quinta-feira, 25 de março de 2010

Feira do bebê e gestante

Vamos combinar que as "Feiras do Bebê e Gestante" não costumam ser dos programas mais tranquilos a se fazer. Em geral os lugares são distantes, enormes, estacionamento caro e um certo tumulto nos finais de semana. Os maridos adoooooram, nénão? Mas, ainda assim, costuma valer a pena para quem não tem a chance de comprar nos maravilhosos outlets fora do Brasil.
A dica é que esta semana está acontecendo em São Paulo a feira no colégio São Luís, atrás da av. Paulista. Para quem mora em região mais central da cidade, é uma ótima opção. Além de ser mais perto pra quem vai de carro, dá pra ir de metrô. O espaço também é menor, então você consegue percorrer a feira mais rapidamente.
O lance dessas feiras é saber garimpar. Tem coisa brega e de má qualidade, lógico, mas também tem coisas boas por lá. Ontem dei uma passada porque precisava comprar calças com pezinho pra usar com body, os famosos mijões ou culotes. Eu passei pra frente os da Luísa e não consegui encontrar nessa minha última viagem ao exterior. Três por R$ 22 é um precinho bem razoável, não é?. A tal da marca Bicho Molhado não é das mais chiques, eu diria, mas a malha é boa e dura bastante sem esgarçar. E uma peça lisa básica não precisa de grife.
Pra quem está montando enxoval (lençol de berço, toalhas de banho, fraldas de pano etc), uma das lojinhas que eu recomendo é a Jully Baby, que está em todas as feiras em SP (não tô ganhando nada pela propaganda, viu, só estou recomendando porque comprei muita coisa pra Luísa lá). A malha é ótima e os bordados são super delicados. Não custam uma bagatela (você encontrará coisas mais baratas pela feira), mas a qualidade compensa. Você pode lavar as toalhas e lençóis na máquina milhares de vezes que não estragam.
Outra coisa que achei bacana na feira atual é que tem umas sacolas de mão e malas de viagem/maternidade para bebês bem mais moderninhas do que as que existiam quando eu estava grávida da Luísa.
Outra dica: os preços de carrinhos de bebê e acessórios do gênero nas feiras costumam ser iguais aos das lojas convencionais, então não precisa se desesperar e comprar logo de cara. Lá vale mais a pena comprar roupas, enxoval e enfeites de quarto e maternidade.

Centro de Eventos São Luís
23 a 28 de março
Rua Luis Coelho, 323, Consolação, São Paulo (Fica entre a R. Bela Cintra e a Haddock Lobo, próx. à estação Consolação e Av Paulista).
Horários:
Terça a sexta-feira das 12h às 22h
Sábado das 10h às 22h
Domingo das 10h às 20h

Entrada Gratuita - Estacionamento PAGO no local. (custa a bagatela de R$ 10 a primeira hora e R$ 4 as demais. Se for de carro, vale parar em um outro estacionamento próximo mais barato - a não ser que você vá levar a feira toda pra casa e precise do carro bem próximo :0)

Aqui no site tem o calendário completo das feiras e endereços.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Roupitchas transadas

No ano passado, na festinha de 1 ano do filho de uma amiga, apareceu uma garotinha com uma roupa que me chamou a atenção de cara. Não era nada escandaloso, nada perua, nada disso. Ela usava um macacão super confortável e, ao mesmo tempo, chique e lindo. Babei na roupa e, quando fui perguntar de onde era, descobri que a dona daquele bom gosto estava ali na festa. Era a Carol Castilho, da grife infantil Anacaloca. A roupa era essa aqui, ó (e a "modelo" também):

No próximo sábado, em São Paulo, a Anacaloca vai lançar sua coleção de outono/inverno na Casa da Árvore, e vai ter uma oficina bem legal de customização de peças além de uma contação de histórias. Segue o convite pra quem quiser passar por lá:

Quem tiver a chance de ir lá conferir, vale a pena. O site é www.anacaloca.com.br

terça-feira, 23 de março de 2010

Uma criança em home office

Sujeitinha chega aqui no meu escritório, se espreme entre a minha cadeira e a mesa e senta no meu colo. Começa a mexer nas minhas coisas e a teclar no meu computador. Mexe no mouse. Pega um lápis e rabisca algo na minha agenda. Volta de novo para o teclado e começa a digitar, olhando alternadamente para o teclado e para a tela. Rola o mouse e muda as telas do computador.
Eu intervenho.
- Filha, pronto, agora vai lá brincar porque a mamãe precisa trabalhar.
- Pára, você tá me atapalando! Eu tô aqui tabalando, que coisa!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Eu escôlo, mamãe

Ultimamente anda uma briga aqui em casa cada vez que vamos sair. Eu escolho uma roupa bonitinha pra Luísa vestir e, lógico, ela faz escândalo porque quer outra coisa. Geralmente uma roupa velha ou inadequada para a estação ou totalmente descombinante.
Estava dando uma olhada aqui no livro "O que esperar dos primeiros anos" e as autoras abordam o tema (aliás, esse livro é muito bom, trata de muitos assuntos sobre os quais temos dúvidas e falamos constantemente). Vou reproduzir aqui as dicas:

Uma criança pequena, ansiosa por adquirir algum poder de decisão, certamente irá opor resistência ao que quer que seja escolhido sem a aprovação expressa dela, mesmo quando se trate do sanduíche ou do suéter que ela mais gosta. Por essa razão, vestir a criança, tal como alimentá-la, passa a ser um grande desafio para os pais. Da próxima vez que você enfrentar esse desafio em relação às birras na hora de colocar roupa:
- Dê-lhe algumas opções...
Certamente não é prático, e nem sensato, permitir ao seu filho (a) um controle absoluto sobre as vestimentas do dia-a-dia (ela é capaz de vestir maiô e sandálias num dia gelado de inverno), mas um pouquinho de autonomia poderá ser de grande ajuda para evitar disputas cansativas. Dê-lhe a liberdade de escolher entre dois ou três trajes diferentes. Caso ela insista em algo muito pessoal (como o maiô no inverno), proponha uma solução conciliatória, como deixá-la vestir o maiô debaixo do agasalho. Para reduzir o risco de escolhas inadequadas, procure deixar fora do alcance as roupas impróprias para a estação.
- ... mas não muitas
Quando apresenta a uma criança pequena um armário cheio de opções, você praticamente programa uma crise de birra. O excesso de opções, se deixa qualquer pessoa confusa, é muito pior para uma criança novinha e inexperiente.
- Elogie a escolha dela
Elogie as escolhas adequadas, mas não critique as seleções mal combinadas ou infelizes de acordo com o seu ponto de vista. Faça sugestões se ela for aberta a isso ("a blusa listradinha de azul vai ficar ótima com o short azul"). Caso suas sugestões não sejam bem recebidas, não se preocupe. Há tempo de sobra para ela desenvolver um gosto refinado e criar um estilo próprio.

(PS. Enquanto ela não desenvolver esse gosto refinado, você vai passando uma vergonhinha básica. Ou então relaxa e se diverte com a situação.)

sexta-feira, 19 de março de 2010

E as roupas voltam a servir

Acontece uma coisa engraçada com crianças depois dos dois anos. Roupas que não estavam servindo antes, ou que estavam apertadas, voltam a servir de novo.
Em princípio, fiquei com aquela sensação de que minha filha tinha emagrecido demais. Mas, depois, fui me dar conta de dois movimentos que acontecem nessa época:
1) Simplesmente some aquela barriga de "Seu Boneco" que eles têm quando bebês (mais um sinal de que seu filho está crescendo...). O corpinho começa a ter novo formato, já com cara de corpinho de criança, e a barriga fica mais sequinha (ao contrário da barriga da mãe, que só aumenta).
2) Quando eles saem das fraldas, muitas calças e bermudinhas que antes ficavam apertadas no bumbum também voltam a servir, já que diminui o volume.
Não é uma beleza essa notícia, já que tudo o que a gente mais faz até então é separar roupas que não servem mais? Agora, quanto aos sapatos... sem esperança. Os pés crescem numa proporção assustadora.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Dois foras num mesmo dia

Tomei dois foras hoje OU As crianças são muito mais inteligentes do que a gente julga que elas sejam.
Na hora do almoço:
- Mãaaae (aquele chamado choramingando, sabe?), quero comer no caderão
- Tá bom. Espera um pouquinho que eu vou pegar aqui na cozinha e levar aí na mesa.
- Na mesa não, no chãão.
(o que eu faço com uma resposta dessas?)

No carro, indo pra escola:
- Ontem foi o dia do Rafael levar frutas na escola, né, filha? Ele levou laranja?
- Sim
- E você comeu?
- Não, chupei.
(Me mato com essas tiradas).

terça-feira, 16 de março de 2010

Mommy Maker

Eu ADORO atividades de artes. Acho que inspirada pela minha mãe, que além de pintora talentosa sempre me ajudou a fazer capas de trabalho lindíssimos. E fico doida criando as coisas com a Luísa desde que ela começou a brincar de massinha, quando tinha por volta de um ano e meio (aqui tem algumas graças minhas).
Eis que outro dia, quando fui buscá-la na escola, descobri que ela tinha feito uma atividade de colagem (eu achava que ainda era cedo pra mexer com cola, mas descobri que não). Me animei e saí correndo comprar novos apetrechos pra gente se divertir em casa. Passei lá na Kalunga, melhor lugar pra comprar material escolar e de escritório num preço legal, e fiz a festa.
Então vou ensinar aqui como se faz uma cestinha porta-tudo bem legal feita com barbante, que aprendi no Mr. Maker, aquele programa do Discovery Kids em que o apresentador ensina a fazer atividades de artes. Ele ensinava a fazer um ninho de passarinho, mas eu resolvi ampliar o uso para a cestinha porta-trecos.
Você vai precisar de: cola branca, barbante, tinta colorida (uma cor só ou várias cores, se quiser fazer colorido)e uma tigelinha de plástico redonda (pode usar de cozinha mesmo) para dar o formato à cesta.

Corte um maço de barbante (para ter ideia de quantidade, enrole o barbante em volta da tigela para ter uma noção do quanto vai precisar para cobri-la toda). Separe em dois pedaços (ou mais, se tiver mais filhos), assim você faz metade e o seu filho faz a outra (se quiser fazer a trama com várias cores, coloque um tom diferente de tinta em cada vasilha). Coloque nas vasilhas o barbante, a tinta (suficiente para tingir o barbante) e cola branca para dar liga na tinta. Faça uma pasta e misture até tingir o barbante todo.
Depois é só pegar aquela meleca e enrolar em volta do potinho de plástico virado com a boca para baixo. Dica: comece pela borda da vasilha, para garantir que o formato vai ficar certinho depois de pronto. Não precisa enrolar perfeitamente em toda a vasilha, para que pareça um ninho mesmo (ver foto abaixo). Deixe secar de um dia para outro e depois retire com cuidado. Pronto. Fácil assim.
PS. Ah, a tinta sai fácil dos potinhos depois de usá-los. Basta água e detergente.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Sobre a segunda gravidez

Outro dia uma amiga me perguntou sobre qual o tamanho atual do bebê na minha barriga. Eu fiz mais ou menos a conta a partir do último ultrassom e respondi que eu achava que estaria em torno de 15cm. E logo começamos a rir. Na primeira gravidez, eu sabia, semana a semana, tudo o que estava acontecendo com o bebê dentro de mim. Acompanhava passo a passo pelos livros, pela internet, perguntava para todo mundo.
Desta vez, para começar, emprestei meus livros para uma amiga que está grávida. Segundo, a correria é tanta que eu nem me preocupo com isso mais. Quero saber é se a Rafaela está bem e pronto, o que me satisfaz nas consultas ao médico e depois dos ultrassons.
Acho que tudo é meio assim na segunda gestação. Mais relax, menos medos, menos pressão, menos paparicos, menos palpites (ah, sim, eles também diminuem), menos expectativas.
E isso não é ruim. É lógico que diminuem os paparicos, mas também não sinto a mesma necessidade de tê-los que tinha na primeira gravidez. Afinal, agora tenho uma outra criança que ocupa boa parte das minhas preocupações e do meu tempo.
Como eu sempre fui muito ansiosa com tudo, estou achando bom passar por essa experiência de uma maneira mais relaxada emocionalmente. Tem também o fato de que eu, naturalmente, estou vivendo uma fase menos estressada por estar trabalhando em casa. E estar mais tranquila não significa que eu pense menos ou que deseje menos esse bebê, muito pelo contrário. A questão é que tudo acontece de uma forma mais serena. Os medos, especialmente, diminuem. E a força para encarar qualquer dificuldade aumenta, porque já sei que sou capaz de enfrentar muita coisa que antes eu não sabia se daria conta.
Na segunda vez, a gente também identifica mais rapidamente os sinais. E um dos sinais divertidos tem sido perceber a Rafaela se mexendo na minha barriga já com quatro meses de gestação. Sinto claramente quando ela está me dando uns chutinhos, apesar de nada ser perceptível externamente ainda. Na primeira gravidez, senti alguma coisa com cinco meses e meio, acho.
Enfim, como em tudo na vida, nada como a experiência.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Pata é a mãe

Vejam só como a autoestima de um serumano pode ir do céu ao inferno num mesmo dia. De manhã fui à dentista dar uma geral na boquinha e ver se os hormônios ainda não estavam afetando meus dentes e minha gengiva (porque grávidas sofrem com isso, né, Paloma?). A dentista, minha amiga, é o ser mais fofo da face da terra e tem o poder de levantar defunto com seu alto astral. Me fez mil elogios, disse que nunca tinha me visto tão linda, etc etc. Saí de lá me achando, depois de dias me sentindo feia e gorda (essa fase da gravidez é meio sacal, porque a gente fica parecendo mais gordinha do que grávida).
Eis que fui levar a Luísa pra escola. E eu até que estava arrumadinha, de vestidinho preto, colar roxo e rasteirinha. Deixo a Luísa na aula e vou ali comprar um sorvetinho de sobremesa, porque ninguém é de ferro. Encontro uma mãe, que por natureza já é um ser esquisito. Sabe aquelas pessoas meio sem-noção que falam coisas nada a ver no meio de uma conversa? Beeem estranha, ela. Mas até aí tudo bem.
Eis que a fofa, no auge de sua simpatia, elegância e bom-senso, me solta essa: "você já está andando que nem grávida". Eu olhei pra ela e, antes que eu falasse qualquer coisa pra justificar que eu tinha acabado de almoçar, estava molenga, etc etc, a sutileza de um elefante ainda completou: "você já tá andando que nem pata!".
Geeeeeeeeeente, que ódio que subiu na minha garganta. Como infelizmente eu não sou daquelas pessoas que têm resposta na ponta da língua, dei um sorriso sem graça e continuei andando. Derrubada, arrasada. Tentando arrumar a postura e reparar se eu realmente estava andando feito grávida parindo.
Porque, vamos combinar, está certo que toda gestante aos 8, 9 meses de gravidez anda como uma patinha, com os pés em V. Não dá pra ser elegante nessa época. Mas, peraí, eu ainda tô de quatro meses e só engordei 1 kg até agora!! Não é possível que eu já esteja andando feito pata. E, afinal, que liberdade aquela mulher tinha pra me falar isso? Eu não falo esse tipo de coisa nem para uma melhor amiga. Procuro nunca dizer coisas que deixem a pessoa pra baixo sem motivo, muito pelo contrário.
Enfim, roguei milhões de pragas praquela mulher, acho que ela nem deve ter dormido à noite. Gente sem noção. Ódio. E eu não estou andando feito pata, ok?

quinta-feira, 11 de março de 2010

Mais sobre uma mãe em home office

A disciplina é uma das coisas mais difíceis ao se trabalhar em home office, especialmente quando tem criança por perto. E, confesso, apesar de estar satisfeita com a minha opção de ter meu escritório em casa, ainda peco bastante nesse lance da disciplina.
Sabe aquela sensação de "tô mas não tô"? Eu estou em casa, mas tem dias em que eu praticamente não brinco com a Luísa, e isso me incomoda. Sei que estou por perto, ela vem aqui no escritório, eu dou uns agarrões e beijinhos. Mas não paro pra sentar com ela e dedicar um tempo a isso, sabe? Especialmente quando tenho matérias ou outro trabalho para entregar.
Quando eu trabalhava fora, saía do escritório e deixava todos os problemas por lá. Agora, como fico em casa, passo o dia todo, do horário que acordo até o de dormir, olhando se chegou algum e-mail importante, esperando alguma ligação - isto mesmo em horários fora do padrão, como na hora do almoço e à noite. Nisso eu acho que deveria me policiar melhor. Fora isso, também fico muito tempo na internet, olhando blogs e outras redes sociais. Até porque preciso de alguma forma interagir com o mundo externo. Os blogs e twitter acabam me fazendo um pouco de companhia.
Mas o problema é que é difícil determinar um horário fixo de trabalho quando se faz freelancer. As pessoas retornam as ligações nos horários que podem, e eu não posso me dar ao luxo de deixar de atender porque "não está no meu horário".
Às vezes penso que estou deixando a desejar na qualidade do tempo que fico com a Luísa durante a semana (fim de semana é 100% dela e do marido). Por outro lado, também não posso ignorar o fato de que estar por perto, ficar um tempo com ela na cama de manhã, almoçar e jantar com ela, levá-la na escola e dar colo algumas vezes durante o dia também é qualidade. Além disso, também estou sempre de olho na babá, nos horários, na disciplina...
Mas acho que tem uma equação aí que eu ainda preciso ajustar melhor.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Trabalhar em casa com criança por perto

Alguém me perguntou (juro que tentei procurar agora quem foi, mas não achei, me desculpe!!) , no fim do ano, como era a experiência de trabalhar em casa com criança por perto. Demorei a escrever esse post porque sabia que seria longo, mas vamos lá.
Eu sou jornalista e, antes de a Luísa nascer, eu estava trabalhando com comunicação corporativa. E ritmo de empresa é bem diferente do ritmo de redação, ao qual eu estava acostumada. Pressão é muito maior, horários mais puxados, etc. Como meu marido poderia segurar a onda das finanças da casa, conversamos muito e eu decidi dar um tempo àquela rotina pesada. Então, quando a Luísa nasceu, resolvi pedir demissão do trabalho e montar um escritório em casa. Lógico que não foi uma decisão fácil, porque sempre fui uma mulher muito independente e não saberia o que aquela decisão iria me custar exatamente. Queria ter mais flexibilidade, mas não me via sendo dependente totalmente do meu marido. Mas, como ele tem um ritmo muuuuito puxado no trabalho, inclusive com muitas viagens, achamos que seria melhor que um dos dois tivesse um pouco mais de tempo, pelo menos nos dois primeiros anos da Luísa. Como minha profissão permite que eu continue trabalhando nesse esquema, resolvi arriscar. Assim teria mais tempo porém não ficaria sem trabalhar.
Confesso que no começo a adaptação não foi fácil, especialmente porque eu sentia falta de conversar, interagir com as pessoas. Eu só interagia com a Luísa, com a babá e com a empregada. Passava o dia em frente ao computador (e sem o help desk da empresa para me socorrer em momentos de panes. Gente, como faz falta!!). Mas depois fui me acostumando ao ritmo, marcando alguns almoços fora, saindo de vez em quando de casa. E, sob esse aspecto, hoje lido muito bem.
Quanto à presença da Luísa, cada fase da criança causa um impacto diferente. Quando ela era menor (até 1 ano e meio) e exigia presença costante ao lado dela, era mais complicado. Especialmente quando eu tomava cano da babá e tinha que ficar sozinha com ela. Era muito difícil trabalhar e fazer minhas entrevistas por telefone. Eu fazia quando ela estava dormindo, mas nem sempre o entrevistado resolve retornar a ligação no momento que você gostaria. Ter uma babá ou empregada que fique com a criança é fundamental pra conseguir trabalhar. Inclusive para poder sair quando tem reuniões fora. Eu fiz um projeto de consultoria, por exemplo, em que passava parte do dia fora durante uns três meses. Mas podia voltar antes do rodízio, olha que beleza.
Depois foi melhorando. Mas já passei perrengues. A Letícia até presenciou uma vez, porque ela era assessora de imprensa da minha fonte. Eu estava entrevistando um presidente de uma empresa super importante. E, na época, eu tinha uma babá quase retardada em casa, mais infantil que a Luísa. A bocó se trancava no quarto dela pra tirar a sobrancelha e largava a Luísa pela casa. E não tinha porta no meu escritório. Sei que Luísa apareceu no meio da entrevista. Ela grudou na minha perna e eu, para que ela não chorasse, fiquei em pé e comecei a balançar a perna. Só que, ao mesmo tempo, eu falava ao telefone e anotava no caderno tudo o que o tal presidente falava. E não podia gritar pra imbecil da babá vir buscar a Luísa. Sei que foi terrível, quase matei a sujeita.
Outras muitas vezes a Luísa apareceu gritando ou chorou enquanto eu fazia entrevistas. Vi que era melhor ser sincera com os entrevistados e, quer saber, dane-se o que eles pensam. O importante é que o resultado (a matéria) seja bom. Então, se tem um bebê resmungando do outro lado da linha, paciência. Algumas pessoas acham fofo, perguntam mais sobre a Luísa, e o papo até se estende. Outros dão um risinho sem-graça e continuam a falar. E assim foi (e ainda é).
Eu ainda acho que os prós são bem maiores do que os contras. Tenho a minha flexibilidade de horários, posso tirar os feriados junto com o meu marido (já que ele nunca tem um mês todo de férias) e fico sempre perto da Luísa.
Mas agora ela já me respeita mais. Primeiro, porque ela já entende melhor as coisas. Segundo, meu escritório agora tem porta (êeeeeee)e só dá para ouvir os choros de longe. E eu a ensinei a bater na porta e perguntar se pode entrar. Depois, porque a babá é muito mais esperta e competente e some com a Luísa quando eu estou fazendo entrevistas.
Ainda assim, estas são apenas algumas das frases que ouço o dia inteiro:
- Mamãe, binca comigo só um pouquinho?
- Mamãe, pode entá?
Vou esperar pra ver como será com duas crianças em casa. Se vou dar conta do mesmo jeito. Mas aí será outra fase, outros tempos, e eu decido mais pra frente se vale a pena voltar ao mercado convencional ou de repente continuar trabalhando como autônoma só que num escritório fora de casa. Até lá muitas águas ainda vão rolar...

terça-feira, 9 de março de 2010

Pô, desculpa aí

É muito interessante e ao mesmo tempo engraçado observar os temas de busca que fazem pessoas chegarem aqui no blog via Google. A Flavia e a Roberta já fizeram posts divertidos sobre isso.
Para minha felicidade, a maioria das palavras de fato têm alguma relação com maternidade e temas que foram realmente abordados. "Como colocar o bebê conforto no carro" é o número 1 das procuras, pesquisado diariamente. Agora, fiquei imaginando a frustração de um sujeito que procura "mulher mamando no peito de mulher" e chega por aqui, num blog sobre maternidade... Ô, dó.

segunda-feira, 8 de março de 2010

A (não) contação de histórias

"A dona aranha subiu pela parede... aí o pínpe caiu e ficou tite."
Vira a página do livro.
"Meu pintinho marelinho cabe qui na minha mão, na minha mão. Aí a Banca di Eve..."
Vira a página de novo.
E assim Luísa vai lendo suas histórias e inventando roteiros usando o repertório que tem. Quem vê de longe pensa até que ela está lendo mesmo, porque ela corre os dedinhos pelas frases como se estivesse entendendo tudo o que está escrito ali.
Me divirto muito.
Mas, nessa ânsia por ler suas próprias histórias, Luísa não tem tido mais paciência para nos ouvir contando histórias, coisa que ela amava. Ela pede pra gente ler o livro pra ela, mas dois segundos depois ela pega um outro livro e começa a ler o dela sozinha. São raríssimas as vezes nos últimos tempos em que eu consigo ler uma história do começo ao fim pra ela. Em geral, quando o livro é novo, ela me deixa ler pela primeira vez. Depois, faz questão de ler sozinha. Ah, essa independência. Mas também já notei que, quando ela assiste a uma contação de histórias em algum lugar, com uma pessoa desconhecida lendo, ela fica vidrada.
No começo fiquei um pouco preocupada: "será que minha filha não vai mais nos deixar ler pra ela e vai ficar batendo na tecla do mesmo repertório?" Mas depois entendi que não. Percebi que é ansiedade dela em querer participar de tudo. Talvez isso seja só uma fase. Pelo menos vejo que ela continua adorando os livros, de um jeito ou de outro.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Nem Chico, nem Tom. Eis o clássico dos clássicos


Eu não aguento essa fase de cantoria da minha filha. É gostosa demais. Me digam se não é uma delícia?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Projetinho de Vida na revista Crescer


As dicas sobre Buenos Aires que eu postei aqui no blog em 2008 renderam uma matéria na revista Crescer deste mês, vejam só que bacana! A repórter queria fazer uma matéria sobre viagem com bebês para BAs e chegou aqui no blog durante a pesquisa. A matéria acabou virando uma página só com as minhas dicas. Tem até uma fotinho lá, minha e da Luísa (é esta aí de cima, no zoológico). Ela tinha apenas 1 aninho.
A única coisa que eu gostaria de destacar aqui é que na matéria dá a impressão que eu viajei sozinha com a Luísa, mas não foi, não!! Foi uma viagem em família, e meu super marido e a minha mãe também foram - aliás, se não fossem eles, a viagem não teria sido tão legal e muito menos tão tranquila.
A matéria está aqui, pra quem quiser conferir. Ou então pode ver na revista que está nas bancas este mês.
E quem quiser ler a sequência de posts sobre a viagem a Buenos Aires com um bebê, pode conferir aqui.

PS. Quando eu viajei, não havia papinhas prontas em lugar nenhum em Buenos Aires, mas já soube que agora existem, sim. E isso já foi dito na matéria da Crescer.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Puque a bola rola?

Algumas mães que se manifestaram nos comentários do post anterior levantaram uma questão que tem tudo a ver com o que eu vou falar agora: gente, como essas crianças de hoje são avançadinhas!!! São muito mais espertas do que as crianças eram no nosso tempo (ai que expressão de velho) e infinitamente mais do que nos tempos dos nossos pais. Jisuis, seria um excesso de estímulo que elas recebem? Ou é a evolução da espécie mesmo?
Eu JURAVA que a fase dos porquês começava lá pra quando a criança tem uns quatro ou cinco anos. Pode até ser desconhecimento de mãe de primeira viagem, mas eu não esperava receber tão cedo perguntas como as que tenho recebido da minha filha de dois anos e meio:
- Mamãe, puque a bola rola?
- Puque fica iculo di noite?
E o pior é que as respostas nunca satisfazem. Elas sempre vêm seguidas de outro "por que?" e mais outro...
Essas crianças são prodígio ou o quê?

terça-feira, 2 de março de 2010

Atirei o pau no gato, sim

Esse mundo politicamente correto me irrita um pouco, sabe? A gente não pode mais fazer nada sem pensar mil vezes antes. Lógico que muitas coisas realmente melhoraram, tipo:
- quando eu era criança, as pessoas jogavam lixo na rua
- antigamente, todo mundo comprava animais e pássaros no paralelo e ninguém via problemas em ter um papagaio clandestino em casa.
etc etc
Mas tem uma coisa que eu não consigo engolir: o que fizeram com o "Atirei o pau no gato". Mudaram uma música da sabedoria popular para transformá-la em algo politicamente correto. Juro, acho isso completamente irritante.
Podem me crucificar, mas eu não consigo cantar pra minha filha:
"Não atire o pau no gato to, porque ele é meu amigo go... não devemos maltratar os animais". Putz, que porre.
Primeiro, ouvi essa música a minha infância inteira e nunca maltratei um animal. Outra coisa, não é uma música infantil que vai transformar pessoas em seres violentos, é a educação. Vou ensinar minha filha a tratar bem as pessoas e os animais, mas, caramba, posso cantar "Atirei o pau no gato" pra ela???

segunda-feira, 1 de março de 2010

As bananas, a escola e o ciúme

Não sei se é coisa de mãe de sangue italiano ou se é simplesmente coisa de mãe. Mas confesso que, apesar de estar extremamente feliz com a ótima adaptação da Luísa à escola, às vezes me sinto um pouquinho - só um pouquinho - excluída (seria um pouco de ciúme, talvez? Me lembrei desse post da Mari).
Sabe aquele lance de você ter total controle sobre o que acontece com o seu filho e de repente acontecem coisas com ele que você não fica mais sabendo? Então, é isso. Queria ser uma mosquinha, um ratinho, uma formiguinha pra espiar o que se passa durante a aula dela. Mas não, ela não me conta nada e também me resta um pouco de sanidade para saber que a professora não vai me descrever diariamente tudo o que eles fizeram lá dentro. No máximo, conta as coisas mais relevantes, do tipo: "Veja, essa colagem aqui foram eles que fizeram hoje". Ok, eu entendo, sou uma pessoa de bom senso.
Mas vejam hoje, por exemplo. Lá na escolinha tem um revezamento das frutas toda segunda, quarta e sexta. Cada dia uma criança leva um tipo. E tem todo o ritual na classe, a professora explora a fruta com eles (cheiro, textura, sabor, consistência, cascas etc) para que eles conheçam melhor os alimentos e também para incentivar aquelas crianças que dão mais trabalho para comer em casa, o que graças a Deus não é problema pra Luísa (já tá de bom tamanho a dificuldade pra dormir). Hoje foi o primeiro dia do rodízio e quem estreou foi a Luísa com suas seis bananas.
Passou o fim de semana falando das bananas. Hoje saiu de casa animadíssima com a sacolinha de bananas. E o que eu fiz? Deixei a Luísa e as bananas na escola e fui embora. Snif, snif. Não participei de nada e o máximo que eu soube é que todas as crianças comeram a banana, menos a Luísa que se empolgou com um pãozinho com peito de peru (o lanche é todo fornecido pela escola). Fico pensando quando chegar a comemoração do aniversário dela na escolinha e eu não estarei presente nos parabéns. Morro.
Mas é isso. Passei aqui para dizer que me sinto abandonada, traída, excluída... Tá bom, tô fazendo drama. Acho que é só ciúme, mesmo.