segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sobre a conversa na escola

Resolvi, na semana passada, conversar lá na escola da Luísa (o motivo foi explicado nesse post aqui). Para entender duas coisas: se ela tinha mudado o comportamento dela por lá também e como eu poderia lidar com essas questões. Foi a melhor coisa que fiz.
Na conversa com a professora, nada de estranho. Ela me disse que a Luísa não mudou absolutamente nada e que ela é tida como um exemplo na classe, super obediente, tranquila e amiga das outras crianças. Ela também disse que a turminha é muito sossegada e que eles são muito bebezões, mesmo os meninos. Mas a professora já me alertou: "essas reações dela certamente têm ligação com a sua gravidez e pode ser que ainda piorem".
Então fui falar com a dona da perua/van. Ela também me disse que não tinha percebido nada de diferente, e que a Luísa ia sempre sentadinha com um amiguinho da classe dela que é, inclusive, mais novo. Mas ali já começaram a clarear as coisas. Enquanto ela falava que nunca as crianças se agrediam verbalmente ou fisicamente lá dentro, ela disse que a única coisa que acontecia era que os meninos um pouco mais velhos (na faixa dos 4 anos) levam brinquedinhos para se distrair. E já notaram as falas de dois moleques com seus homenzinhos e dragões brincando entre si? "Ah, vou te matar, paft, puft, seu isso, seu aquilo..."
Bom, então fui lá falar com a diretora. E foi ali que as coisas realmente clarearam na minha cabeça.
1. A minha gravidez. De fato, quando comecei a pensar, reparei que os momentos mais agressivos nas birras da Luísa (falando coisas do tipo: "sai daqui", "não quero você", "vou bater na sua cara" etc) nunca eram comigo. Ela está absolutamente grudada e carinhosa comigo, e acaba reagindo assim com outras pessoas justamente porque quer que eu faça tudo pra ela: dar banho, brincar, dar comida, ficar o tempo todo.
A diretora disse que a gravidez é uma questão muito abstrata pra ela ainda e que, por mais que ela aparentemente reaja bem, ela inconscientemente se aproxima mais da mãe. Segundo ela, isso tende a se acalmar quando a Rafaela nascer e pode voltar a complicar mais pra frente, quando começar a surgir efetivamente o ciúme normal entre irmãos.
2. A quebra constante de rotina. Este foi um ano particularmente cheio de novidades pra todos em casa, e ainda mais pra Luísa. Mudança de apto no fim do ano, minha segunda gravidez, início dela na escola. Depois, mais recentemente, uma semana de férias em família. Logo na semana seguinte viajei sozinha para Nova York, uma viagem que não era esperada mas que era importante pra mim profissionalmente - e ela, com isso, também começou a ir de perua sozinha pra escola. Durante minha ausência
(e também do pai, que teve que viajar a trabalho naquela semana também), ela ficou com a babá e com os avós paternos, com os quais ela não tem tanta intimidade, apesar de gostar muito deles. Daí eu voltei, com milhares de coisas pra fazer, entre elas matérias para entregar e o início de dois cursos que me fizeram passar um tempo fora de casa - e dar pouca atenção pra ela. Isoladamente, ela lidou bem com todas essas questões. Mas, de fato, são muitas mudanças juntas.
3. As férias da babá. Para ajudar, a babá dela saiu de férias por 15 dias assim que eu voltei de viagem. E no lugar dela ficou uma moça, sobrinha da minha babá, que foi ótima, mas não era a pessoa com quem ela estava acostumada. Esta só voltou hoje, para alegria geral da nação.
4. A Luísa está crescendo e, por mais que a gente perceba isso todos os dias, há algumas mudanças de comportamento que, mergulhadas no dia-a-dia, às vezes temos dificuldade de nos distanciarmos para entender. A diretora foi quem me alertou pra isso: "Agora, com a escola, a Luísa está em contato com um novo mundo e traz esses elementos para a realidade dela. Ela pode ter ouvido esses termos mais agressivos vendo a luta de bonecos de outros meninos e transportou para a realidade dela em um momento em que ela queria de fato agredir. Mas, se ela percebe que a reação de vocês é negativa, ela não vai mais repetir. Esta é uma fase de mudança de comportamento da criança, que agora expressa de outras formas as suas angústias e frustrações."
Enfim, sei que depois de amarrar todas essas coisas, comecei a entender melhor a minha filha. Para ajudar, ela não teve mais aquelas birras horríveis - acho que justamente porque a vida começou a voltar ao normal por aqui.
Vou continuar atenta ao comportamento dela e ser firme quando for necessário, mas vou dar mais foco a essa fase incrível, divertida e deliciosa que ela está passando.

14 comentários:

Camila Bandeira disse...

Oi Roberta, a Gabriela também passou por tudo isso: quando ela entrou no colégio eu tinha acabado de engravidar e um mês depois a babá dela saiu. Então foi um período conturbado, ela também ficou como a Luísa. Minha solução foi a mesma sua: tentar entender minha filha com a grande ajuda da escola. Nisso eles foram fundamentais. Boa sorte!

Patricia disse...

Roberta,
o melhor de tudo para a Luísa é ter uma mãe assim, preocupada, ligada, que não deixa passar nada batido. Na minha modestíssima opinião, a gravidez deve ser o que mais a tem afetado. Talvez falar menos da irmã possa ajudar. Para crianças, a dimensão do tempo é muito diferente e, talvez, 9 meses seja tempo demais para ela esperar para ver o que é ter um irmão.
E, certeza que essas palavras mais rudes são aprendidas com os garotos, que desde cedo se acostumam com jogos e desenhos mais violentos.
um beijo

Roberta disse...

A diretora também disse isso, Patrícia, que é bom não exagerarmos em falar da Rafaela o tempo todo justamente por conta dessa abstração. Eu já procurava me policiar quanto a isso, sim, mas passamos a tomar ainda mais cuidado.

Di disse...

Eu li uma materia uns dias atrás que você deve sempre procurar ser objetivo com as crianças. Evitar falar de coisas que, de fato, elas não tem muito interesse em saber, e quando sugir o interesse, ser claro, mas sucinto. Acompanhei o seu post, e ficuqei feliz de ver a sua ação, reação, ao comportamento da Luisa. Trabalhei em escola e sei o quanto é dificil pra uma mãe pensar ou aceitar que a mudança de comportamento dos filhos pode de fato ter mais a ver com mudanças em casa do que de fato, coisas externas ao dia dia familiar. Adorei a atitude, fique sempre atenta sim, procure ouvir muito a Luisa, e quando ela perguntar da Rafaela, converse e conte as coisas que ela perguntar. Conforme for se aproximando a chegada, ela vai ir ficando mais curiosa por causa das comprase mudanças na casa e quarto, etc e com isso, e deixando-a se quiser participar disso, ela vai se adaptar mais facil e entender melhor o que esta acontecendo.

Uma dica que meus pais me deram foi, nos ultimos 2 meses antes do meu nascimento, meu pai passou a assumir o papel de "aquele que acode", respondendo aos chamados e pedidos da minha irmã, mesmo quando ela chamava por minha mãe, e explicando pra ele aos poucos por que disso. Afinal, você não vai poder tirar uma do peito pra acudir a outra que teve alguma dificuldade com um brinquedo por exemplo...

piscardeolhos disse...

Mandou muito bem, Rô, parabéns pela atitude!

Quanto ao linguajar dos meninos e esses joguinhos mequetrefes, vou te dizer, hein? Me dá uma certa raivinha, na boa.

Renata disse...

Oi Ro, muito legal vc ter ido conversar na escola pra tentar entendê-la melhor. Posso te contar a minha experiência recente, que é muito parecida com a sua: mudamos de casa, André começou a escola e a minha gravidez - tudo ao mesmo tempo. Ele ficou birrento que só...dava gritos e batia a cabeça no chão, coisa que nunca havia feito antes. Ficou um super grude comigo, tanto que eu com barrigão de 9 meses que tinha que ma abaixar pra dar banho e fazer absolutamente TUDO. Então a Nana nasceu e ele voltou a ser exatamente como antes: doce, carinhoso e desgrudou de mim. Eu achei que ele morreria de ciúmes, pq estava super grudado comigo e de repente veria a Nana grudada em mim, mamando no meu peito, mas não aconteceu nada disso. Ele está um doce, super apaixonado por ela, quer fazer carinho, pegar no colo, ajudar a trocar fralda...um fofo. Dizem que o ciúme começa por volta de uns 6 meses, que é quando ele percebe que ela não vai mesmo embora e quando ela passa a ficar mais engraçadinha e chamar a atenção. Vamos ver!
E nós só começamos a falar da irmã quando estava próximo do nascimento, pra ele ir acostumando com a idéia. Então dissemos que ela traria um presente e ele conversava com a barriga pedindo a furadeira...rs!
Nossa, me empolguei!
Boa sorte aí com a princesa!
beijinhos, Re

Marina disse...

roberta, fiquei feliz com a noticia. uma beijoca em vcs duas

Mãe da Ana Luiza disse...

Olá Roberta! Acabei de chegar aqui no seu blog...
Vou acompanhar, ok?!

Sou mãe da Ana Luiza (2a2m) e dia desses ela veio com umas atitudes bem estranhas de comportamento, também conversei na escola, mas as profes disseram que nada tinha mudado, que ela continuava carinhosa com todos. Daí, lembrei daquela fase (Terrible Twos) e identifiquei alguns sinais. Por sorte, as birras passaram e tudo se acalmou.

Beijos, Fá!

Dani disse...

Fico feliz em saber que as coisas estão se resolvendo! Parabéns pela iniciativa, Rô! Aliás, depois que li aquele post (sobre a mudança da Lú e as opiniòes das outras mães)tô mais atenta com a Nina e ando perguntando mais na escola.
No mais...adoro esses conselhos/aulas sobre o segundinho. Logo, logo vou querer um prá mim, então, tô devorando esses posts seus e da Rê!
Beijo, querida!
Dani

Cissa disse...

Acho que a gente esquece que ser criança também não é fácil.

Paloma, a mãe disse...

Rô, fique calma, com tanta mudança qualquer pessoa (até adultos) tem reações inesperadas. E a gravidez ainda vai afetá-la mais, é normal. O importante é vc perceber os sinais dela e nunca ignorá-los.
Beijos

Anônimo disse...

ai, adorei a novidade!
q bom q ficasse mais tranquila!
Boa sorte pra Luisa nessas fases! e pra vc tb!
beijinhoo
Juuhh

Patrícia Boudakian disse...

OI, Rô, vim aqui responder seu comentário na no blog. Não se preocupe não em relação ao circo, não faltará oportunidade. Eu já tinha percebido que sua vida estava um tanto corrida. Relax!!!

beijo!

Mãe do Pitoco disse...

Rô, parabéns por ser uma baita mãezona, viu? Vc fez super certo: foi vasculhar o dia a dia de sua pequena, nos mínimos detalhes, para saber qual era o problema. Palpites nós todas podemos dar, mas só uma mãe xereta e com um imenso amor no peito sabe dar o que é preciso ao seu filho. Beijos