quinta-feira, 30 de junho de 2011

O que pode acontecer durante suas férias sem as crianças

Durante o jantar, Luísa olha pelo reflexo do vidro da janela e consegue ver o que está passando na TV.
- Olha, mamãe, o robô!
- Hein? (e eu vendo que estava passando a novela das sete)
- O robô, o filme do robô!
- E como é que você sabe, Luísa?
- Eu vi com a vovó. E ontem o moço caiu e machucou as costas dele, saiu muuuito sangue.

Mãe, te amo. A gente conversa mais tarde.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Viajando sem filhos - dicas para quem vai e para quem fica

Ao menos uma vez por ano, nos últimos quatro anos, eu e meu marido temos tentado fazer uma viagem sozinhos. Apesar de procurarmos sempre ter nossos momentos a sós no dia-a-dia - saímos para jantar ou para fazer algum outro programa pelo menos uma vez por semana, por exemplo -, viajar é muito diferente. Porque simplesmente você não tem que esperar as crianças dormirem pra poder sair, não tem hora pra chegar ou para acordar, não tem hora pra comer, pode encher a cara de vinho ou de cerveja e, também muito importante, não tem hora marcada pra namorar. Fazemos várias outras viagens com as crianças ao longo do ano, mas reservamos sempre uma só para nós dois, mesmo que curtinha.
Lógico que dá uma saudade imensa das crianças, afinal nunca mais uma viagem será como aqueles tempos em que você não tinha filhos. Um bodinho sempre vai aparecer durante a viagem, especialmente depois de falar com eles ao telefone e quando a volta está se aproximando. Afinal somos pais e agora temos uma família, a realidade é outra - e muito melhor assim, não é?

Nem todos os casais sentem essa necessidade, conheço pessoas que fazem questão de só viajar com os filhos nos primeiros anos de vida. Cada família tem seu ritmo, seus desejos, suas necessidades e é importante que isso seja respeitado. Esse tempo muitas vezes está relacionado à amamentação, que interfere na possibilidade ou não de se ausentar por um tempo maior. Obviamente não estou aconselhando ninguém a desmamar o bebê de quatro meses porque está cansada e precisa viajar com o marido de férias, como fazem umas e outras celebridades. O que eu quero dizer é que não é um problema não querer viajar sem eles, mas também não é um problema sentir a necessidade de dar um tempinho só para o casal.

Agora, se você é desse segundo time, como eu, mas ainda não criou coragem, experimente planejar uma viagem a dois em um final de semana ou em um feriado. Depois me conta se não foi bom. Está certo que as crianças serão sempre a prioridade, mas na nossa concepção de família essa é uma forma de cuidar do casamento, que é uma parte importante desse núcleo também. Isso se reflete, inclusive, na nossa relação com nossos filhos.

Já me achando "experiente" no assunto, rabisquei aqui algumas dicas para quem vai fazer sua primeira viagem sem as crianças.

Para o casal:

- Escolha, de preferência, um lugar novo pra conhecer e explore-o ao máximo. As novidades fazem com que a gente se distraia mais e pense menos nas crianças (não há problemas em pensar nelas, mas também não dá pra ficar pensando e falando nelas o tempo todo, certo?). Pra mim não funciona ir para um lugar e ficar o tempo todo de pernas pro ar, tipo uma casa na praia. Se fico muito tempo de bobeira, fico enlouquecida de saudades e pensando que queria estar com elas. Prefiro bater perna e só parar para relaxar em alguns momentos. Mas isso vai do ritmo de cada casal.

- Deixe os resorts para quando for viajar com as crianças. Esses ambientes são muito propícios para famílias e você vai ficar se remoendo, achando que deveria ter levado as crianças também. Vá, de preferência, para um hotel que não seja tão familiar.

- Leve fotos das crianças e filminhos na máquina ou no celular, mas não vale ficar olhando de cinco em cinco minutos, esqueça delas um pouco.

- Dê uma caprichada nas roupas (inclusive nas íntimas), sapatos e acessórios. Lembre-se que você não vai ter que ficar correndo atrás de crianças e não vai ter ninguém sujando sua roupa de comida. Caprichar no visual faz bem para a auto-estima e nada como uma viagem a dois pra gente se sentir jovem e bonita.

- Aproveitem pra dormir até tarde (eu tento, mas não consigo mais como antes), tirar cochilos durante o dia... Essa é a hora de colocar o sono em ordem.

- Não brigue por bobagens. Às vezes a saudade das crianças dá um certo mau-humor, mas controle-se e não deixe isso contaminar a viagem. Curta a vida a dois, porque logo a bagunça vai se instaurar de novo. A viagem passa rápido, rápido.

Para as crianças:

- Monte uma estrutura que deixe vocês tranquilos. Não adianta viajar sem ter confiança em quem vai ficar com elas. Este é um bom exercício para você aprender a relaxar. Se a criança puder ficar com alguém que já conhece um pouco da rotina dela, melhor ainda.

- Deixe todos os telefones importantes colados na geladeira (pediatra, hospital, vizinhos, parentes etc), separe carteirinha do convênio e documentos, deixe dinheiro para extras e deixe um bom supermercado feito. Deixe uma listinha com os remédios básicos e as recomendações para quando se deve acessar o pediatra ou ir diretamente ao hospital.

-Eu prefiro deixar as crianças na minha casa em vez de levá-las para a casa da minha mãe, por exemplo. Mas isso é uma opção minha e cada família pode encontrar sua melhor alternativa. Eu prefiro em casa porque elas saem menos da rotina e vão se cansar menos. Em casa elas já têm seus espaços, seus brinquedos, seus costumes. Desta vez, as duas ficaram em casa com a minha mãe (que me dá uma super confiança) e com a babá (que conhece toda a rotina das meninas e ajuda muito nas questões práticas,  e com isso não sobrecarrega a minha mãe).

- Uma decisão que tomamos desta vez e que foi muito legal foi contratar um motorista de confiança para ficar à disposição delas (com o nosso carro mesmo) durante essa semana que estávamos fora. Como minha mãe não dirige e não temos familiares na cidade, deixei uma pessoa à disposição que as levava para passeios, natação, supermercado etc. E também ficava de sobreaviso caso elas precisassem de algum apoio de madrugada. É um investimento que você coloca no pacote do custo da viagem e que, se puder pagar, vale a pena.

- Compre antecipadamente ingressos para teatro, cinema, circo, etc. Ter algumas atividades diferentes durante esse período deixa as crianças empolgadas e faz o tempo passar mais rápido. Além disso, ajuda para que as pessoas que ficaram com elas não tenham que ficar o tempo todo pensando em atividades diferentes para fazer.

- Fale sobre a viagem poucos dias antes de ir. Criança não tem muita noção de tempo e falar com muita antecedência pode criar uma ansiedade desnecessária.

- Para que a Luísa tivesse noção de quando iríamos voltar, peguei um calendário e marquei o dia em que viajamos e o dia em que voltaríamos. Pedi que todos os dias quando acordasse ela fizesse um X no calendário, assim ela saberia quando eu iria chegar. Escrevi "eu te amo" em cada um dos dias. Isso ajudou muito a controlar a ansiedade dela.  Minha mãe contou que era a primeira coisa que ela fazia quando acordava.

Alguns posts antigos em que falei sobre o assunto:
Constatação
Viajar sem ela é bom também
Para Luísa - sobre os bilhetinhos
Viajando sem ela pela primeira vez

terça-feira, 28 de junho de 2011

Aterrisando

A parte ruim da chegada:

- Você fica uma semana fora e chega louca de saudades das crianças. Aí o avião pousa em São Paulo e você respira aliviada, certo? Errado. Você ainda não chegou em São Paulo. Você ainda tem uma hora na fila da imigração, meia hora reclamando com a companhia aérea sobre a mala que não chegou (que por sorte não era a mala com os presentes das crianças, senão eu mataria alguém naquele aeroporto) e, de quebra, quase duas horas pra chegar em casa por causa do trânsito infernal da cidade em uma segunda-feira de manhã. Muito, mas muito mau humor. Algumas horas que duraram uma eternidade.


***
Agora a parte boa:


- Daí você chega de uma viagem de apenas uma semana com o marido e sua filhinha tem um novo sorriso. Nesse tempo tão curto os dois dentinhos de cima despontaram e já modificaram aquele sorriso gostoso, agora semi-banguela. Ela também começou a fazer coisas novas como sinalizar "acabou" com as mãos.
- Luísa está um encanto. Um doce. Uma linda. Uma fofa. Super companheira. Está um grude comigo desde que cheguei, e o melhor é que sem fazer manhas (por enquanto, porque não me iludo que as manhas tenham acabado).
- Rafaela me olhou de uma forma estranha quando entrei em casa. Mas quando eu a coloquei no colo, ela logo deitou a cabeça no meu ombro. E assim fez infinitas vezes durante todo o dia ontem. Como se estivesse querendo dizer que estava com saudades.
- As duas ficaram ótimas na minha ausência. Se comportaram super bem. Luísa obedeceu e não deu nenhum trabalho para a avó e para a babá. Rafaela acho que sente menos nessa idade, e também ficou ótima. (vou fazer um post com algumas dicas para viajar sem filhos, peraí.)
- É uma delícia abrir uma mala cheia de presentes para as crianças, fala a verdade!!
- E o melhor de tudo, depois de uma viagem reenergizante e deliciosa, é voltar pra casa. E ganhar esse carinho tão sincero e gostoso das crianças. Não consigo mais sequer lembrar de como era minha vida antes delas.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

E a Bambola se chamará Fofucha!

Gente, cheguei. E ainda estou colocando a vida, a roupa suja e a saudade das crianças em ordem.
Logo volto aqui pra blogar decentemente. Enquanto isso, anuncio aqui o resultado do sorteio da boneca Waldorf da Bambola.
A felizarda que ganhou a Bambola ruivinha feita com exclusividade para o Projetinho de Vida foi a Maura, do blog Coisas da Maura! E o nome da boneca, segundo ela, será Fofucha.
Parabéns, querida! O pessoal da Bambola vai entrar em contato com você pra acertar o envio da boneca, ok?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Pausa para recarregar

Sempre que alguém comenta sobre viajar sem filhos, eu aconselho de primeira: vá. (Só acho um absurdo desmamar o filho antes dos seis meses só pra tirar umas "merecidas férias" e pra poder voltar a tomar remédio para emagrecer como fazem umas e outras celebridades irresponsáveis de vez em quando, dando péssimo exemplo. Mas aí é assunto para outro post.)

O fato é que eu acho super importante para o casal ter um tempinho a sós. Filhos são a prioridade, mas também acho que de vez em quando os pais precisam ter seus momentos a sós para poder se reenergizarem, namorarem um pouco e voltarem depois com todo amor e paciência do mundo pra abraçar e cuidar da cria de novo. Cada casal tem a sua dinâmica, sua realidade e o seu tempo, mas garanto que umas saidinhas de vez em quando, mesmo que curtinhas, fazem um bem danado.

E blablablabla.... daí chegou o meu dia de viajar com o marido sozinha e deixar, dessa vez, as duas pequenas. Pensa que pra mim é super fácil? Não, não é. Impossível não ficar com o coração apertado, não sentir culpa, não sofrer um pouco. Um dia inteiro de mau humor antes da viagem, com a garganta entalada. Abraço as meninas o tempo todo como se fosse a última vez que fosse vê-las. Daí chega a hora de despedir de verdade. Segura pra não chorar na frente delas. Mas é inevitável fechar a porta de casa e entrar no elevador chorando horrores.

Clima permanece tenso por um tempo. Mal converso com o marido, dou poucos sorrisos. Mas ao mesmo tempo estou confiante de que elas ficarão bem com toda a estrutura que ficou montada. Ligo várias vezes no caminho até o aeroporto para fazer as últimas checagens.

O clima de férias dentro do avião já começa a nos colocar em outra sintonia e a saudade passa a ser algo controlável. Uma viagem depois que você tem filhos nunca mais será igual àquelas viagens em que conseguíamos realmente esquecer de tudo. Impossível não lembrarmos das meninas o tempo todo. E quem disse que queremos esquecer delas?

Mas é bom demais poder andar de mãos dadas sem destino certo, sentar num café e jogar papo fora sem se preocupar com a hora, ser namorados de novo... ah, se é. Mesmo que seja apenas por uma semaninha.


PS.  O sorteio da boneca Waldorf da Bambola ainda está valendo. Quem ainda não participou, está em tempo. As inscrições terminam nesta quarta-feira, dia 22.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mini mictório

Olha que eu só tenho filhas mulheres. Mas faleci quando vi esse mictório pra meninos aqui nesse site. Me digam se não é uma coisa ter um mictoriozinho desse pra ajudar o filhote a sair da fralda.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

É cocô pra cá, xixi pra lá

Estou com preguiça de pesquisar sobre isso, então vou apelar para o conhecimento técnico das minhas vividas, experientes e inteligentes leitoras e leitores.
Alguém poderia me dizer se existe alguma explicação para essa fase em que as crianças ficam falando as palavras cocô, xixi e pum o dia inteiro? Quanto mais empolgada a Luísa está, mais ela fala essas besteiras. Já desisti de falar que é feio. Mas sei que todas as crianças nessa idade dos 3 a 4 anos fazem isso. Vejo as amiguinhas e amiguinhos da escola falando também e as mães reclamando da mesma coisa.
Digam, minhas amadas e amados, existe alguma explicação científica, filosófica, técnica ou escatológica para o assunto?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Cuidado com o lixo

A filha mais velha ganha da dentista um monte de carimbinhos coloridos. A mãe, toda empolgada, aproveita e abre uma almofadinha de carimbo preto que estava sobrando no escritório. Mas, para evitar grandes sujeiras na roupa e no sofá, trata de jogar rapidinho no lixo o plástico que cobria a almofadinha e que estava cheio de tinta preta.
Brincadeira vai, brincadeira vem, chega a hora do almoço, almoça, troca de roupa e vai para a escola.
A mãe volta para o escritório e a filha mais nova acorda. A mãe leva pro escritório e deixa ela mexer na costumeira papelada de sempre.
Daí, de repente, a filha mais nova fica em pé na cadeira da mãe e, quando a mãe olha, adivinha? Dou um presente pra quem adivinhar onde foi parar aquele tal plástico com a tinta preta que havia sido jogado no lixo.
Sim, logicamente foi parar na boca da pequena, para desespero total da mãe.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Quer ganhar uma Bambola exclusiva?

Elas são tão fofas que dá mesmo vontade de abraçar. E essa é justamente a proposta das bonecas Waldorf. Segundo a pedagogia Waldorf, a boneca tem uma importância e uma intimidade no brincar infantil que não acontece com outros brinquedos. Por isso, elas devem ser feitas com materiais naturais para que a criança possa pegar e abraçar.
As Bambolas são a coisa mais graciosa desse mundo, gente. Corre lá no blog www.bambolacarina.blogspot.com pra ver. Uma é diferente da outra. Todas feitas artesanalmente, cada uma com seus próprios traços e expressões. Algumas já têm sua própria história, como a Alicia, uma garotinha de seis anos comunicativa e extrovertida. A Alicia faz natação e adora cantar em frente ao espelho. Já a Lys tem 10 anos e adora acordar cedo pra ir pra escola. Gosta muito de ler, pois os livros a levam por todos os lugares que sua imaginação permite.

A Bambola nasceu da iniciativa de quatro bonequeiras lá de Florianópolis, entre elas a minha amiga Cristiane Fontinha, fotógrafa talentosíssima e mãe do Lauro e da Lígia.

Agora, o mais legal: a Bambola confeccionou uma boneca exclusiva para o Projetinho de Vida, para ser presenteada entre as nossas leitoras e leitores. É essa ruivinha linda aqui da foto. Bacana, né? Me senti foi honrada, porque virei fã desse trabalho.

Que nome você vai me dar? Me leva pra casa?

Para participar do sorteio, basta:


1) Ser seguidor aqui do blog
2) Preencher o formulário abaixo com nome e e-mail

Será muito legal se você contar pra gente que nome vai ter essa Bambola, que tal?

Valem os comentários deixados aqui até quarta-feira que vem, dia 22 de junho. O resultado será anunciado na semana do dia 27, depois que eu voltar de uma semaninha de férias.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A um passo de um ataque de ciúme

Eu sou irmã mais velha, mas não me lembro como era essa questão do ciúme com os meus irmãos. Pensa só, eu tinha um ano e dez meses quando nasceu um casal de gêmeos. Zero de atenção pra coitadinha, né? Mas minha mãe fala tanto que eu era uma mocinha quando pequena - "criança com espírito adulto", ela me define - que acho que tudo transcorreu naturalmente.
Agora observo essas coisas mais de perto com as minhas meninas. Porque Luísa agora já é "criança grande", então já não é mais tanto destaque no meio de outras crianças ou mesmo dos adultos, apesar de ainda falar um pouco errado e ser uma fofa.
Já a Rafaela... está naquela fase em que todo mundo passa e solta um "ownnnn", dá um sorriso, quer mexer na bochechinha, pergunta nome e idade, brinca de esconde-esconde atrás de qualquer coisa....
Ontem eu, marido e as meninas fomos passar uma romântica noite do dia dos namorados numa lanchonete. Escolhemos esse lugar porque tem uma salinha com brinquedos pra dar uma distraída enquanto não chega a comida (porque, vamos combinar, a Luísa com quase quatro anos é super companheira, mas ir com bebê de quase dez meses a restaurante não é tarefa das mais fáceis, nénão?). Fui até a tal salinha de brinquedo com as duas e estava cheio de crianças, meninas e meninos, na faixa dos 4/5 anos. Luísa, toda tímida, ficou ali do meu lado. A Rafa, toda exibida, ia subindo nas outras crianças, mexendo no cabelo de uma, no nariz da outra... De repente, todas as crianças do espaço estavam em volta da Rafaela. Rindo, brincando, mexendo com ela. E criança não tem aquela percepção de adulto de puxar um assunto com a mais velha pra não dar ciúme, né. Eles simplesmente ignoraram a Luísa. Perguntaram o nome da neném e nem quiseram saber como era o nome da irmã.
Gente, meu coração ficou apertado, vê só! A sorte é que a Luísa, em vez de ficar enciumada, ficou orgulhosa porque estavam mexendo com a irmã dela. Ela ria e mexia com a Rafa também. E eu beijava a Luísa, abraçava, brincava com ela, porque fiquei com peninha e não queria que ela ficasse com ciúmes. Enquanto isso, a outra lá se esbaldava no sucesso repentino.
Por essas e outras é que irmão mais novo é sempre folgado, né?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Minha filha e o meu passado

Nossos filhos já nos conheceram adultos. Nos vêem trabalhando, cuidando da casa, falando ao telefone, mexendo no computador. Sim, também brincando com eles, fazendo palhaçadas, fazendo bagunça. Mas, ainda assim, somos adultos. Somos grandes.

Encontrei uma forma muito legal de levar a Luísa aos meus tempos de infância, para que ela saiba que já fui criança como ela e que já tive minhas fantasias, minhas boas histórias, meus amigos imaginários. Todas as noites, antes de dormir, eu me deito com ela na cama dela, no escuro. E ela me pede sempre pra contar uma história. No início, eu inventava. Contava a história, por exemplo, do dia em que eu encontrei uma sereia na praia e ela me levou lá pro fundo do mar pra conhecer a casa dela.
Mas depois me veio à cabeça que essas histórias da noite poderiam ser um bom momento para resgatar a minha própria infância e mostrar um pouco daquele período para a minha filha. Então passei a contar casos reais. Coisas simples, do dia-a-dia, mas histórias que de uma forma ou de outra me marcaram. Esse tem sido um momento interessante pra mim também. Tenho me lembrado de detalhes que estavam adormecidos lááá no fundo da minha memória. Tenho me lembrado de cheiros, de sons, de detalhes. E ela adora ouvir. Procuro variar as histórias, mas de vez em quando ela me pede pra ouvir uma ou outra específica.
Sinto, dessa forma, que ela está conhecendo um pouco mais de mim. E isso me aproxima dela ainda mais, como se tivéssemos alguns segredos entre nós. 

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Um dia de Giseles



Ganhamos essa sessão de fotos do Atelier da Vida. Não ficaram lindas? Eu, que não tinha fotos legais minhas com as meninas, fiquei super feliz. Porque, se dependesse da boa vontade do maridão, já viu.... Esse lance de ser a fotógrafa oficial da família dá nisso: lindas fotos do marido com as crias e quase nada minha.
Fora que nada como uma qualidade de estúdio, né? Luísa, tímida, deu pouquíssimos sorrisos, e a Rafa também não ficou tão à vontade. Mas, ainda assim, o fotógrafo Felipe Lampe conseguiu lances lindos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Pagando a língua

Nada como um segundo filho para quebrar algumas de nossas convicções. Luísa sempre comeu muito bem, desde bebê. Abria o bocão e não recusava nada. Teve suas fases mais chatinhas, mas duraram pouco. E até hoje ela tem uma alimentação bem variada - apesar de, nos últimos tempos, andar enrolando bastante na hora das refeições. Mas sempre comeu na mesa com a gente, no cadeirão ou na cadeira.
Quando é assim, é fácil criticar os outros, né? Sempre achei um horror essa história de ficar fazendo malabarismos pra dar comida pra criança. Lógico, é fácil falar quando seu filho come bem. Ficar correndo atrás da criança com a colher? Dar brinquedo pra distrair enquanto ela come? Dar comida em frente à TV? Um horror, um horror. Falta de disciplina total, péssimo hábito para as crianças. Lugar de criança comer é no cadeirão ou na mesa. E pronto. Isso é fundamental e não é ponto passível de negociação.

Daí, ploft. Cospe pra cima e cai na testa. E Rafaela come feito um passarinho. Quando come. Dá um trabalho mais ou menos. Adora uma fruta, mas não é muito fã dos salgados. E faz a maior onda pra comer. Estica as pernas com tudo pra não entrar no cadeirão e faz o maior escândalo.

Então, no domingo à noite, já sem muita paciência pra ficar insistindo, me pego na seguinte cena:
Eu, sentada no chão, com a Rafaela no meu colo, prato de comida ao meu lado, e milhões de brinquedos espalhados. Enquanto ela brincava com os brinquedos, eu enfiava uma colherada de papinha na boca dela. E ela botava a boca suja nos brinquedos de novo. O chão ia ficando uma nojeira com restos de comida. Depois ela ficou em pé, tacando a bocona suja no estofado da minha cadeira, e eu continuava ali tentando dar uma colherinha ou outra que ela aceitava enquanto se distraía. Entre manter a minha convicção e ela não comer ou fazer malabarismos mas ela comer pelo menos um pouco de papinha salgada, optei por ficar com a segunda alternativa. 

Só tenho uma coisa a dizer: lamentável.

PS. A cena acima foi registrada pela Luísa

domingo, 5 de junho de 2011

O futebol e os palavrões

Como é que a gente faz pro marido não falar palavrão quando tá assistindo jogo na TV, já que as crianças estão por perto? (porque não é um #$%¨& uma hora ou outra. São muuuuuitos palavrões, um seguido do outro)
- Amordaça
- Dá um sonífero e ele só acorda depois do jogo
- Entope a boca dele de amendoim
- Deixa ele falar e explica pra criança que não pode repetir nadica, nunquinha
- Relaxa, xinga também e ainda acha engraçado se o filho soltar um putaquipaliu
- Desiste e tranca as crianças num quarto bem longe dele

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Fazendo a higiene de um touro bravo

Cortar as unhas de bebê bravo é das tarefas rotineiras mais difíceis. Ai, que saudade de quando ela era um recém-nascido, que ficava com as mãos molinhas e a gente podia fazer o que quisesse. Agora não. Bichinha tem suas próprias vontades e sabe bem do que não gosta. E ai de quem contraria. Ontem, pra cortar as unhas que já estavam arranhando não só a ela como todos da casa, foi um suplício. Daqui a pouco eu apareço no programa do Datena como mãe que tortura sua filhinha inocente.
Outro problema da mesma ordem é higienizar os dentes. Pro dentista é fácil falar pra limpar o dentinho depois de cada refeição ou cada mamada. Principalmente a última mamada da noite, antes de dormir. Essa é fundamental, não é mesmo? Agora vai lá fazer, seu dentista, e me dá umas dicas. Chego perto com a fraldinha umedecida e a bicha tranca a boca com uma força que não há cristo que consiga abrir. Joga a cabeça pra trás e berra, berra, esperneia.
Daí ontem apareci com uma escova de dentes. Vamos fazer a coisa profissional, agora que tem duas canjiquinhas na arcada inferior e em breve aparecerão mais dois em cima. E Rafaela abriu a boca e me deixou colocar a escova. E comecei a escovar os dentinhos e ela caiu na gargalhada. Eu passava a escova e ela se matava de rir. Depois ficou um tempão ali mordendo as cerdinhas da escova, massageando as gengivas banguelas.
Preciso agora descobrir uma tesourinha de cortar as unhas que também faça coceguinhas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Varalzinho de uniformes

Imagine um varal de chão repleto de uniformes usados, mas limpos. Alguns mais conservados que outros, alguns novíssimos. Agora imagine esse varal na escola do seu filho. Ali você pode simplesmente chegar e pegar o que quiser. E também é convidado a deixar lá os uniformes que não são mais utilizados pelo seu filho para que outros possam aproveitar. Mas sem cobrança, sem ter que preencher fichas, nada. Só chegar.
Isso existe na escola da Luísa e é uma das iniciativas sustentáveis mais simples que qualquer escola poderia adotar.
No ano passado, primeiro ano de escola da Luísa, bateu aquele sentimento de mãe de primeira viagem: "poxa, a iniciativa é muito legal, mas queria comprar pelo menos os primeiros uniformes dela". E comprei. E gastei uma boa grana, porque coisa cara é uniforme, né. Modelitos de calça, sainha, vestido, camisetas, casacos. Achava tão lindo criança de uniforme e sonhava tanto com o primeiro uniforme da minha filha que resolvi comprar tudo novinho para estrear a vida dela na escola.
Mas, sonho alcançado, este ano foi bem diferente. Uma semana antes de começarem as aulas, o varalzinho da escola já estava cheio. Fui lá, sem medo de ser feliz, e peguei camisetas, calças e casacos de moletom. Muitas das peças que comprei no ano passado ainda serviam, então não comprei absolutamente nada. As que não serviam mais, pendurei ali limpinhas no varalzinho para outras famílias aproveitarem.
O varalzinho fica cheio o ano todo, para quem quiser. Podemos comprar novos todos os anos? Creio que a maioria das famílias que tem seus filhos ali naquela escola pode. Mas é necessário?
É ou não é uma ideia sensacional? Caso não tenha algo parecido, que tal vocês sugerirem essa iniciativa na escola dos seus filhos, que certamente tem na ponta da língua o discurso da sustentabilidade e do não consumismo?

A Carol também falou sobre o assunto nesse post aqui