sexta-feira, 23 de abril de 2010

Mais sobre monstros ou O monstro do hotel

Isso aconteceu na semaninha de férias que tiramos recentemente (êita Bahia, tudibão). Para chamar a criançada para as atividades que seriam realizadas no clubinho, os monitores sempre apareciam fantasiados em volta da piscina. Num determinado dia, um tio desses apareceu todo maquiado e cheio de ataduras como se estivesse todo arrebentado. Faixa na cabeça, nos braços, mancava, sangue de mentira nas faixas, olho maquiado de preto, boca torta. Um horror. Até eu achei.
E eu logo fiquei pensando: mas que ideia infeliz, só serve pra assustar a criançada. Luísa começou a chorar e me abraçou, dizendo que estava com medo do moço machucado.
Muitas outras crianças, porém, se divertiram com a brincadeira e ficaram correndo atrás do "monstro".
Sei que eu fiquei explicando pra ela que era teatro, que era mentirinha, que o tio era monitor do hotel e que ele não estava machucado de verdade. Aos poucos ela foi se acalmando e... se apaixonando pelo tio. Sei que uma hora ela sumiu e ela ficou desesperada querendo ver o tio machucado. Dá pra acreditar? É lógico que ela jamais iria no colo dele, mas aquela encenação toda acabou deixando-a fascinada.
Ela dormiu ali na cadeira da piscina e, quando acordou, a primeira coisa que queria era saber onde estava o tio. Eu morria de rir. Tivemos que inventar uma continuação da história. E foi assim até à noite. Onde ela ia, perguntava se o tio machucado estaria lá. E ele apareceu, sem a maquiagem. "Viu só, como era brincadeira?" Ela só olhou pra mim e deu um sorrisinho.
A ironia do destino é que naquele mesmo dia, numa apresentação que os monitores fazem para os hóspedes, esse mesmo tio caiu do forro do teatro e se espatifou no chão na frente de todos que estavam assistindo. Queda feia, mesmo. No dia seguinte, quando o encontramos no café da manhã, ele estava mancando e cheio de escoriações no braço. Acho que alguma mãe deve ter rogado tanta praga pra ele que o coitado se machucou de verdade.

6 comentários:

Carol disse...

ai coitado do tio machucado.
só nao entendi pq acharam que uma pessoa machucada seria interessante pros pequenos. é cada idéia...

bjs!

Dani disse...

Fora que uma história sem o lado do "mal", sem bruxa, sem lobom é sem graça até, né!
Eu por exemplo, não via a hora de chegar a parte em que o lobo invade a porta e comi a vovózinha.
E a Nina vai pro mesmo caminho. Quando começamos a história ela logo pergunta do lobo.
E o mundo, amiga, não é mesmo tào bom assim...
Ah...acho que ficamos no mesmo hotel. Ciça, minha sobrinha, adorou esse cara machucado!
Beijo, Rô!
Dani

Lia disse...

hahahaha tadinho...

Camila disse...

Ai, adorei a história! A Manu morre de medo de teatro, com "monstro" então....
E a mãe tem que se virar para satisfazer todas as curiosidades dos filhos!
Bjos!

Chris Ferreira disse...

Ai, Bahia é tudo de bom mesmo. Passamos nossas férias de Janeiro lá.
Esse post me fez lembrar de quando levei a Ana Luiza para assistir a peça dos 101 Dalmatas. O papel da Cruela era representado pela Lady Francisco. A Ana Luiza adorou a Cruela. Quando ela saia do palco a Ana Luiza ficava chamando por ela e no final da peça foi para o colo da Cruela, tirou foto, beijou, abraçou. Vai entender.
beijos

Letícia Volponi disse...

Ai, coitado. É muito estranho como eles reagem às vezes, né? Outro dia fui ao teatro com a Laura e tivemos que sair da arena do SESC porque ela detestou a máscara do personagem...