terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mais sobre a história da água com glicose

Vocês não têm ideia do barulho que causou aquele meu post sobre a água com glicose na maternidade. Além de ter sido o recorde de comentários aqui no blog para um post que não envolvia prêmios, a movimentação que iniciei junto ao hospital está rendendo frutos até agora.
Para vocês terem uma ideia, a última é que fui chamada pelo diretor clínico do hospital para uma conversa na semana passada, da qual também participaram três outras pessoas, responsáveis pela maternidade, pela enfermagem e não me lembro a terceira.
Em resumo, o hospital entendeu a minha manifestação como um problema sério a ser resolvido internamente e, segundo fui informada, alterou alguns dos procedimentos adotados até então.
1. A questão dos pediatras prescreverem água com glicose (AG) e NAN para todos os bebês, situação que deixava a critério das enfermeiras aplicar ou não o procedimento. Segundo a diretoria do hospital, isso era adotado para agilizar os processos quando havia necessidade de aplicação (para que as enfermeiras não tivessem que percorrer o hospital atrás do pediatra de plantão). Mas perceberam, com a minha manifestação e o efeito que causou (eles leram o post do blog e os comentários), que esse procedimento dava margem a diferentes interpretações das enfermeiras sobre qual era a real necessidade do bebê. Agora, as prescrições só podem acontecer caso a caso.
2. Postura da enfermagem: identificaram também que havia questões de postura a serem tratadas, já que, por uma questão ética, uma enfermeira jamais poderia ter mostrado o prontuário de outros bebês para explicar à mãe que o procedimento AG estava prescrito para todos os recém-nascidos daquela ala do berçário. A enfermeira também deveria ter explicado à mãe qual era o motivo de ela estar dando água com glicose quando foi questionada, e não apenas responder que aquilo era procedimento padrão do hospital - porque de fato não era a orientação geral. O case será inclusive abordado no encontro interno de enfermagem que acontece nas próximas semanas, se não me engano.
3. Uso de pulseira, anel e unha pintada. O fato, para mim, foi o menos importante entre os demais porque me pareceu claro que foi uma questão pontual e que a reclamação bastaria para que a enfermeira fosse advertida pela chefia. Afinal, isso claramente não é uma postura aceitável num berçário neonatal e nenhuma outra enfermeira que eu vi por lá usava tais apetrechos. Mas, dentro de um hospital, essa questão é super importante e foi tratada com rigor (segundo fui informada) pela chefia da enfermagem, por meio de advertência à enfermeira em questão e reforço de comunicado à toda a equipe.
4. As divergências entre discurso e prática - médicos X enfermagem. Esse, como se sabe, é um problema antigo enfrentado por qualquer hospital, por mais que se façam treinamentos e treinamentos para unificação de padrões e discursos. Existem sempre os profissionais mais antigos que resistem a mudanças de orientação e, muitas vezes, falam coisas diferentes a um mesmo paciente. Esse é um problema que não é fácil de ser resolvido mas, segundo o diretor do hospital, tem havido um grande esforço para que seja minimizado.
5. O berçário e o alojamento conjunto. Quando eu tive a Luísa, há três anos, os bebês recém-nascidos passavam muito mais tempo no berçário da maternidade do que hoje. Mas há dois anos eles mudaram a prática e os bebês agora ficam 90% do tempo dentro do quarto. Fico imaginando o que não era feito antes...
O fato é que, depois de tudo isso, me senti mais confortável em ter minha segunda filha nessa maternidade (onde a Luísa também nasceu). Apesar do problema ocorrido e da insegurança que me causou, senti que existe, sim, uma preocupação em humanizar cada vez mais o trabalho daquele hospital. Isso ficou claro pela atenção imediata que recebi. Lógico que o fato de eu ser blogueira e jornalista teve impacto nessa rápida resposta. Mas vale ressaltar que em nenhum momento mencionei, por exemplo, o nome dos veículos de peso para os quais colaboro. Entrei apenas como jornalista que tem um blog sobre maternidade, o que em tese não seria suficiente para causar tanta movimentação assim se eles não estivessem nem aí. Desde a primeira manifestação, que fiz via assessoria de imprensa, recebi vários contatos de profissionais do hospital preocupados em me explicar a situação. Até que eles chegaram à conclusão de que realmente havia falhas relevantes por parte da maternidade que deveriam ser tratadas imediatamente.
Além disso, minha amiga, a mesma da história da água com glicose, está sendo super bem orientada pelo grupo de aleitamento materno da maternidade e foi, inclusive, chamada a dar depoimento no evento da enfermagem sobre o caso.
Fico feliz em ver que isso tudo serviu para melhorar o atendimento de uma maternidade e também serviu para que nós, mães e pais, estejamos atentos ao que estão fazendo com nossos filhos nos hospitais. Se não questionarmos e reclamarmos, nada vai mudar.
Agora é lógico que vou ficar de olhos mais do que abertos e em breve terei a possibilidade de contar, por experiência, se tudo mudou mesmo ou se foi apenas blablabla.

22 comentários:

mariana disse...

muito bom saber o resultado do post, mais ainda em saber que nós (meras mães blogueiras) ainda podemos mudar alguma coisa no mundo....
beijo no coração.
mariana

Tchella disse...

show um retorno dessa altura!! muito bom!

Anna disse...

clap clap clap

Fico muitíssimo feliz com o resultado e é muito legal ver esse "trabalho de formiguinha" surtindo efeito.

Isso só pra dar uma idéia da força que essa blogosfera tem.

Parabéns pelo trabalho, Roberta.

E parabéns à maternidade, que atenta aos erros, está empenhada em oferecer um tratamento mais humanizado. Se em todo lugar fosse assim...

beijos

disse...

Bom, agora é só esperar pra saber se realmente as providências estão sendo tomadas. Só é triste saber que tais esclarecimentos e medidas cabíveis só foram tomadas pelo fato do acontecido ter se tornado público, ameaçando o nome do hospital, mesmo nao citado. Ou será que o mesmo teria acontecido com uma simples reclamação na ouvidoria do mesmo hospital?

Renata disse...

NOssa, Ro, que bacana! Parabéns, mais uma vez, pela iniciativa. Bom demais sentir que fez a diferença, ainda mais em um assunto tão importante!
Parabéns!
beijos

Vanessa Datrino disse...

Olá!
Encontrei vc na net e gostaria de te convidar pra conhecer meu trabalho!
Ficarei muito feliz com sua visitinha!
Bjinhos,
Vanessa Datrino
www.datrinodesign.blogspot.com

Milla Muglia disse...

Muito bom!!!! Grande incentivo pra todos que presenciam qualquer coisa estranha!!!
Abraços e parabéns!

Micheli disse...

Que ótimo!
O resultado da reclamação não poderia ser melhor, hein?
Um beijo.
http://tagarelicesepensamentos.blogspot.com/

Paloma, a mãe disse...

Rô, parabéns pela sua iniciativa. Não pelo retorno do hospital (eles não fizeram mais que a obrigação, né?), mas por alertas às mães sobre a gravidade do problema. E que fique o alerta para todas as mães: exijam alojamento conjunto; é um absurdo separar o bebê da mãe sem razão. Paea mim, só uma UTI justifica a separação.
Beijos

Camila disse...

Rô, parabéns por todas as suas atitudes, manifestações e esclarecimentos sobre o assunto. Tudo muito útil e importante para todos. Os blogs servem pra isso tbem, né?! Gostei!
Bjos,
Camila
www.mamaetaocupada.blogspot.com

Sol disse...

Oi Roberta. Há bastante tempo acompanho o seu blog, mas hoje resolvi comentar, para parabenizar pela postura diante do ocorrido no hospital. Abraço!

Renata disse...

Olá,
é a primeira vez que visito o seu blog, eu queria saber mais sobre esta historia da agua com glicose e de receitar o leite nan no hospital.onde posso ler ?

Dani disse...

Ro, que legal essa repercussão. E também tenho que te agradecer no plano pessoal: graças ao alerta do teu post, uma das primeiras coisas que fiz quando a Helena nasceu foi falar com o pediatra que a recebeu - ainda na sala de parto - sobre a prescrição. E qd fomos para o quarto, fui até o berçario e pedi para ver a prescrição dela. Ela não recebeu uma gota de nada que não o meu leite desde que nasceu.
E tenho que te agradecer por isso.
Beijos e tenho certeza que com a Rafaela vai ser igual

Sabrina, futura mamãe da Maria Cecília disse...

Oi Roberta!
Que ótimo que , com apenas um post, você tenha conseguido toda essa movimentação a respeito do assunto.
Hoje eu visitei a maternidade onde terei minha filha, e fui avisada da possibilidade do 'complemento' da alimentação com NAN durante a noite.Isso foi deixado claro, e caso a mãe não queira que seja oferecido ao RN, é orientado que fique com o bebê durante a madrugada para as mamadas.
Achei válido que tenha sido aberta essa possiblidade, pois caso eu tenha uma Cesárea e não consiga ficar com ela durante a noite,ou não consiga amamentar por qualquer motivo (tomara que isso não ocorra) já sei que haverá o complemento com NAN.O que acho errado é NÃO AVISAR, e criar uma 'falsa impressão' sobre o comportamento do bebê...que não chora pois estã 'calminho'.
O importante SEMPRE É INFORMAÇÃO.
Na dúvida, questionar é fundamental!!!
Obrigada !!

Thais Bessa disse...

Oi Roberta, sempre acompanho seu blog, mas nunca comento. Citei seu post anterior sobre a lembrancinha no meu blog, espero que não se importe. Se você quiser, retiro.

Ah, parabéns por ter levado a sério esse tema do hospital, com certeza vai ajudar muitas mães que muitas vezes se calam.

Bjos

Carol Garcia disse...

Oi Rô,
super útil e esclarecedor esse post.
fico aqui imaginando como é que é na maternidade onde o isaac nasceu, mas agora é tomar cuidado no segundinho...
kkkk
que só vem ano que vem, tá? já adianto...
bjo bjo bjo

Adriana Stock disse...

Parabéns, Rô. É a força das mães e pais blogueiros. Quando tive a Paola e o Diego aqui nos Estados Unidos, fiquei com os dois no quarto na maior parte do tempo. Eles só iam no berçário quando precisavam fazer exames e o Moa ia junto. Eu também deixei claro que não queria que dessem mamadeira ou bico.

Maíra Azevedo disse...

Oi Roberta,
Bacana o fato da maternidade ter tomado a atitude de reconhecer seus erros e sentar contigo para falar das mudanças. E por terem tomado tal atitude com o intuito de melhorar, acho que você poderia dizer de qual maternidade está falando. Ou eles te pediram que n ão mencionasse o nome?
Bjs,

Depois dos 25, mas antes do 40! disse...

Adorei o blog! Não sou mãe, mas quem sabe um dia?

Beijos

Mari disse...

Oi Roberta!
Que maravilha! Mais uma vez parabéns pelo post anterior, onde vc contou o ocorrido. Muito bom o retorno do hospital! Eu ia mesmo perguntar se vc teria a Rafaela lá, mas vc já disse e com certeza será uma ótima oportunidade para vc "testar" o que eles prometeram. Claro que com essa repercussão toda, o atendimento para você com certeza será diferenciado, mas é muito importante que eles saibam (recadinho direto já que leram os comentários do outro post e devem ler deste tbém), que quem acompanha o teu blog e é de SP sabe de qual hospital estamos falando e com os meios atuais notícias como essas espalham-se rapidamente e podem trazer muita dor de cabeça.
Beijos

Letícia Volponi disse...

Rô, parabéns pela iniciativa...

Maíra Azevedo disse...

Oi Roberta,
Pelos seus posts anteriores, vi que a Luísa nasceu no São Luiz, então... Estou chocada, triste, chateada mesmo. Minha filha nasceu nessa mesma maternidade e só de pensar que ela pode ter tomado água com glicose ou Nan me deixa enfurecida! E o pior é que só agora que eu me dei conta que só aparecia enfermeira à noite pra me dar remédio e nunca pra trazer a minha filha pra mamar. E olha que ela mamou super bem desde o primeiro. Pra quem fez questão de amamentar exclusivamente no peito até o seis meses e que deu de mamar até quase 1 ano, uma notícia como essa é muito triste... Pra que então eles têm um grupo de amamentação nessa maternidade??? Tô pensando em mudar de maternidade quando for ter o meu segundo filho. A não ser que essas mudanças sejam reais.
Bjs e obrigada por ter escrito sobre esse assunto!

Maíra Azevedo (tardelliazevedo@hotmail.com)