terça-feira, 31 de maio de 2011

O inglês


Eu sou daquelas raras peças que aprendeu inglês na escola regular. Simplesmente porque eu adorava. E me aplicava. Era autodidata. Aprendi muito com esse programa que ensinava inglês com músicas (esse aí do vídeo) na TV Cultura no final dos anos 80 (alguém aí também assistia?). Fui à escola particular de idiomas pela primeira vez quando já tinha uns 14 ou 15 anos. E como eu era aplicadíssima e tinha muita facilidade, era a melhor aluna da sala.

Depois de adulta, ainda solteira, eu pensava seriamente em colocar meus filhos em uma escola bilíngue quando os tivesse. Achava que seria legal que eles tivessem um segundo idioma na veia.
Mas depois meus conceitos foram mudando. Meu marido já morou nos Estados Unidos quando adulto e também fala inglês muito bem. Eu tenho mais facilidade do que ele em relação ao sotaque, mas independentemente disso, ele tem fluência e ótimo vocabulário: dá palestras e faz milhares de reuniões em inglês numa boa.
Nós conversamos muito sobre isso e entendemos que não haveria necessidade de colocar a Luísa em escola bilíngue. Simplesmente porque não achamos necessário que ela fale inglês sem sotaques. Esse é um comportamento típico do brasileiro, de querer ser tão fluente a ponto de se passar como nativo no meio de americanos ou ingleses. Além do fato de as escolas bilíngues serem caríssimas no Brasil, preferimos que ela estudasse em uma escola com cultura brasileira (nossa nacionalidade) e aprendesse outros idiomas em paralelo. O importante, na nossa visão, é que elas falem e saibam se comunicar. Se mais tarde quiserem fazer um intercâmbio, serão super incentivadas. Evidentemente, cada família tem sua forma de pensar.

Ainda assim, não pensávamos em colocá-la tão cedo em um curso de inglês. Na escola dela, as aulas de inglês só começam no ano que vem. Mas depois que voltamos da Argentina, no final do ano passado, Luísa começou a demonstrar um interesse muito forte por outros idiomas, especialmente inglês. Na viagem, ela sempre perguntava qual idioma a pessoa estava falando. No nosso hotel havia muitos americanos. E assim ela foi entendendo, na prática, que em outros países as pessoas se comunicam de um outro jeito que não o nosso português.
Como ela continuou interessada depois que voltamos, perguntando o tempo todo o nome das palavras em inglês, resolvemos experimentar. Tem uma escola de inglês especializada em crianças (a partir de 3 anos) ao lado de casa, então perguntei se ela queria fazer uma aula teste.Conversei com uma amiga professora e ela foi taxativa:
- Se ela tem interesse, coloque no inglês, porque quanto antes a criança começar, mais facilidade ela terá no futuro. É como andar de bicicleta. Só não force, nem cobre. Se ela não quiser fazer, deixe para mais tarde.
E assim fizemos. Luísa topou. E amou. Está fazendo inglês desde o começo deste ano. E olha que a carga horária é puxadinha: duas vezes por semana, duas horas por dia.
Mas ela adora. Faz seu homework numa boa, sem que precisemos forçar. Vai à aula sempre animada, sem reclamar. Continua bastante curiosa e aparece o tempo todo com palavrinhas novas que ela solta quando está a fim (não adianta perguntar, porque só sai se ela quiser). Fala water, mommy, daddy, open please, baby, sister, nanny, boy, girl, dog e coisinhas do gênero. O aprendizado é bem leve nesse início, apresentando apenas palavras. As histórias são lidas em português, com algumas palavras ditas em inglês. Há atividades de artes e músicas que apresentam cores e novas palavras. Apenas os principais comandos são todos em inglês: vamos lanchar, quero ir ao banheiro, quero água por favor e outros termos desse tipo.
Tenho em mente o conselho daquela amiga: não forçar, nem cobrar. Enquanto ela estiver gostando e aprendendo, estará valendo a pena.
Agora, lindo mesmo foi o dia que estávamos na estrada, indo pra casa da minha mãe, e eu ouço atrás no carro ela cantando a musiquinha:
Good morning my dear teacher
Good morning, how are you
I am so very happy
To say hello to you
Quase bati o carro, de tanta fofura. Sweet girl.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Excellent student

Daí você chega pra reunião com a professora de inglês. Reunião individual. Ela te mostra uma pastinha com atividades feitas em sala e saca um folheto tipo "boletim", o tal Report Card.
E aí você pensa que a coisa é meio café-com-leite, porque nas notas da sua filha só tem Excellent, a carinha mais sorridente de todas as carinhas que são carimbadas ao lado de itens como participação em classe, compreensão oral, produção oral, respeito às regras, participação em atividades de artes, participação nas atividades com músicas, mostra compreensão dos vídeos, lição de casa e faltas.
Tudo lindinho.
Daí a professora é só elogios. "E a Luísa é isso, é aquilo. Ela adora me ajudar, é super meiga, querida, etc etc. Ela é um pouco tímida, então não é daquelas crianças que grita a resposta primeiro, que se destaca muito do grupo. Mas ela participa de tudo e está se desenvolvendo muito bem e blablablabla".
Daí você olha meio pavão, assim com o peito todo cheio. Minha filha é o máximo, mesmo, ai que orgulho. Ai, ai, não estou me cabendo. (Amanhã conto por que resolvemos colocá-la no inglês).
Daí você para um pouco. E lembra dos ataques de manha e birra que ela tem dentro de casa pelo menos uma a duas vezes por dia. E aí você pensa: será que estamos falando da mesma criança?
Daí eu comento com a professora que eu bem que gostaria que ela fosse assim também em casa. E a professora me olha com cara de espanto: ué, mas a Luísa não é assim também em casa?
- Não, teacher, em casa ela faz muitas manhas e birrinhas.
Juro, a professora abriu a boca daquele jeito de queixo caído, sabe?
- Não acredito. A Luísa?
- É, professora, a Luísa.

Saí dali com alguns pensamentos. Um é que, por um lado, estamos no caminho certo (e demos sorte), nossa menina é uma criança educada, comportada e boa aluna.
Por outro, fiquei pensando: por que catso criança quando está com os pais, especialmente com a mãe, adora tirar a gente do sério? Será que é de propósito?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O resgate do mico do aplicador

Sei que é muita picaretagem bloguística fazer isso, mas hoje eu estou tão enrolada com trabalho que tive que apelar. Então resolvi resgatar um post antigo que foi publicado em 2009 mas que é um dos meus preferidos dado o mico que eu paguei por conta da Luísa e sua bolsa cheia de cacarecos. Aí vai:


Tempos atrás, a Luísa teve uma espécie de "sapinho" nas genitais, na parte externa. Provavelmente algum fungo que pegou na areia da praia ou piscina. E a pediatra receitou para passar no local uma pomada vaginal, daquelas que mulheres usam com aplicador interno.
A Luísa evidentemente não usou os aplicadores, que nada mais são do que tubinhos de plástico, e eu acabei guardando a caixinha. Dia desses, quando fui fazer uma faxina na caixa de remédios, em vez de jogar fora, dei os aplicadores pra Luísa ficar brincando.
Sei que eles viraram até vela de bolo de massinha (tinha uns 10 na caixa, acho). Como eu tinha comprado a pomada pra Luísa, eu nem me toquei muito que aquilo era um objeto um tanto... íntimo, se assim posso dizer.
Eis que fomos passear no shopping Iguatemi num dia de chuva da semana passada. Minha vizinha e uma amiga dela também levaram as crianças. Luísa, é claro, com sua bolsinha a tira-colo. Em um determinado momento, Luísa deixa cair a bolsinha no chão e tudo o que estava dentro começa a rolar no chão do shopping: celular de brinquedo, chupeta, escova de cabelo...
De repente, minha vizinha olha pra minha cara e começa a rir: aplicadores vaginais rolavam pelo chão do shopping mais chique de São Paulo.
Eu fui ficando roxa, roxa... e saí catando tudo rapidinho, tratando de explicar o que aqueles aplicadores estavam fazendo na bolsa da Luísa... Mais um mico pra lista.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Aquele monstro nojento

Não estou falando dos monstros que habitam no imaginário das crianças. Quem dera se fosse, seria um assunto bem mais leve. Estou falando de um monstro real. Há tempos estou com esse homem entalado na minha garganta, esse ex-doutor Roger Abdelmassih. Essa semana, enfim, o registro de médico dele foi cassado definitivamente pelo CRM. Condenado a 278 anos de prisão por estuprar sistematicamente - veja bem, sistematicamente – suas pacientes, esse homem chegou a ser preso, mas graças a um habeas corpus concedido pelo nosso querido ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, ele foi solto e fugiu do país.
Fiquei com náuseas depois de ler a matéria de capa da revista Época de duas semanas atrás, entitulada “A clínica do horror”. Se alguém por acaso não leu, não sei se recomendo a leitura ou se sugiro que a pessoa se poupe de descobrir mais atrocidades que esse ex-médico cometeu com centenas, milhares de mulheres e homens que o procuraram e pagavam uma fortuna na tentativa de engravidarem.
Me dá nojo saber que esse monstro, reconhecido internacionalmente por conseguir índices de sucesso na fertilização jamais alcançados no mundo, enganava casais implantando embriões fertilizados de outras pessoas para garantir maior sucesso na inseminação. Ele manipulava aqueles embriões humanos como se estivesse numa aula experimental da faculdade testando embriões de ratos. Foram OITO MIL bebês gerados na clínica de Abdelmassih, que já foi um dia o queridinho das celebridades (muitas mulheres famosíssimas tiveram seus filhos com a ajuda dele, já pensou? Uma delas é uma das mais famosas apresentadoras de TV do país).
OITO MIL bebês. Dá para ter uma idéia de quantos pais não devem dormir desde que as denúncias começaram, em 2009? E agora, então, depois dessa denúncia da revista de que ele trocava embriões?
Tento me colocar na posição de um desses casais, mas sinceramente não consigo. É cruel demais essa história toda. Fico pensando: se eu tivesse feito fertilização in vitro com esse médico-monstro, será que eu gostaria de saber se meus filhos são ou não meus filhos biológicos? O que é mais cruel? Não sei responder.
O que eu gostaria de saber é: vocês, se estivessem na situação de um desses casais, fariam o teste de DNA para saber se seus filhos são mesmo seus filhos biológicos ou se houve troca de embriões?

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sobre crianças e o racismo

De vez em quando é bom a gente tomar um chacoalhão para prestar mais atenção em algumas coisas. O racismo, por exemplo.
Dêem uma olhada nesse vídeo que vi aqui. Está em inglês com legendas em francês, mas é bem fácil de compreender a mensagem.
Fiquei pensando: falamos tanto em diversidade e na importância de que nossos filhos não diferenciem pessoas por raça, credo, religião ou condição social. Mas será que elas convivem com essa diversidade no seu dia-a-dia? Será que estamos fazendo direito o nosso papel nesse sentido? Quantas crianças negras existem na sala de aula ou na escola do seu filho? Quais são os exemplos que elas vêem na TV?
Eu procuro mostrar a diversidade como algo normal por meio dos livros, dos vídeos, das bonecas, do respeito às pessoas que trabalham conosco, além de frequentarem a nossa casa amigos negros e cadeirantes. Mas ainda me questiono se isso tudo é suficiente. Apesar de ser uma escola super bacana a que a Luísa estuda, não vejo crianças negras por lá. Apenas funcionárias.
Vale a reflexão. Será que as próximas gerações serão melhores que a nossa nesse sentido?


PS. O site da N Magazine, onde vi esse vídeo, também me apresentou esse ateliê incrível que faz bonecas com diferentes etnias , a Preta Pretinha. Vale conhecer.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Um dia de professora

A escola da Luísa tem uma atividade muito interessante envolvendo os pais. É o que eles chamam de "Sei fazer, quero ensinar" (ou algo parecido com isso). Você pode ir lá, no dia combinado com a professora, e fazer qualquer atividade com as crianças da sala. Artesanato, culinária, contação de história, brincadeiras, falar sobre uma profissão, qualquer coisa é válida, por mais simples que seja.
No ano passado, com a minha gravidez e depois nascimento da Rafaela, eu fui postergando, postergando e acabei não realizando a atividade na escola. Cada vez que eu via no portfólio da sala dela a foto de uma atividade com uma das mães, eu me sentia super culpada e em débito com a Luísa (culpa? oi?)
Para me redimir, na semana passada fui lá inaugurar as atividades do ano. Parece uma coisa muito simples, e de fato é, mas engraçado como dá um certo nervosismo. Sei lá, é responsabilidade agradar a criançada, né? Ainda mais na frente do seu filho. Tem que fazer bonito. (Se bem que eu acho que nessa idade eles sentem orgulho de qualquer jeito)
Depois de muito pensar no que fazer, resolvi fazer uma atividade culinária. Mas como a mão na massa não é tanto o meu forte, apelei para a arte na culinária. Fizemos cupcakes em casa (também conhecidos como mini-bolinhos de chocolate, muito prazer) e levei um monte de tranqueiras pra criançada colocar na cobertura e depois levar pra casa (creme de avelã, marshmellow, M&Ms e granulado preto e branco). Mandei um e-mail avisando as mães que a atividade iria sair um pouco do cardápio saudável da semana e liguei para uma das mães cuja filha tem restrições alimentares. Tudo liberado.

Na noite anterior à atividade eu estava tensa. Ficava pensando no que ia falar, em quais brincadeiras iria fazer. Mãe é tudo besta mesmo, né? Acordei no meio da madrugada com uma história na cabeça, anotei tudo e voltei a dormir.

Chegou o dia D e eu fui cedo pra escola pra me preparar. Na hora da atividade, quem foi me buscar na secretaria pra me levar para a sala foi a própria Luísa, toda tímida e orgulhosa.
Sei que deu tudo certo. Eles estavam todos ansiosos me esperando. Antes da atividade, inventei uma história sentada numa daquelas mini-cadeiras da sala. Falei que um rei ia dar a "Festa do Chapéu" no seu reino e que ele tinha convidado todos os personagens (homem aranha, branca de neve etc,). As crianças iam me ajudando a lembrar os nomes dos personagens. Todos iriam com seus lindos chapéus à festa, menos um: o bolo de chocolate. Era o único que não tinha chapéu para ir à festa do rei. Então eles teriam que me ajudar a fazer o chapéu do bolo que eu tinha levado lá.
Foi super bacana e interativo. Eles adoraram. A coitadinha da amiga da Luísa que tem restrições alimentares comeu metade do bolo ali mesmo. Outro colocava uma colher de M&M no bolo e outra na boca. Delícia poder fazer uma bagunça dessa de vez em quando também, né? Depois coloquei numa embalagem pra eles levarem pra casa.

Ao final daquele dia, eu fiquei pensando: por que não fui fazer isso antes? Se a Luísa ficou feliz, eu fiquei mais ainda. Foi realmente incrível participar daquele mundinho dela um pouco. Me senti mais importante do que em qualquer apresentação para 500 pessoas que eu já fiz na vida. Uma sensação indescritível.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Para que planejar?

No domingo à noite você já faz a listinha de coisas pra fazer na segunda-feira de manhã:
- Pagar os impostos da empresa
- Pagar o clube (já atrasado)
- Ligar pro moço que vai arrumar o box do banheiro
- Mandar e-mail para fulano, ciclano e beltrano
- Continuar as entrevistas da matéria que está sendo apurada
- Responder à ligação de não-sei-quem e não-sei-quem-mais
- Ir ao supermercado

Daí você acorda e as duas filhas estão com conjuntivite. E você passa a manhã no pronto-socorro. E não faz ABSOLUTAMENTE NADA do que estava programado.
Pra que se planejar, não é mesmo?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Bebezinha cheia de personalidade

Pensa num bebê muito sorridente. Agora pensa num bebê muito bravo. Agora tente imaginar as duas coisas num bebê só. Não combina, né? Mas taí, apresento a Rafaela.
Ela é um encanto. Sorri o tempo todo, vai para o colo de todo mundo, é super carinhosa e sossegada. Mas não pisa no calo dela, não. Quando ela não gosta de uma coisa, sai de baixo.
E eis que a menina encasquetou que não gosta de trocar fralda nem trocar de roupa. E pronto. Escândalo de primeira linha está formado. A bichinha não chora, não. Ela berra. Se alguém ouve de longe pensa que ela se machucou ou que tem alguém espancando. Berra e se joga. Se estica, fica dura, joga a cabeça pra trás, vira de bruços. A gente tem que se virar nos 30 pra conseguir trocar a fralda ou colocar a roupa. Não há brinquedinho, pacote de lenços umedecidos, tubo de pomada ou qualquer outra distração que a faça ficar calma por mais de 10 segundos. Somente quando ela está bem calminha, recém-alimentada, que ela topa deixar a gente trocá-la numa boa. Essa madrugada rolou um escândalo desses. Acordou no meio da noite com a fralda toda vazada e a roupa molhada, não tinha jeito. Não sei como não acordou a Luísa, sinceramente, porque acho que até os vizinhos ouviram.
Quando não quer ficar no cadeirão, é a mesma coisa. Estica as pernas de um jeito que a gente não consegue colocá-la sentada de jeito algum. E berra, e vira a cabeça, e não quer comer, um show à parte. Chacoalha os bracinhos com raiva e arremessa o que estiver na mão.
Depois de calminha, ela olha pra mim, passa a mãozinha no meu rosto e dá um sorriso bem cheio e banguela.
Posso com tamanha personalidade?


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Reflexões sobre a maternidade

- O problema da amamentação em lugares públicos não é mostrar os peitos, mas sim a pança quando a gente levanta a blusa.
- Das vantagens de parar de amamentar: poder voltar a usar sutiã. Porque vamos combinar, sutiã de amamentação deveria ter outro nome, e não sutiã. Aquele treco sem bojo e sem formato deixa a gente parecendo uma velha gorda. Tô siachando agora, pareço adolescente desfilando seu primeiro Valisére.
- Criança deveria ser proibida de acordar à noite no inverno. Na madrugada mais fria do ano a Rafaela acordou umas cinco vezes. Não dava tempo nem de esquentar o lençol e eu já estava levantando de novo. Isso é uma judiação com uma mãe que só faz o bem.

terça-feira, 17 de maio de 2011

E a cara de pau não tem tamanho

- Mamãe, me leva hoje pra escola?
- Melhor você ir de perua, filha, porque no meio da tarde eu já vou pra lá por causa da festinha do dia das mães. Daí eu fico com você lá e você volta comigo pra casa. Pode ser?
- Mas eu queria que você me levasse hoje.
- Não vai dar, filha, vai ser muita correria ir pra lá duas vezes no meio da tarde. Vai de perua que logo eu chego lá pra ficar com você.
- Sabe o que é? É que ontem eu falei pra possessora (a-d-o-r-o) que você ia me levar hoje na escola e eu não queria mentir.

É uma gênia ou é uma safada de marca maior?

segunda-feira, 16 de maio de 2011

A notícia é velha mas é boa


Alguém aí é atrasildo como eu e ainda não comprou o CD Música de Brinquedo, do Pato Fu? Pois não sabe o que está perdendo. Coisa bacana, mas muito bacana mesmo. Comprei na semana passada, depois de muito ensaiar, e o CD virou sucesso aqui em casa.
E o mais interessante é que não são músicas infantis, e sim músicas clássicas do repertório nacional e internacional - como Tim Maia, Rita Lee e Beatles -, mas o CD acaba atraindo as crianças porque as músicas são tocadas com instrumentos infantis e há crianças cantando (filhos do pessoal da banda). Luísa adorou o CD. E fica tentando adivinhar quais são os instrumentos que estão sendo tocados a cada música. Interessante porque despertou nela um ouvido mais apurado para a música. Por mais que a qualidade dos instrumentos não seja boa, o resultado final tem personalidade.
O projeto da banda mineira foi inspirado nos Muppets, o programa de fantoches do Caco e da charmosa Miss Piggy. No lugar dos instrumentos de sopro entra um kazoo, um Genius simula um saxofone e uma calculadora Casio reproduz o som de um teclado.
Na minha opinião, vale muito a pena. É daqueles que você coloca pra ouvir no carro com as crianças e curte junto (assim como o CD do Pequeno Cidadão, do Arnaldo Antunes).  Mas, se você já ouviu e não gostou, pode comentar aqui também, assim mostramos opiniões diferentes. O espaço é mais que democrático.

domingo, 15 de maio de 2011

Movimento Infância Livre

Fui convidada, assim como algumas outras blogueiras, a aderir ao Movimento Infância Livre de Exploração e Abuso Sexual, promovido pela Childhood Brasil, organização criada para enfrentar o abuso e a exploração sexual infantil. Tema espinhoso e difícil, esse. E que merece muita atenção de todos nós, pais.
Um show super bacana vai acontecer no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no próximo dia 17 de maio para debater o tema e chamar a atenção da sociedade. O evento, capitaneado por várias estrelas da música e da televisão brasileira, terá como foco a defesa pelo direito de ser criança. Esse parece ser um direito básico das crianças, mas não é. Já falei sobre isso várias vezes aqui no blog, de diversas maneiras. Lembram daquele texto que publiquei recentemente aqui sobre os direitos das crianças? Quem não viu, vale a pena.
Hoje a Paloma também fez um texto ótimo sobre o assunto. 
Muitos pais estão perdendo a mão nesse sentido e não estão percebendo, gente. Crianças não estão exercendo esse direito básico de serem crianças muitas vezes por caprichos ou descuido dos seus próprios pais. A erotização infantil muitas vezes começa com determinados comportamentos aceitos e incentivados dentro de casa. Não deixem que seus filhos se vistam e se comportem como mini-adultos. Eles têm que ouvir música infantil ou músicas adultas de bom gosto sem apelo sexual, se vestirem como crianças, se sujarem, brincar na rua, fazerem bagunça. Crianças não têm de fazer festa em salões de cabeleireiro, não precisam conhecer marca de roupa, não podem alisar ou colorir os cabelos.
Prestem atenção se vocês estão deixando seus filhos vivenciarem cada etapa a seu tempo. Com o argumento "é coisa de criança" podemos incentivar, inconscientemente, que elas também achem normal coisas que não deveriam achar normal, inclusive serem abordadas por estranhos com apelo sexual, seja física ou virtualmente.
Como bem disse o release que recebi sobre o movimento, nós todos somos responsáveis pela solução desse problema.

Infância Livre de Exploração e Abuso Sexual Espetáculo em benefício da Childhood Brasil 
Presenças confirmadas: Ana Botafogo, Caetano Veloso, Djavan, Marcelo Bratke, Maria Bethânia, Maria Gadú, Milton Nascimento, Patrícia Pillar, Renata Sorrah, Sandra de Sá, Sandy, Seu Jorge e Thiago Soares.
Dia 17 de maio, às 21h 
Theatro Municipal do Rio de Janeiro - Praça Floriano s/n. – Centro. Tel: (21) 2332-9191.
Ingressos: Balcão Nobre e Platéia – R$ 50 Balcão Superior – R$ 30 Galeria – R$ 20
Ingressos à venda pelo site www.ingresso.com ou na bilheteria do Theatro Municipal (a partir de 10h).


Para mais informações: http://www.infancialivre.org.br/ 

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O mamaço e o encerramento de um ciclo


Hoje as mães se enfezaram. Essa história de não poder amamentar em público, como se isso fosse atentado ao pudor, realmente é demais. Primeiro teve a história da mãe que foi impedida de amamentar no Itaú Cultural, o que gerou o movimento hoje na av. Paulista, em São Paulo, e depois teve o caso da mãe que teve sua foto amamentando retirada do Facebook como se fosse uma imagem pornográfica. Para rebater esse absurdo, ela propôs que hoje as mães colocassem fotos suas em redes sociais amamentando, pra mostrar o quanto isso tem que ser encarado como uma coisa natural. Aí vai a minha. A foto acima é da Rafaela mamando logo após seu nascimento. Ali no meu peito ela ficou por cerca de uma hora. Foi um momento muito especial.
Ah, e quem ainda não leu esse manifesto AQUI da Lia a favor da amamentação, não deixe de ler.

***

A ironia é que, no mesmo dia em que acontece esse manifesto, batizado de Mamaço, eu encerro meu ciclo de amamentação com a Rafaela. Hoje fiquei pensando bastante sobre isso. Encerrar esse ciclo, quando a gente ainda tem prazer em amamentar, é difícil. Dói, mesmo sabendo da liberdade que se ganha quando temos de volta nosso próprio corpo. E essa semana eu andava meio triste. Foi uma escolha da Rafaela, e não minha. Ela foi se recusando, se recusando, e o peito foi reduzindo a produção de leite, e uma coisa levou à outra. Ontem e hoje ela não mamou mais no peito. E entendo que essa etapa ficou por aqui.
Depois, pensando melhor, avalio que não devo encarar esse marco com tristeza, mas como uma vitória. Com todos os percalços que já passei pra conseguir manter a amamentação da Rafa sem complementos, creio que ter alcançado os seis meses de amamentação exclusiva foi maravilhoso e, mais ainda, consegui amamentar no peito até praticamente o mesmo tempo que consegui com a Luísa (que encerrou aos nove meses). Mas que dói, dói.

Agora vambora para as novas fases que vêm a seguir.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O que é, o que é?

O que é, o que é?
Enquanto eu trabalho, está aqui debaixo da mesa do meu escritório revirando o lixo, comendo papeizinhos e tentando puxar os fios do computador.

Resposta:
a) o cachorrinho novo da casa
b) um rato que vive no meu apartamento
c) a Rafaela

terça-feira, 10 de maio de 2011

O Pará, a internet e nós na mídia


A internet é capaz de gerar surpresas nunca antes imaginadas. Quem diria que um dia eu estaria em destaque no principal jornal do Pará? E como fonte, não como repórter!? Pará, um estado aparentemente tão distante, que eu (ainda) não conheço (mas admiro). E daí que a internet aproxima a gente. E no mundo virtual não existem distâncias. Nós estamos a um mesmo clique de alguém que está na rua ao lado, de alguém que mora em outro estado e de uma pessoa que vive fora do Brasil. Um mesmo clique, uma mesma distância. Acho isso incrível. Inicialmente eu imaginava que a maior parte das pessoas que acessava o blog era de São Paulo capital, mas isso é ilusão do real e não tem nada a ver com o virtual. Vejo passando por aqui gente dos mais variados lugares do Brasil e até mesmo do mundo, isso não é incrível? Eu acho. Mães com os mesmos anseios, as mesmas vontades de dividir suas dúvidas e trocar experiências.
E fiquei super feliz em estampar mais de meia página do Diário do Pará nesse domingo, dia das Mães, em um especial sobre os relacionamentos das mães na internet. Eu e minhas duas bonecas demos as caras por lá em uma entrevista ping-pong sobre o Projetinho de Vida, vejam só que coisa mais chique.

A amiga da Luísa

Luísa tem uma amiga imaginária. Que não tem nome. E que nem sempre parece ser sempre a mesma pessoa. O que eu sei é que essa amiga exerce uma grande influência sobre ela (ou, em outras palavras, é a desculpa que ela usa quando quer fazer alguma coisa que não deve). Fala dessa amiga o dia inteiro.

- Filha, coloca esse casaco porque está frio lá fora e você está tossindo
- Minha amiga falou que não tá fio lá fora, não
***
- Mamãe, eu vou passar batom porque vou sair pa passear com a minha amiga e ela falou que a gente tem que usar batom
***
Eu, comentando com a empregada sobre uma receita de bolo de cenoura sem glúten que vi na revista.
-Humm, mamãe, é uma delícia esse bolo. Minha amiga já fez
***
- Lulu, vem aqui se enxugar, vamos colocar o pijama.
- Eu não quero colocar pijama
- Filha, já está de noite, é hora de por pijama
- Eu vou colocar roupa nomal porque vou pa festa com a minha amiga

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Promessas de mãe

Prometo ajudar você a saber que estaremos sempre unidas
Prometo estar de coração e mente abertos para acolher as transformações do nosso relacionamento
Prometo confiar em meus próprios instintos ao cuidar de você
Prometo conversar com você ao longo de toda a nossa vida
Prometo dançar, cantar e brincar com você a vida inteira
Prometo lembrar a você todas as vezes que cantamos, dançamos e brincamos juntas
Prometo sempre apoiá-la, mas nunca sufocá-la
Prometo lhe ensinar através do exemplo, não apenas com palavras
Prometo inspirá-la a amar seu corpo e a cuidar dele
Prometo tentar não criticá-la, mesmo discordando dos seus atos
Prometo ajudá-la a ver como é perfeita simplesmente sendo quem é
Prometo sempre lhe dizer as muitas razões que me fazem te orgulho de você
Prometo confiar em você para comandar o seu mundo
Prometo mostrar a você que juntas podemos criar um mundo melhor
(Frases do livro 100 Promessas para o meu bebê, de Mallika Chopra)


Nesse dia das mães, minhas filhas, prometo amá-las demais e somente agradecer por ter recebido vocês como os meus grandes presentes nessa vida. Amar, cuidar, proteger e educar vocês duas é meu maior projeto de vida.
E à minha mãe, agradeço por ter ensinado tanta coisa boa que hoje eu posso passar para as minhas filhas. Entre elas, valorizar pequenas coisas da vida como estar com a família reunida fazendo bagunça na cama no domingo de manhã, um dos meus momentos preferidos.

Feliz dia das mães a todas as mães biológicas e de coração, às gravidinhas e também àquelas que desejam muito ser mães e ainda não conseguiram.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sinceramente

O que a gente faz com uma criança de três anos e oito meses que fala "interessante" e "sinceramente"?
Morde muito, né?

terça-feira, 3 de maio de 2011

O pai e seu incrível jogo de cintura

Descrevendo pro marido uma cena que tinha acabado de acontecer comigo:
- Lu, imagine a seguinte situação: você leva a filha número 2 ao banheiro para trocar a fralda suja. A filha número 1 quer ir junto. Quando você está limpando o bumbum da bebê, com a fralda aberta, a filha mais velha fala que quer fazer xixi e cocô. Você então fala pra ela esperar um pouco. Ela espera cinco segundos e começa a rebolar, falando que o cocô já está saindo. E você sozinho no banheiro com as duas, com a outra ainda pelada sem fralda. O que você faria?
- Hahaha, eu acho que ia gritar. Ou então ia sentar no meio do banheiro e começar a chorar. Sei lá, não ia conseguir fazer nada.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Os primeiros pontos

Quando alguém conta que o filho se machucou e precisou dar pontos, a gente acha isso completamente normal. Mas não quando é com o filho da gente, né?
Justo ontem que eu estava de mal com a Luísa por uma besteira. Fiquei irritada de manhã porque ela só quer vestir roupa jeca e é uma briga todo fim de semana. Decidi que não compro mais nada pra ela, já que ela não usa. Só quer legging e camiseta. E fiquei irritada mesmo, de mal, sabe? Nem queria conversar com ela (esse é o meu lado escorpião que eu tento administrar mas não consigo).
Daí que estávamos no clube, eu com a Rafa no colo e ela na beira da piscina com o pai. Ela escorregou e caiu na piscina. Aparentemente um tombo sem grandes traumas. O salva-vidas do clube viu a queda e nos avisou que ela havia batido o rosto. Mas não tinha sangue, ela apenas reclamava que doía. Abraçamos e tentamos acalmá-la. Até que o marido avisa:
- Rô, tem um corte aqui embaixo do queixo
Quando vou ver, um corte profundo e bem aberto. Só não tinha sangue.
Por sorte estávamos no clube e ali bem pertinho tinha a enfermaria com tudo o que é preciso para primeiros socorros, inclusive um médico de plantão. O doutor, mocinho, olhou pra mim:
- Eu sugiro dar pontos. Se fosse minha filha, eu daria. Você pode não dar, mas vai fechar de forma mais lenta e a cicatriz vai ficar mais grosseira.
Papinho rápido com o marido e decidimos que daríamos o ponto ali mesmo. Melhor do que sair de lá e encarar um pronto-socorro.
Luiz ficou com a Rafaela e a corajosa aqui ficou segurando a filha e olhando tudo. Luísa é um encanto de menina. Chorou muito no começo porque não queria ficar deitada na maca, mas foi o médico começar a mexer que ela ficou quietinha, conversando. Foram quatro pontos. Perguntava se ia demorar e eu prometi aquela bala de goma que havíamos negado de manhã na padaria. E prometi pra mim mesma que vou tentar não ficar mais tão brava por besteira. E eu chorava com a cabeça virada pra trás pra ela não me ver.
E aí, depois que terminou a costura, minha pressão foi lá no pé e eu dei um trabalhinho.
Mas depois ficou tudo bem. Luísa não chorou, não reclamou. Uma coisa, essa menina linda que agora ganhará uma cicatriz no queixo.