. Mas acho também que tudo depende de como se leva o dia-a-dia.
Acho que tudo na vida que não é rotineiro é mais gostoso, não é? Até com a gente é assim!
Mas eu sempre procuro fazer das refeições em casa momentos de prazer. Elogio as comidas(não sou eu que cozinho em casa), faço caras e bocas, inventamos histórias e aventuras... hoje mesmo fizemos um prato super decorado no jantar que foi o maior barato. Só com coisas saudáveis.
Mas acho que é bacana deixar algumas coisas para momentos especiais. Eles passam a dar mais valor. Se eu liberar as balas e pirulitos durante a semana, a Luísa vai comer todos os dias (ela ganha sempre). Como deixo comer só no fim de semana, ela acaba curtindo mais essas comilanças de porcaria.
Não sei, mas na minha visão acho que as coisas funcionam super bem aqui em casa nesse sentido.
Beijos