segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Educação financeira e o primeiro cofrinho quebrado

Bastante tempo atrás, acho que há quase dois anos, meu marido deu pra Luísa um cofre de porquinho, bem parecido com esse aqui da foto. Era pra ela juntar as moedinhas que ganhasse e guardar ali. E assim foi. De vez em quando a gente dava uma moeda e ela ia enchendo o porquinho. Explicávamos que quando o porquinho estivesse cheio, ela teria o direito de comprar um presente com aquele dinheiro - ou vários presentes de menor valor. Ela usaria o dinheiro dela como preferisse e começaria a ter uma noção de valor real das coisas.

Até que, neste final de semana, ela notou que o porquinho estava completamente lotado e pediu pra abrirmos. Como ela ainda é pequena e o objetivo não era fazer uma poupança para algum projeto específico, permitimos. Então lá fui eu quebrar o porquinho (tão lindo que era, mas não tinha aquela abertura falsa embaixo, não teve jeito). Esmaguei o suíno no chão dentro de um saquinho plástico e recolhemos as moedas.
Engraçado como ela ficou empolgada. Somadas as moedas, deu R$ 23 e uns quebrados. Explicamos, eu e meu marido, um pouco de noção básica de educação financeira pra ela, dentro do que uma criança nessa idade consegue entender, e ela ficou super animada.
- "Mamãe, então agora você não precisa mais dar do seu dinheiro, eu posso comprar com o meu!" (orgulho da mãe vendo a filha almejando a independência financeira hehe - agora só falta trabalhar).
Falamos que ela poderia usar esse dinheiro para comprar coisas pequenas, tipo figurinhas, e que dessa forma o dinheiro duraria mais. Mas sugerimos que ela pegasse essas moedas pra comprar um presente especial pra ela, que estava guardando as moedas há tanto tempo. Luísa decidiu, então, que queria comprar um livro (orgulho II).
Fomos à livraria e ali começou o perrengue, porque tudo o que ela queria custava mais caro do que o dinheiro que ela tinha. Interessante, inclusive, pra ela aprender que não podemos ter tudo o que queremos e que ela comece a ter noção do valor do dinheiro dos pais, que é ganho com muito suor e tem limites. Foi um exercício bem interessante.
Ela falou que queria um livro de princesas - eu geralmente evito os livros de princesas, mas desta vez o dinheiro era dela e achei justo. Todos eram mais caros (como livro é caro, né?), até que ela encontrou um que eu achei legal - as histórias eram escritas em inglês e espanhol e algumas palavras tinham aqueles botões com som que repete a palavra em inglês e em espanhol. Estava em promoção por R$ 40, ainda assim R$ 16 mais caro do que ela tinha.
Daí entrou novo exercício da educação financeira: a negociação. Explicamos que, como era um livro bacana que o papai e a mamãe tinham achado interessante pra ela, nós completaríamos o valor pra ela poder comprar o livro. E assim foi. E ela ficou feliz da vida. Está certo que ela só aprenderá o real valor do dinheiro quando começar a trabalhar, lá no futuro, e assim compreender que precisamos ralar muito para poder comer, pagar nossas contas, passear etc. Mas já é um começo - por mais desapegados do consumo que sejamos, vivemos em uma sociedade capitalista e o dinheiro, queira ou não, faz parte da nossa vida, certo?
Foi com pai até o caixa, explicou pra moça que ia pagar o livro com as moedas dela e assim foi. Levou a "carteira", despejou as trocentas moedas e fez a sua primeira compra, toda orgulhosa.
Trabalho mesmo teve a moça do caixa pra contar todas as moedas

17 comentários:

Micheli Ribas disse...

Eu não tirei foto, Roberta, mas engraçado que há dois dias passamos pela mesma experiência! Clarinha com seu primeiro cofrinho quebrado e fazendo compra na livraria, as moças contando moedas e achando o máximo aquilo... Só que a minha acabou trocando o livro por um software educativo, aff...
Beijos.

Camila Bandeira disse...

Também fiz isso com a Gabriela, ela quis um brinquedo. A moça da loja disse que toda semana eram três ou quatro cofrinhos que viravam presentes na loja. Ela ficou muito orgulhosa de levar aquele monte de moeda.

Paloma, a mãe disse...

Este post veio em boa hora. Eu estava adiando a introdução do asunto aqui em casa. Eis que a Ciça ganhou um dinheiro da bisa e só fala nisso. "Meu dinheiro", toda orgulhosa. Pede para ver toda hora (está na carteira do pai). Como estamos de mudança, eu falei para ela que ela vai escolher um presente lá na Eslovênia para comprar com o dinheiro dela. O "problema" é o câmbio. Porque ela vê todo dia duas notas de 50. Não que ela veja o valor, mas sabe que são duas. Lá vou ter que arranjar duas notas para ela e sair, com ela, à procura de algo para comprar com estas duas notas. Só não sei se faço o câmbio oficial real-euro ou o câmbio afetivo-maternal (transformo em mais euros do que seria, na evrdade, para permitir um presente melhor). O que vc sugere?
Beijos

Gaby disse...

Que idéia massa!! Eu ainda me lembro da primeira coisa que eu e minha irmã compramos juntas, com o $$ que juntas guardamos. Foi um briquedo chamado "Garçom Equilibrista"e nós brincamos MUITO. Nunca vou esquecer!!

Renata disse...

Nossa, Ro. Adorei! Fiquei imaginando a felicidade dela, no caixa, contando as moedas pra comprar o livro. Adorei a idéia!!! O André ganhou um cofrinho e juntou moedinhas, mas não tive a idéia de deixá-lo abrir e comprar presente....
beijoca

Roberta Lippi disse...

Paloma, como é um presente da bisavó, e não uma economia dela, de repente até vale você dar uma aumentada no câmbio pra ela poder comprar uma coisa melhor caso os custos lá estejam altos, né? No caso da Luísa, como era economia de cofrinho, quis que ela entendesse que só poderia comprar aquilo que o dinheiro dela permitia. Ainda assim, demos um chorinho pra ela poder levar o livro mais caro... Mas foi uma experiência muito interessante, viu? Beijos

Dani disse...

Que bacana, Roberta!

Muito interessante o seu post e a experiência, como um todo. Tenho um bebê de 1 ano, mas já preciso me programar para estas atividades, que, certamente chegarão antes do que eu penso.

Adorei!

Beijo,
Dani

(Mamãe) ~Pinel disse...

Que linda!!!
E o mais legal, é que, por mais que a Lara ainda não tenha nem mesmo coordenação ou entendimento direito, ela ganhou um porquinho, que por acaso é cofrinho. Desde então tenho colocado algumas moedas nele! E penso do mesmo jeito! Quero que ela guarde, e que compre algo com o dinheiro, o dinheiro dela!

É importantíssimo darmos essa noção aos filhos desde pequenos.

Lendo esse post, estou pensando que o próximo cofrinho será desses sem fundo também, afinal, é sempre legal começar tudo do zero. Então, cada dinheirinho economizado, virá de um cofrinho diferente! =D

Paloma, a mãe disse...

Obrigada, Rô, por sua resposta. Eu estava imaginando isso mesmo, mas tenho zero experiência no assunto. Pensei até em comprar um cofrinho lá para ela, depois do seu relato e desta fissura recém-adquirida dela pelo "vil metal", ahahaha!

Beijos

Sarah disse...

Que máximo Roberta. Tanto a postura de vocês como pais quanto o entendimento da Luísa. Bento também tem um cofrinho e, por enquanto, se diverte colocando as moedas. Mas pretendo seguir a mesma linha que vcs quando o cofrinho estiver cheio. Resta saber o presente que ele escolherá... se for um livro, também não me recusarei a completar o valor da compra!
bjos

Raquel disse...

Que linda!
Ana tem um cofrinho...outro dia ela disse que iria guardar bastante dinheiro para ajudar na construção da casa nova.
Que dó! Falamos que não , e tal...que aquelas moedinhas era dela. Acho que ficou aliviada! hahaha
bjs e feliz 2012 pra vcs

Luciana - Descobertas disse...

Adoro esse assuntos sabe, pq eu sinto que minha dificuldade em economizar vem da falta dessa educação desde pequena, hoje peno para conseguir isso...e quero passar isso apra meu filho , espero conseguir. parabéns !!!

bjos

Mamma Mini disse...

Fofa demais! Que legal, parabéns pela conquista dela! O David ainda não ganhou um porquinho, mas acho que em breve vai ganhar... fiquei motivada! beijooooooooooooo

Turma IX disse...

Ro, Parabens!!! Muito lindo voce compartilhar experiencias! Dias atras, eu e minha cunhada Cristiane, mae do Pedro Henrique e da Maria Clara, falavamos sobre o assunto!!!!
Bjo a todos e um 2012 maravilhoso!!!

Liliane disse...

Ro, Parabens!!! Muito lindo voce compartilhar experiencias! Dias atras, eu e minha cunhada Cristiane, mae do Pedro Henrique e da Maria Clara, falavamos sobre o assunto!!!!
Bjo a todos e um 2012 maravilhoso!!!
Ro, vamos ver se agora da certo?? rsrsrs...postei o comentario e saiu como Turma IX.

Mônica Japiassú disse...

Muito bom!!

Muito bom constatar que, cada vez mais, os pais e mães de nossa geração estão iniciando os filhos cada vez mais cedo na educação financeira.
Tenho uma filha de 2 anos e uma de 7 anos. A de 7 já comprou vários sonhos com o dinheirinho dela e já tem uma boa noção do valor do dinheiro.

Nesse fim de semana ela fez seu primeiro inventário financeiro! Heheheh! Vou colocar no meu blog nos próximos dias uma foto: ela foi contar suas moedas e, como se perdeu, pediu um papel e uma caneta para anotar quanto tinha. Uma graça!

Parabéns por ter tantos motivos para se orgulhar de sua filha - e também da educação que você e o marido estão dando a ela!

Juliana disse...

Oi Roberta, sempre te assisto o Mamatraca, mas esta foi a primeira vez que visitei o seu blog. Parabéns pelo trabalho e pelas filhas!!
Esta dica do cofrinho veio em excelente momento. Estou precisando desenvolver esta noção do dinheiro com meus filhos e farei o mesmo.
Quando tiver um tempinho, visite meu cantinho também. Um grande abraço, Juliana
www.contosdeumamaepandora.blogspot.com