Há tempos que estamos tentando reduzir o uso da chupeta da Luísa. Já havíamos conseguido há uns dois meses tirar o uso durante o dia, porque desde que eu engravidei ela grudou na dita cuja de um jeito absurdo. Estava, então, usando só pra dormir. No Natal do ano passado ela havia prometido entregar para o Papai Noel, mas na hora ela não quis e nós respeitamos. Mas já há algum tempo ela vinha falando que, no dia do aniversário dela, ela entregaria de vez para a Branca de Neve (que seria o tema da festinha).
Mas não forçamos nada, até porque a pediatra disse que agora, com o nascimento da Rafaela muito próximo, não é o momento de tirarmos a chupeta dela.
Mas sei que chegou o dia da festa e ela estava empolgada dizendo que iria entregar pra "Banca di Eve". Ainda mais que ela viria pessoalmente graças ao teatro que contratamos. E eu prometi que a Branca de Neve entregaria pra ela a bolsinha de brilho que ela tanto queria (depois conto a história dessa bolsinha). Em tese não era pra ser uma troca, mas acabou naturalmente sendo.
Na hora do teatro, a Branca de Neve (linda, por sinal) apareceu na festa com a bolsinha "ósa de bilho" na mão e entregou pra Luísa. Na mesma hora ela pediu a chupeta para o pai e entregou prontamente a chupeta pra
Banca di Eve. Foi um momento marcante e eu não me aguentei. Eu chorei, minha mãe e minha irmã choraram, a babá chorou, todo mundo ficou achando a coisa mais linda do mundo.
E ela contando pra todo mundo, orgulhosa, que era "gande" e que não chuparia mais chupeta nem pra dormir a partir de agora. E assim decorreu-se o dia, a festa foi ótima e blablabla.
Mas quando chegou a hora de dormir começou a choradeira.
-
Eu quero a minha chupeeeta... Mamãe, liga pra Banca di Eve e pede pra ela minha chupeta!!
E chorava, e chorava, e se contorcia na cama, nada de dormir. E eu, depois de uma tarde inteira em pé com aquele barrigão, morta de cansaço, ainda tinha que administrar esse assunto nada leve (até porque, nessas horas, ela só quer a mãe, não adianta). Depois de um tempo, decidimos levá-la pra dormir no meu quarto, já que tratava-se de um momento especial.
E assim foi. Demorou mais um pouco, mas ela dormiu.
Durante a madrugada, um baita susto pra ajudar. Ela chora pedindo a fralda pra limpar o nariz e, quando eu olho, ela com o rosto todo ensanguentado. Meu travesseiro ensopado de sangue. Pulamos da cama de susto. Era o nariz, provavelmente por causa do ar seco. Mas sei lá, parecia que tinha algo a ver com toda aquela tensão. Limpei o rosto dela, escondi o sangue pra ela não se assustar mais e voltamos a dormir porque o sangue logo se estancou.
De manhã, mesma coisa. Acorda chorando e pedindo a chupeta:
- Mamãaae, liga pra Banca di Eve, pu favor, eu quero minha chupeta!!!
E eu e o marido ali, em frangalhos, tentando segurar a onda e distrai-la. Já que a iniciativa havia partido dela, resolvemos segurar um pouco a onda já que toda transição sempre vem acompanhada de momentos de recaída. Falei pra ela que se a Branca de Neve trouxesse a chupeta, ela levaria de volta a bolsa de brilho, então ela falou que estava tudo bem e que não iria mais pedir.
Perto da hora do almoço, quando bate aquele sono habitual, de novo a choradeira.
Mas dessa vez foi muito cruel. Ela pegou a bolsinha rosa que estava pendurada no carrinho da boneca, me deu e falou que não queria mais a bolsinha. Que queria a chupeta e que era pra ligar pra
Banca di Eve.
Meu Deus, acho que meu coração nunca doeu tanto. E olha que sempre fui forte com essas coisas. Tive que entrar no escritório e desabei a chorar. Eu estava um trapo e não estava aguentando mais ver aquele sofrimento. E eu também, nessa altura da gravidez, também sabia que não poderia passar por esse tipo de estresse.
Sei que, depois dessa, decidimos "ligar" pra Branca de Neve e pedir de volta a chupeta da Luísa (por precaução, havíamos guardado). Ela trouxe a chupeta e levou a bolsinha rosa com ela.
Também fiquei agoniada em tomar de volta a bolsinha, sem saber se estávamos fazendo certo ou não, já que não era pra ser uma troca. Achamos que seria importante pra ela entender a questão da troca, da consequência. Mas já encontramos a solução: a Rafaela vai trazer de presente pra irmã uma bolsa de brilho "igualzinha" quando nascer.
E estamos resolvidos. Quando ela estiver preparada, ela entrega a chupeta e pronto.