quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Morango sardento


Eu sempre tive sardas no rosto, desde pequena. Todos diziam que era um charme, mas eu não gostava muito. Nunca me esqueço do quanto me irritava com uma tia que, toda vez que me encontrava, ficava falando que ia contar minhas sardinhas.
Nos últimos anos, minhas sardas ficaram muito escuras por causa da  idade exposição ao sol e meu rosto parecia muito manchado. No começo deste ano, resolvi pela primeira vez na vida eliminá-las com um tratamento a laser. Perdi uma marca que andou comigo a vida inteira, mas ganhei um rosto mais limpo liso e uma aparência um pouquinho mais jovem (tipo fiquei uma garotinha de 18).

Estou contando isso porque Luísa ganhou de aniversário o livro "Morango Sardento", escrito pela atriz americana Julianne Moore com ilustrações da vietnamita LeUyen Pham (editora CosacNaify, com tradução no Brasil feita pela atriz Fernanda Torres). Julianne Moore escreveu esse livro baseada na sua própria história de infância. Diferentemente de mim, que só tinha sardas no rosto, ela era bem ruiva e com sardas no corpo todo, o que a fez ganhar o apelido de morango sardento na escola. Se eu me incomodava com muito menos, imagino o quanto as crianças ruivas devem se incomodar por chamarem a atenção e ganharem tantos apelidos - "arroto de Crush" era apenas um dos apelidos "carinhosos" de um amigo ruivo no colégio.
O livro trata desse assunto de uma forma muito graciosa e bem humorada. A autora conta como fez de tudo para se livrar das pintinhas (passou até suco de limão na pele) e também como lidou com a autorrejeição. O livro mostra que o fato de as pessoas brincarem com esses apelidos não significa que elas rejeitem o amigo - muito pelo contrário, trata-se apenas de uma marca como outra qualquer (não estamos falando aqui de casos de bullying, quando existe agressão, porque esse é assunto para outro post).
O livro mostra que para ser feliz é preciso se aceitar como é, seja com suas sardas e seu cabelo vermelho. E, depois que a gente cresce, isso definitivamente não importa mais. Questão de autoconfiança.


9 comentários:

Sarah disse...

Que dica legal Ro! Não conhecia, vou procurar. Criança sempre coloca apelido né, principalmente se houver alguma característica marcante. Eu usei aparelho (o chamado "freio de burro" na época, nem sei se hoje ainda existe) e vira e mexe surgia alguma piadinha. Lidar com isso faz mesmo parte da construção da auto-confiança.
bjos
Sarah
http://maedobento.blogspot.com/

Carol Garcia disse...

óóótima dica!
é sempre bom ensinar aos pequenos essa questão da autoestima, do gostar de si mesmo e respeitar as diferenças.

bjocas nas fofas

e rô... vc comc erteza está uma menina de 18 com o tratamento das sardas, mas falar "arroto de crush" entrega total a idade, hein???
hahahahahaha

Telma Maciel disse...

Muito bom! Eu gosto qndo vejo livros infantis q tratam das diferenças entre as pessoas. Tenho um sobre criança adotada e li outro de uma criança com deficiência física, ficando na cadeira de rodas. São o máximo e a gente vai trabalhando essas questões com os filhos.
Mto legal msm!
Bjs

Roberta Lippi disse...

hahahahahaha, Carol, entrega mesmo, né? não tinha reparado nesse detalhe!!! me entreguei total!!! kkkk

Renata Diniz disse...

Gostei, Roberta. Beijos!

Jussara disse...

Mesmo sem a agressão não deixo de achar que apelidos pejorativos tb são um tipo de bullying. Sempre detestei apelidos engraçadinhos e nunca chamei ninguém por apelidos desse tipo (desde pequena fui ensinada a não fazer com os outros aquilo que não gostaria que fizessem comigo).
Nos aceitar como somos, aceitar as nossas diferenças, tudo bem, mas aceitar apelido chato de escola, não. Mesmo não sendo uma rejeição, mas uma brincadeira, acho super desagradável.

Quanto ao limão, é provado que ele tira mesmo manchas, mas tem-se que tomar um cuidado imenso com o sol (tudo que tira manchas tb as provoca).

BTW, acho lindo o cabelo das ruivas. Meu sonho era ser ruiva...

Camila disse...

Adorei saber que o livro rendeu tudo isso, Rô! Legal mesmo! Mas, olha, acho que ter sardinhas é o maior charme, sabia?!
Bjos,
Camila
www.mamaetaocupada.com.br

Fabiana Alvim disse...

A Júlia ganhou esse livro no último natal e eu também ADORO ele!! As ilustrações são muito legais!

Rede Brito disse...

Este lindo é muito legal, assim como tantos outros títulos que ensinam como as diferenças são saudáveis e como lidar com elas. Minha filhinha ganhou um desses com menos de 2 anos. Para minha surpresa, quase dois anos depois, ele continua novinho, mesmo sendo um dos que ela gosta mais de ouvir e ver a história. Saber que podemos contribuir para geração de pessoas conscientes é muito bom. Hoje me dia, com tantas possibilidades de informação, só permanece na escuridão do preconceito e da ignorância quem quer. Abraços!!!!!