domingo, 18 de abril de 2010

Sem medo

Hoje estava um dia lindo e nós fomos ao Parque Ibirapuera de manhã. Levamos a Luísa até a parte dos brinquedos (aliás, os parquinhos para crianças dentro do Ibirapuera ficaram ótimos depois da reforma no ano passado) e ela se esbaldou.
Ela estava lá, subindo e descendo do escorregador feito uma serelepe, e de repente apareceu outra coleguinha pra brincar. A menina era bem maior que a Luísa. Quando a menina subia pelas escadas, duas mulheres ficavam segurando, a mãe e a tia. Depois a mãe correu pra frente do escorrega pra segurar a filha que estava descendo. E aconselhava a outra: "segura firme a mãozinha dela, porque ela é grande mas ainda é um bebezão". E a garota não conseguia subir as escadas sozinha. Quando desceu, a mãe já estava ali pra segurá-la e colocá-la firme no solo.
Eu não aguentei e perguntei qual era a idade dela. A mãe respondeu que ela tinha 2 anos e 5 meses (ou seja, só três meses mais nova que a Luísa). Ela então perguntou quantos anos minha filha tinha e eu disse. E ela completou: "Ah, então é por isso que ela já está tão mais firme e independente pra escorregar". Eu não disse pra ela que a Luísa já faz isso sozinha há muuuuito tempo, até porque sei que cada criança tem seu tempo. Mas eu não resisti em dar um conselho, com todo jeitinho - pode até ser que ela não tenha gostado muito: "Sabe o que ajuda muito? Deixa ela tentar subir sozinha que você vai ver como logo ela vai se virar."
Não foi a primeira vez que vi pais superprotegendo seus filhos achando que eles não têm capacidade de fazer algo sozinhos. E sei também que na maioria das vezes isso é inconsciente.
Contei essa história pra deixar aqui a dica para quem morre de medo de ver o filho se machucar e com isso fica em cima dele o tempo todo. Soltem um pouco as crianças (com responsabilidade, lógico, em brinquedos apropriados para a idade). Elas ficarão muito mais espertas e a chance de se machucarem, em vez de aumentar, diminui. E vão mostrar que são capazes de fazer coisas incríveis sozinhos que nos enchem de orgulho. Sempre vai dar aquele arrepiozinho na gente, claro, mas é importante para o desenvolvimento e para a auto-afirmação deles.

PS. Agradeço pelos comentários no post anterior. Escrevi num momento de preocupação, e de certa forma achei que expus demais a minha filha. Talvez não devesse me abrir tanto assim, porque na escrita pode dar um peso maior do que a coisa realmente é. Quanto aos conselhos, evidentemente tenho o meu filtro e vou seguir aqueles que estão ligados aos meus valores e à minha forma de educar. Vou, por exemplo, bater um papo com a professora e com a coordenadora da escola. Mas respeito todas as pessoas que comentaram aqui, porque foram dados na melhor das intenções e, a partir do momento em que eu me abro publicamente, estou aberta a receber qualquer comentário desde que não seja ofensivo.
E o engraçado é que, depois que escrevi aquilo, Luísa não teve mais nenhuma birra. Durante o fim de semana todo ela foi o doce de sempre.

17 comentários:

Paula Duailibi Homor disse...

deixei um selinho para vc la no blog.

www.nywithkids.blogspot.com

beijinhos

Carla Pestana disse...

Olá! Também acredito nisso e espero que eu consiga criar minhas meninas sem esse medo excessivo.
Fiquei curiosa com a sua observação e fui olhar os comentários do post anterior. Nossa, tem que tomar mesmo cuidado com o que se fala porque a gente nunca sabe que tipo de pessoa que está lendo e o que elas desejam...
Beijos

Chris Ferreira disse...

Oi Roberta,
concordo que superproteger os filhos pode gerar mais dificuldades para eles, até uma insegurança. Entendo que deveos proteger, participar e nos deidcar. E por isso achei que uma mãe tão dedicada como você merecia um selinho e o coloquei lá no meu blog. Dá uma olhadinha http://inventandocomamamae.blogspot.com/

Paty disse...

Adorei seu post. Eu me controlo para nao ser super protetora coma Babi. Acho que voce esta super certa! bjs

Nine disse...

Obrigada pela dica! Realmente, as vezes, nos preocupamos demais com os filhotes! Beijos!

Patricia disse...

Vesti totalmente essa carapuça! Vi seu comentário lá no meu post correlato. Tenho essa tendência a super proteger. Por enquanto, só delegando para o pai as tarefas que me amedrontam. Mas chego lá, viu?
òtimo post!
bjs

Ana disse...

Eu sou bemmm desencanada e as vezes sinto uma represalia no olhar da sogra, da vizinha, da amiga, da forma que eu deixo a Catarina livre, mas tenho certeza de q estou no caminho certo. Bom ler isso.
Qto aos comentários, passei uns dias sem aparecer e estava lendo cronologicamente,ao ler os coments do post anterior me assutei com as reações, ia falar q deve se da idade, que minha afilhada teve seus piores momentos aos 2 anos, q vc não devia se preocupar e etc, mas acabei desencanando depois de tanto conselho (no meu ver) alterados!
o principal é ir com calma e sem reações extremas do seu lado. O dela, fica tranquila, q passa!
super beijo

JuUUh disse...

adorei esse teu post!
Não sou mãe e penso nessa questao de super proteção qd tiver meus pequenos hihihi
Quero ser bem descolada tb, mas as vzes imagino nessa parte inconsciente e me pegar sendo superprotetora hahaha
Mas mais ainda gostei da tua observação, e é muito vdd sobre o cuidado que temos ter ao escrever, ao ler e ao interpretar as coisas..
Mas acho q as maes, algumas, conseguem ponderar o ocorrido e ate mesmo a fala da luiza naquele momento (assim espero ;) ) Fico feliz da Luiza nao ter tido mais reações de birra, faz parte da idade neh, e imagino como deve uma mãe se sentir perdida..
Sou pedagoga e ja fui professora de berçário. mas sempre me disseram q ser prof eh uma coisa, e mae eh totalmente diferente, entao penso que se eu me sentia perdida as vezes com meus alunos imagina com meus filhos hahahaha
Mas enfim, tb tenho valores e principios bem firmes. MAs como vc disse , o filtro é excencial.
Adoro teu blog, acho mto construtivo!
falei demais hahaha
Beijo
JuhH

Cynthia Santos disse...

ahahah
eu estava numas assim com o Arthur (1a2m), até que ele mesmo começou a reclamar, não quer que eu segure sua mão o tempo todo,e faz a maior birra se eu insistir... quando vamos ao play do prédio, deixo solto, e ele se diverte horrores... mas está tão "independente", que já quer subir no escorregador pela rampa...ahahahah
Beijo grande!

E que bom que você se acalmou, eu fiquei aflita com post anterior, mas não tinha nada pra acrescentar, poderia té te deixar mais nervosa, pois não tenho nenhuma experiência nesse quesito ainda...

Mamma Mini disse...

Amei o post, serve super pra mim que tento superproteger meu filho e quando vejo do que ele é capaz fico chocada... mas vc tem razão, eles dão conta do recado, e precisam de confiança, da nossa confiança pra continuar a caminhada da evolução! beijos

Chris Ferreira disse...

Oi Roberta,
tudo bem?
Fiz uma postagem bem light em homenagem a você. Passa lá e dá uma olhadinha. http://inventancocomamamae.blogspot.com/

Luíza disse...

segundo a psicologia do meu tio "tá sangrando? não? ah, então tá ela tá bem".
ahahahhahahah!

eu tenho tanto abuso a superproteção que tenho é que vigiar pra não ficar igual ao meu tio. ehehhehehehe!

:)***

Lu Terceiro disse...

Oi Rô, eu totalmente sou assim. Tento relaxar pq acho que a super proteção, além de não deixar a criança se desenvolver legal, ainda a torna insegura. Nesse ponto, ainda bem que tem o pai e ainda bem que ela voltou à creche. Assim ela consegue experimentar mais, ousar. De vez em quando volta com uns roxos, mas faz parte ;) beijos!

Magali na escuta disse...

Apoiado!
Pelo fim das crianças bobocas!!!
E depois quando crescerem, os pais tb não vão deixar andar de onibus, ou a pé na rua, "pq é perigoso"!!!
Perigoso é deixar todo o nosso espaço urbano para os bandidos!!!
Falou a que brincou na rua e andou de bike na av são joão qdo criança!

Doce e Baccana disse...

Meu marido é bem babaca - tipo esta pessoa do post - peloamordedeus...o Vini tem 3 anos e se bobear o meu marido ainda fica rodeando pra ele não cair, pode? Dia desses fui sozinha com o Vini numa festa de aniversário e para chegar na mesa do bolo tinha 2 degraus. Advinha? A maior diversão dele foi subir e pular o tempo todo e eu (e minha cerveja...rsrssr)ficamos a observar as peripécias (um olho no peixe e outro no gato, claro), mas sem atormentar o menino. Se ele ler isso me mata! hahahaha
Bjs

Silvia Barbosa disse...

Olá Roberta !! Nossa, me vi aqui nesse seu relato !!! Apesar de já ser mãe de um casal de adolescentes, concordo com você. Meus filhos sempre tiveram contato com a natureza e era comum subir em árvores, brincar com animais e andar descalços. Nas brincadeiras mais radicais sempre me colocava como coadjuvante. Mostrava os perigos e explicava a consequência de determinados atos e decisões. Me orgulho hoje de ver que cresceram valentes, determinados e seguros. É claro que nem sempre vão acertar, mas deixo claro que estarei aqui para o que precisarem. É só chamar !!!

Adorei seu blog !!

Márcia do Valle disse...

Eu já levei sermão de mães que acham que deixo minha filha solta demais na pracinha, que ela pode acabar caindo e se machucando... Enfim, o importante é cada um agir de acordo com sua forma de pensar. Deixa as superprotetoras grudadas nos filhos, e que elas nos deixem olhar nossos filhos a uma distância segura enquanto eles sobem e escorregam sozinhos:-) Bjs e gostei do blog!