segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Criamos os filhos do mesmo jeito?

Sempre que via dois irmãos muito diferentes, eu pensava: como é que dois filhos, criados pelo mesmo pai e pela mesma mãe, com a mesma educação, mesmos valores e mesma disciplina, saíram assim tão diferentes? "Isso é realmente o que se chama de personalidade e influência do meio", eu concluía.
Mas daí que um dia desses eu estava conversando sobre isso com mais duas pessoas e surgiu ali uma discussão muito interessante: na verdade, os pais não criam os filhos do mesmo jeito. Não é exatamente a mesma educação e ponto final.
Fiquei matutando (como assim eu crio minhas filhas de forma diferente?) e de fato vi que eles têm razão nesse raciocínio. Basta comparar o grau de cobrança e ansiedade que temos com o primeiro filho em comparação aos demais. Em geral, o primeiro filho é mais cobrado, enquanto o mais novo é criado com muito mais leveza. Imagino essa diferença com quem tem três ou quatro filhos, então. Quando pais têm um filho com algum tipo de dificuldade, tendem a protegê-lo e a cobrar paciência do outro. Ou, na outra ponta, o filho que não dá trabalho é protegido e tem sempre o que quer, enquanto o outro que dá mais trabalho é punido o tempo todo e tem menos carinho dos pais (ou de um dos pais) porque eles têm menos paciência com a criança difícil.  Como podemos saber o que essas nossas atitudes (muitas delas que julgamos pequenas ou nem percebemos) vão impactar no que eles serão e como se comportarão no futuro?
Sim, ensinamos os mesmos valores como respeito, ética, honestidade, família. Especialmente se eles vêm do exemplo, e não do discurso. Mas estou começando a me convencer de que, sim, a forma como educamos nossos filhos e  passamos cada um desses valores pode variar, sim, de filho para filho. Muitas vezes, em pequenas sutilezas.

E hoje no Mamatraca falamos sobre viajar com e sem filhos. Estou lá contando minha experiência de fazer as duas coisas. A semana toda é dedicada ao tema viagens, e tem muita coisa legal. Passa!

8 comentários:

Carol Garcia disse...

CONCORDO, RÔ.
como dizem, o segundinho herda para ele a leveza da experiência que os pais sugam do primeirinho...
judiação.
mas fato.
kkkk

bjocas

Li disse...

Concordo com você!!!
A gravidez é diferente, a forma como organizamos tudo para um e para outro (quando o primeiro e o segundo estão para nascer) é diferente!!!
Menos ansiedade, menos expectativas, mais leveza e experiência com o segundo... Tudo isso faz diferença!!!

Beijos!

Lívia.

Ronize Aline disse...

Oi, Roberta! Apesar de ter um único filho, acredito sim que quem tem mais do que um os cria de formas diferentes. Por tudo o que você disse, porque estamos em momentos diferentes de nossa vida (mesmo que não haja uma diferença muito grande entre um e outro), porque por eles serem diferentes acabam interagindo de forma diferente conosco e também porque vamos acumulando as experiências. E acho que isso torna a relação especial, única. Porque com cada um somos únicos. Beijocas.
Ronize Aline
odonodalua.ronizealine.eti.br

Celi disse...

Roberta é um desafio e tanto. Sempre me pego pensando nas exigências que faço com o mais velho. Na relação que tenho com um e com o outro. A gente vive buscando o equilíbrio, tentando transmitir os mesmos valores.
Mas assim como a Li comentou é fato que o segundo filho nós já estamos menos ansiosas e lidamos com tudo de uma maneira diferente.
Um desafio e um cuidado para sempre!
Beijos.

Lu Poggi disse...

Oi,Roberta!

Adorei seu texto. Aliás, parabéns pelo blog e pelo mamatraca!

Estou na primeira filha, mas já tenho projetos para um segundo(a). E sempre me pego pensando nessa diferença na criação deles. Pq. minha pequena está me ensinando a ser mãe, então o segundo(a) já vai pegar meio caminho andado.

Acredito que estarei bem menos ansiosa e isso deve refletir na criação deles. Fora o ciúmes da pequena, com a chegada de um irmãozinho(a), que é outra coisa que me aflige.

Vida de mãe e seus deliciosos desafios!

Bjs.

Luciana

Sergio disse...

Na minha casa nós somos em 4 meninas e SIM, minha mãe nos criou de forma completamente diferente. E eu sou bem mais nova que as outras 3, portanto na familia somos duas caçulas, mas eu acho que minha irma foi mais protegida e eu fui mais "largada". Largada no bom sentido porque a forma como fui criada me ajudou muito.
Já meus filhos, também percebo que os crio de maneira diferente e acho que é natural. Os três têm temperamentos totalmente diferente, gostam de coisas diferentes e reagem de maneira diferente em cada situação.
Como tenho consciencia de que os crio de maneira diferente eu me policio o tempo todo para não ser injusta com ninguem ou dar mais atenção para um do que para o outro.
Uma coisa que percebo em varios pais é que o filho problema acaba sendo o mais protegido, mais mimado e o que recebe mais atenção. Normalmente o filho que não dá trabalho acaba ficando "meio excluido" porque os pais não precisam se preocupar com ele.
Apesar das diferenças, acho que os valores da familia são sempre passados e os nossos filhos são o espelho mais fiel do ambiente que temos em nossa casa.
Adoro os seus posts. Eles me fazem pensar muito na educação dos meus filhos.
abraço

Mari disse...

Desculpe, eu comentei com o perfil do meu marido!!! Então não estranhe: somos 4 meninas mesmo e nenhuma se chama Sergio, rs...

Mari

Roberta Lippi disse...

Ronize, perfeito: "Porque com cada um somos únicos"

hahaha, Mari, entendi!!! E adorei a sua colocação. Adorei essa frase: "Como tenho consciencia de que os crio de maneira diferente eu me policio o tempo todo para não ser injusta com ninguem ou dar mais atenção para um do que para o outro."

O importante é prestarmos atenção e termos consciência disso, né, meninas, já é um grande passo!!!
Beijos, queridas