quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sobre crianças e o racismo

De vez em quando é bom a gente tomar um chacoalhão para prestar mais atenção em algumas coisas. O racismo, por exemplo.
Dêem uma olhada nesse vídeo que vi aqui. Está em inglês com legendas em francês, mas é bem fácil de compreender a mensagem.
Fiquei pensando: falamos tanto em diversidade e na importância de que nossos filhos não diferenciem pessoas por raça, credo, religião ou condição social. Mas será que elas convivem com essa diversidade no seu dia-a-dia? Será que estamos fazendo direito o nosso papel nesse sentido? Quantas crianças negras existem na sala de aula ou na escola do seu filho? Quais são os exemplos que elas vêem na TV?
Eu procuro mostrar a diversidade como algo normal por meio dos livros, dos vídeos, das bonecas, do respeito às pessoas que trabalham conosco, além de frequentarem a nossa casa amigos negros e cadeirantes. Mas ainda me questiono se isso tudo é suficiente. Apesar de ser uma escola super bacana a que a Luísa estuda, não vejo crianças negras por lá. Apenas funcionárias.
Vale a reflexão. Será que as próximas gerações serão melhores que a nossa nesse sentido?


PS. O site da N Magazine, onde vi esse vídeo, também me apresentou esse ateliê incrível que faz bonecas com diferentes etnias , a Preta Pretinha. Vale conhecer.

17 comentários:

Carol Garcia disse...

triste ro...
triste triste triste.
primeiro pq o video é de cortar o coração. como é que essas crianças vivem a vida? elas sentem preconceito e depois assumem que a boneca feia é a que se parece com elas.
e nós?
vivo refletindo sobre isso.
me empenho em deixar os preconceitos de lado.
mas como vc disse, a escola que escolhi pro isaac não tem muitos alunos negros. na sala dele não tem nenhum.
e imagino que em todas as outras escolas que eu escolheria pra ele também aconteça isso.

ótimo post
bjocas nas fofoilas

Dani disse...

Roberta, acabei de assistir o vídeo e, tá...tô chorando! É muito triste ver crianças tão, tão pequenininhas com esse preconceito tão interiorizado!

Tenho avós negros e apenas um dos meus tios nasceu como eles. Não tive esse preconceito durante a vida...e me empenho muito em mostrar aos meus filhos (brancos) que as pessoas são iguais independente de cor. Agora, deveria ser necessário o mesmo empenho dos pais negros mostrarem ao filho o orgulho de serem como são.
É fácil? NÃO! Carregam séculos de dor...mas torço muito para que consigam superá-la.
Só assim exterminaremos o preconceito de ambos os lados.

Valeu o convite à reflexão.
Beijo

disse...

Eu nao vi o video pq eu tenho certeza que vou chorar e and tão fragil que nao posso rsrs. Bem, sou negra, filha de pais negros e casada com um homem branco e dessa união nasceu a mulata Maria ìsis, que na certidão de nascimento consta como parda... Até ai tudo bem, mas o que eu queria dizer é que minha filha graças a Deus convive bem com todas as diferenças. Ela tem umas bonecas negras que ela chama de "Mamaezinha pequenininha", tem amiguinhos e amiguinhas negros como eu na escola e pra ela, tanto faz. com relação aos cadeirantes, ela nunca tinha vsto um t~e perto até que no aeroporto semana passada, ela viu uma menininha da idade dela na cadeira de rodas e saiu louca perguntando pro pai da menina pq ela nao podia andar. Perguntou um zilhao de coisas e o coitado já roxo de vergonha ai eu intervir e disse: filha, ela é exatamente como vc, tem amigos, estuda mas na hora de andar, precisa da cadeira para ajudar. Ai ela muito esperta disse: mamãe, igual ao meu carrinho né?
Beijocs nas pequeninas Roberta!

Paloma, a mãe disse...

Pois é, é com o exemplo que eles aprendem e com a convivência. não adianta ter só o discurso pra-frentex, tem que conviver com diferentes etnias.
Neste ponto, estou muito feliz com a convivênvcia que a escola pública proporciona à Ciça.
Adoro o Preta Pretinha, tem bonecas lindas lá, um ótimo lugar para se passear na Vila.
Beijos

Dani disse...

Triste mesmo. As carinhas das crianças no vídeo, puxa, é de cortar o coração...
Marcante.
Beijo
Dani

Paula disse...

Uma atividade realizada em turminhas da educação infantil (em diversos anos) consistia em cada criança escolher uma foto em revistas de uma mulher que parecesse a própria mãe. Segundo relato da pedagoga da escola (minha irmã), crianças negras nunca escolhem fotos de mulheres da mesma etnia, enquanto as escolhas das demais crianças apresentam coerência nas semelhanças. Esse assunto preocupa também aos educadores, e nós, mães e pais, podemos (e devemos) buscar essa parceria escola-família na construção da identidade e do respeito às diferenças.

Roberta Lippi disse...

Interessante, Paula, essa atividade que você mencionou. Interessante e preocupante. Desafio e tanto a ser superado por todos nós.

Cin disse...

Olá Roberta acompanho o seu blog e acho muito interessante. Fiz um blog tbém recentemente, pois como mãe de um casalzinho lindo sou apaixoanada por essa coisa louca e mágica que é a maternidade. Gostaria de convidá-la para conhecer meu blog o qual irei tratar de diversos assuntos ligados ao universo infantil. Se puder deixar sua opinião será de grande peso pra mim. Bjao!
O end é:http://maenualdeinstrucoes.blogspot.com

Mari Hart disse...

Não vi o vídeo, mas adorei a reflexão! Aqui convivemos com as diferenças desde o berço, o exemplo é o irmão gêmeo cadeirante. Mesma cara, mas tão diferentes. Na sala do Pedro(acho que por ser uma escola billingue) tem gringos, negros, loiros, criança de todo tipo e foi o que me chmaou atenção logo que o matriculei lá. Minha filha estuda em um colégio federal que tem a crianca da favela e a criança da cobertura em frente a praia. Lá dentro são todos iguais e a começar pelo uniforme que não pode ser diferente rigorosamente.

Bjão querida!

Mariana - viciados em colo disse...

esta é uma questão séria e preocupante.

é um racismo "de berço"! se as meninas negras vêem as bonecas pretas como más, como será que se enxergam: como más? ou como brancas? sinceramente não sei o que é pior!

na semana passada participei de uma reunião com o movimento negro e saí de lá arrasada por conta dos relatos e dos absurdos. o racismo é um assunto que me incomoda muito, principalmente porque moro numa cidade onde existem 18% de brancos e mesmo assim os negros são tratados como "minoria", como segmento...

triste!

Carina Ferreira disse...

Como não chorar com um vídeo desse. Espero que sim Roberta, que a geração da minha filha seja melhor. Esse papel cabe a nós pais e educadores.É muito triste ver ainda nos nossos dias essa desigualdade.

Anne disse...

amei q vc levantou o tema
odiei que temos q refletir sobre ele
o video me partiu ao meio

Funny Paper disse...

Roberta, que post pertinente e o vídeo, nem se fala... se seus filhos brancos não convivem com crianças negras,como vão saber que são todos iguais?? Não adianta só falar, tem que estar junto, sociabilizar para que esse horror não perdure!

Sil

Sabrina Ândrea disse...

Este vídeo me choca... eu cinceramente nunca imaginaria isso, isso me parte o coração, as crianças escolhem as bonequinhas brancas, mas com carinhas confusas e tristes... isso é terrível... Queria tanto que fosse diferente... eu não consigo ver diferenças entre nós seres humanos, sempre convivi e cresci entre negros, pardos, bugres e meio-índios... sempre brinquei e amei cada um , tudo muito naturalmente e sem esta percepção aguçada das "cores".
Somos todos um povo, filhos do mesmo Deus !!!

Abraços !!! Lindo blog !

Marielli disse...

Chorei.
Por que as coisas não podem ser, simplesmente, naturais? Por que é preciso ensinar sobre preconceito? Por que cuidamos cada vez mais como falamos e o que falamos com medo de estarmos parecendo preconceituosos, mesmo sabendo que não somos?

Tathyana disse...

É um problema multifatorial, multicultural. Nós temos uma bagagem racista, segregadora e lidar com isso pra muitas pessoas não é fácil. Em relação à essas crianças, elas crescem com o conceito de que o branco é bonito, é legal, é bom. Isso passa na mídia o tempo todo, é esfregado na nossa cara da mesma forma que ser magro é que é legal e ser gordo é ser preguiçoso. É um problema de identidade. Eu tive alguns problemas com Alice em relação á isso. Ela tinha dificuldade e ainda tem um pouco em ligar com pessoas negras. Ela falava que não queria tomar sol pra não ficar morena, que não queria beijar a professora do ano passado para não ficar morena. Minha filha não é racista por isso, ela não consegui lidar com essa diferença de cor. Meu pai é mulato e ela falava pra ele que gostava dele só um pouco, queria que ele fosse rosa. Trabalhamos muito em casa com ela, na escola com uma coleguinha negra que ela gostava e fomos mostrando que as pessoas são diferentes e que são bonitas assim. Mostrei pra ela crianças japonesas, ruivas e com o tempo esse estranhamento foi passando. Mas ela sofreu preconceito dessa professora que achava que ela era racista, que nós éramos racistas. Quando eu conheci a professora e vi que ela era negra, me senti super feliz em poder trabalhar isso com Alice, mas infelizmente a professora não soube lidar com a situação e segregou a minha filha em alguns momentos. Mas felizmente e infelizmente eu só soube disso quando ela não estudava mais nessa escola. Muito bom o post.

Bjs.

Cibele Raiado disse...

Olá, Roberta

Conheci seu site hoje e vejo que terei muitas matérias interessantes para ler. Parabéns!

Também sou mãe e apaixonada por assuntos relacionados às crianças e seu desenvolvimento psicológico.

No que se refere às diferenças, primeiramente precisamos cultivar o amor em nosso próprio coração. A partir daí, automaticamente será repassado aos nossos pequenos, não é? Falo muito sobre Deus e o que é a beleza para ele. Costumo explicar que cada pessoa é de um jeito e que todos são especiais para o Papai do Céu, etc.

Abraços,
Cibele Raiado