Sempre que via dois irmãos muito diferentes, eu pensava: como é que dois filhos, criados pelo mesmo pai e pela mesma mãe, com a mesma educação, mesmos valores e mesma disciplina, saíram assim tão diferentes? "Isso é realmente o que se chama de personalidade e influência do meio", eu concluía.
Mas daí que um dia desses eu estava conversando sobre isso com mais duas pessoas e surgiu ali uma discussão muito interessante: na verdade, os pais não criam os filhos do mesmo jeito. Não é exatamente a mesma educação e ponto final.
Fiquei matutando (como assim eu crio minhas filhas de forma diferente?) e de fato vi que eles têm razão nesse raciocínio. Basta comparar o grau de cobrança e ansiedade que temos com o primeiro filho em comparação aos demais. Em geral, o primeiro filho é mais cobrado, enquanto o mais novo é criado com muito mais leveza. Imagino essa diferença com quem tem três ou quatro filhos, então. Quando pais têm um filho com algum tipo de dificuldade, tendem a protegê-lo e a cobrar paciência do outro. Ou, na outra ponta, o filho que não dá trabalho é protegido e tem sempre o que quer, enquanto o outro que dá mais trabalho é punido o tempo todo e tem menos carinho dos pais (ou de um dos pais) porque eles têm menos paciência com a criança difícil. Como podemos saber o que essas nossas atitudes (muitas delas que julgamos pequenas ou nem percebemos) vão impactar no que eles serão e como se comportarão no futuro?
Sim, ensinamos os mesmos valores como respeito, ética, honestidade, família. Especialmente se eles vêm do exemplo, e não do discurso. Mas estou começando a me convencer de que, sim, a forma como educamos nossos filhos e passamos cada um desses valores pode variar, sim, de filho para filho. Muitas vezes, em pequenas sutilezas.
E hoje no Mamatraca falamos sobre viajar com e sem filhos. Estou lá contando minha experiência de fazer as duas coisas. A semana toda é dedicada ao tema viagens, e tem muita coisa legal. Passa lá!
8 comentários:
CONCORDO, RÔ.
como dizem, o segundinho herda para ele a leveza da experiência que os pais sugam do primeirinho...
judiação.
mas fato.
kkkk
bjocas
Concordo com você!!!
A gravidez é diferente, a forma como organizamos tudo para um e para outro (quando o primeiro e o segundo estão para nascer) é diferente!!!
Menos ansiedade, menos expectativas, mais leveza e experiência com o segundo... Tudo isso faz diferença!!!
Beijos!
Lívia.
Oi, Roberta! Apesar de ter um único filho, acredito sim que quem tem mais do que um os cria de formas diferentes. Por tudo o que você disse, porque estamos em momentos diferentes de nossa vida (mesmo que não haja uma diferença muito grande entre um e outro), porque por eles serem diferentes acabam interagindo de forma diferente conosco e também porque vamos acumulando as experiências. E acho que isso torna a relação especial, única. Porque com cada um somos únicos. Beijocas.
Ronize Aline
odonodalua.ronizealine.eti.br
Roberta é um desafio e tanto. Sempre me pego pensando nas exigências que faço com o mais velho. Na relação que tenho com um e com o outro. A gente vive buscando o equilíbrio, tentando transmitir os mesmos valores.
Mas assim como a Li comentou é fato que o segundo filho nós já estamos menos ansiosas e lidamos com tudo de uma maneira diferente.
Um desafio e um cuidado para sempre!
Beijos.
Oi,Roberta!
Adorei seu texto. Aliás, parabéns pelo blog e pelo mamatraca!
Estou na primeira filha, mas já tenho projetos para um segundo(a). E sempre me pego pensando nessa diferença na criação deles. Pq. minha pequena está me ensinando a ser mãe, então o segundo(a) já vai pegar meio caminho andado.
Acredito que estarei bem menos ansiosa e isso deve refletir na criação deles. Fora o ciúmes da pequena, com a chegada de um irmãozinho(a), que é outra coisa que me aflige.
Vida de mãe e seus deliciosos desafios!
Bjs.
Luciana
Na minha casa nós somos em 4 meninas e SIM, minha mãe nos criou de forma completamente diferente. E eu sou bem mais nova que as outras 3, portanto na familia somos duas caçulas, mas eu acho que minha irma foi mais protegida e eu fui mais "largada". Largada no bom sentido porque a forma como fui criada me ajudou muito.
Já meus filhos, também percebo que os crio de maneira diferente e acho que é natural. Os três têm temperamentos totalmente diferente, gostam de coisas diferentes e reagem de maneira diferente em cada situação.
Como tenho consciencia de que os crio de maneira diferente eu me policio o tempo todo para não ser injusta com ninguem ou dar mais atenção para um do que para o outro.
Uma coisa que percebo em varios pais é que o filho problema acaba sendo o mais protegido, mais mimado e o que recebe mais atenção. Normalmente o filho que não dá trabalho acaba ficando "meio excluido" porque os pais não precisam se preocupar com ele.
Apesar das diferenças, acho que os valores da familia são sempre passados e os nossos filhos são o espelho mais fiel do ambiente que temos em nossa casa.
Adoro os seus posts. Eles me fazem pensar muito na educação dos meus filhos.
abraço
Desculpe, eu comentei com o perfil do meu marido!!! Então não estranhe: somos 4 meninas mesmo e nenhuma se chama Sergio, rs...
Mari
Ronize, perfeito: "Porque com cada um somos únicos"
hahaha, Mari, entendi!!! E adorei a sua colocação. Adorei essa frase: "Como tenho consciencia de que os crio de maneira diferente eu me policio o tempo todo para não ser injusta com ninguem ou dar mais atenção para um do que para o outro."
O importante é prestarmos atenção e termos consciência disso, né, meninas, já é um grande passo!!!
Beijos, queridas
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