quinta-feira, 11 de março de 2010

Mais sobre uma mãe em home office

A disciplina é uma das coisas mais difíceis ao se trabalhar em home office, especialmente quando tem criança por perto. E, confesso, apesar de estar satisfeita com a minha opção de ter meu escritório em casa, ainda peco bastante nesse lance da disciplina.
Sabe aquela sensação de "tô mas não tô"? Eu estou em casa, mas tem dias em que eu praticamente não brinco com a Luísa, e isso me incomoda. Sei que estou por perto, ela vem aqui no escritório, eu dou uns agarrões e beijinhos. Mas não paro pra sentar com ela e dedicar um tempo a isso, sabe? Especialmente quando tenho matérias ou outro trabalho para entregar.
Quando eu trabalhava fora, saía do escritório e deixava todos os problemas por lá. Agora, como fico em casa, passo o dia todo, do horário que acordo até o de dormir, olhando se chegou algum e-mail importante, esperando alguma ligação - isto mesmo em horários fora do padrão, como na hora do almoço e à noite. Nisso eu acho que deveria me policiar melhor. Fora isso, também fico muito tempo na internet, olhando blogs e outras redes sociais. Até porque preciso de alguma forma interagir com o mundo externo. Os blogs e twitter acabam me fazendo um pouco de companhia.
Mas o problema é que é difícil determinar um horário fixo de trabalho quando se faz freelancer. As pessoas retornam as ligações nos horários que podem, e eu não posso me dar ao luxo de deixar de atender porque "não está no meu horário".
Às vezes penso que estou deixando a desejar na qualidade do tempo que fico com a Luísa durante a semana (fim de semana é 100% dela e do marido). Por outro lado, também não posso ignorar o fato de que estar por perto, ficar um tempo com ela na cama de manhã, almoçar e jantar com ela, levá-la na escola e dar colo algumas vezes durante o dia também é qualidade. Além disso, também estou sempre de olho na babá, nos horários, na disciplina...
Mas acho que tem uma equação aí que eu ainda preciso ajustar melhor.

14 comentários:

Mãe do Pitoco disse...

Ro, cresci vendo meu pai atender telefones a todo instante, vendo caçar agenda pra verificar orçamentos, contatos, especificações de documentos etc. e sempre achei ele muito, muito, muito mais brincalhão do que minha mãe. Ele, quando estava em casa, mesmo tendo de dar atenção - até nos fins de semana! - aos clientes, nunca deixou de inventar uma brincadeira comigo e com meu irmão, estava sempre nos levando a lugares divertidos, brincando de video game, enfim... ele realmente aproveitava, ainda que estivesse preocupado com um ou outro trabalho.

Ao contrário, minha mãe, que passava a maior parte do tempo conosco (depois que completei 10 anos, porque antes ela trabalhava fora) quase não brincava, e sempre quando insistíamos ela dizia não gostar de brincar.

Por outro lado, minha mãe sempre soube de cor os nomes de nossos amigos, ouvia todas as nossas histórias de colégio etc. Daí eu acreditar hoje, com meu filho, que uma combinação dos dois seria o ideal.

Por isso, acredito eu, que o ideal é mostrar, sim, que você adora brincar com ela, que está atenta, que gosta de ouvir o que ela tem a dizer, mas que tb precisa estar atenta ao telefone e ao computador. Explica sempre que ela acaba compreendendo. É assim que farei com Pitoco quando os telefonemas aqui em casa começarem a pipocar.

Além disso, tem dias que a gente está cansada mesmo e não está querendo brincar, então é importante que eles tb desenvolvam a capacidade de brincar sozinhos, usem sua imaginação livremente, sem nossa intervenção, não é?

Giovana disse...

Oi Roberta, entendo perfeitamente essa sua preocupação, tambem me sinto assim as vezes, trabalho fora e meu pequeno fica com minha mae ainda, almoço com ele todos os dias e a noite temos apenas 3 horas pra ficar juntos (ele dorme as 9) nesse tempiiiiinho, tenho que dar um tapa na casa, cuidar dos 2 caes, e ainda tem aqueles dias em que a gente chega pregada em casa, nao da muito pique pra brincar, mas tenho certeza que tento o maximo que posso (que consigo) nos finais de semana, tambem acordo uns 15 minutinhos antes todos os dias pra ficarmos brincando na cama, almoçamos juntos, a noite faço tudo com ele, banho, faço dormir enfim...

Não se culpe nao, no final tudo da certo, fiz um post falando sobre isso, nossa ausencia as vezes, falta de paciencia, etc.... senao me engano é "TUDO VALE A PENA SE A ALMA NAO É PEQUENA" ve lá, fala bem sobre isso, essa sensação que nos massacra as vezes.

Beijos linda e relaxa....

Dany disse...

Roberta, não se sinta culpada!!!!!!!
O que vc está fazendo pela sua filha é incrível!
Imagine: poder almoçar, jantar e fazer carinho na pequena qd ela acorda...
Isso é qualidade!!!!!!!!

Flavia disse...

Poxa, Rô!
Acho que nada é 100% bom, nem 100% ruim.
Tenho um trabalho semi home office, e quando tenho que "produzir" realmente, só dá quando tenho ajuda da vovó (catalana) ou na hora que o pequeno está na escola. E no meu caso, não poderia ser diferente. Já que desde o começo estava fora de cogitação deixar o filhote na escola o dia inteiro e trabalhar fora. Por mais gratificante que isso poderia ser, financeiramente e profissionalmente falando.

Acho que ter essa opção, (por mais que se tenha que ajustar, e ajustar e ajustar ) é a que chega mais perto do ideal de poder conciliar o trabalho e a maternidade.

bjs

Paloma, a mãe disse...

Rô, este post é a prova de que a gente sempre se cobra demais. Se vc tivesse parado de trabalhar, ia se cobrar por ter largado a carreira. Se vc pode vê-la muitas horas por dia, se culpa porque não está brincando com ela. E se está brincando, se culpa porque... Ou seja, isso nunca acaba! Pois saiba que eu e muitas mães que eu conheço adorariam estar no seu lugar, conseguir trabalhar em casa (acho que todo mundo que trabalha em casa passa por isso, não é só vc) e poder pelo menos supervisionar a rotina da babá e da filha.
Engrosso o coro do não se culpe!
Beijos

Paloma disse...

Ah, flor, as mães são mesmo eternas insatisfeitas. Você tem um esquema de vida bem bacana pras duas. E faz o que pode, e da melhor forma que pode. E é isso que importa. bjo
Paloma e Isa

Fabiola disse...

Oi Roberta!
Esse é o eterno dilema das mães, né?? Sempre nos sentimos culpadas.. mas poxa, acho que sua qualidade de vida com a pequena é excelente.. vc está sempre presente! não se cobre tanto... ela é uma menina linda e, aposto, extremamente feliz!
Bjinhos!

Denise disse...

Posso te garantir que essa escolha tá oferencendo o melhor pra vocês.
Eu deixo a Elisa na escolinha às 8h e busco só às 19h.Lá ela dorme, come, brinca, aprende...às vezes me sinto péssima por isso, mas não tenho outra opção.
Procuramos ter com ela o melhor no período em que estamos juntos.
Tenho certeza que somos felizes assim!

Marcia Lima Gomes disse...

Eu acho que essa cobrança é coisa de mãe zelosa, Roberta. Mãe tem sempre uma necessidade a mais, uma insatisfação, um comichão de achar que o que está bom ainda pode ficar melhor. Tenho certeza que dentro das opções disponíveis vc está fazendo o melhor para a Luísa. Eu estou em casa com o filhote tb. Estudo durante a manhã online qdo o Gabriel fica com o pai (embora atualmente esteja de férias). Quando terminar as aulas, meu sonho é encontrar um trabalho @home sério. Mas, todas as propostas que já vi por aí me parecem scam. Posso perguntar o que vc faz? E como conseguiu um trabalho sério em casa?

Fernanda disse...

impressionante, vendo vc falar parecia que era eu mesma falando da minha situ.
Estou na mesmíssima situação e sinto da mesma forma. Igual que nem....sem tirar nem por, se encontrar uma equação que funcione me avise! Se eu achar prometo te avisar também.
bjs

Micheli Ribas disse...

Também tenho esse problema. Mas acho que eu acabo me sentindo mais em débito com o trabalho com com a minha filha, pq eu largo tudo por conta dela. Até por não ter ajudante em casa (babá, empregada). Se ela chora, chama, o trabalho fica pra depois, e acaba atrasando. às vezes tenho de repor de madrugada, quando aperta. Tudo tem os dois lados. Também sofro com o fato de não interagir durante o dia com as pessoas; acabo procurando isto na internet, porque também passo muito tempo no computador. Mas, ao mesmo tempo, se estivesse em um emprego fixo muitas horas longe da minha baixinha, eu ficaria muito, muito infeliz... Um beijo!

Nádia disse...

Vc faz bem de revisar a vida e repensar algumas coisas. Eu gostei dessa sua atitude. Mas não acho que vc está errada, sua filha vai gostar de ter a mãe smepre por perto, quem sabe vc poderia dedicar um horário do dia exclusivamente pra ela, pra sentar e brincar. E no resto vc continua assim...Bjus!

Calau disse...

Se vocë não trabalhasse, tambem não conseguiria dar esse tão sonhado 100% de atenção. sabe a culpa... então...SUPERE... ela e algo universal e voce tem sido uma mãe exemplo legalzona e linda que ensina e apoia a dezenas, centenas de outras mães!

Lali disse...

É eu passei e passo exatamente por isso. Eu expliquei p o Edu que preciso trabalhar p/ comprar as coisas p ele, que com trabalho, eu ganho dinheiro. Bom, passado um tempo. Ele me veio com essa: - Mamãe, vc só trabalha, trabalha, trabalha! Vc só pensa em dinheiro? O que é mais importante, dinheiro ou a felicidade dos seus filhos? Nem preciso dizer que parei tudo q estava fazendo, e fui brincar c ele...hehehe.