segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rotina nas férias?

Se tem coisa que decidi não esquentar a cabeça durante as férias é com rotina de criança. Ainda mais em uma viagem ao exterior. Cheguei a ficar preocupada sobre como os horários e a qualidade da alimentação da Luísa na semana da viagem estavam uma zona. Mas depois relaxei. Férias não são feitas justamente para quebrar rotina? E acho que as crianças merecem. Até porque no dia-a-dia eu procuro ser bastante rigorosa com os horários, desde que ela nasceu, e vejo excelentes benefícios nisso.
Para começar, o fuso de 5 horas de diferença entre o Brasil e a Alemanha já bagunçou tudo. Nos dois primeiros dias, a Luísa ficou meio virada por causa do jetleg. Dormia mais que o normal de dia, não queria comer com a gente na hora do almoço etc. Mas resolvemos seguir o ritmo dela. Se comia pouco no café da manhã, fazíamos um sanduíche e deixávamos na bolsa para quando ela quisesse comer. Se não comia direito no almoço, comia quando tivesse fome. À noite, também dormia mais tarde do que o habitual. No terceiro dia, já estava melhor, mas é lógico que não tinha aquele arrozinho com feijão, brócolis e carninha ao meio-dia...
Como ela já tem quase dois anos, me permiti ser mais relaxada com isso, coisa que até 1 ano de idade é mais complicado. Mas, quer saber? Minha filha se desenvolve tanto nessas viagens que não é possível que estejamos fazendo algum mal para ela (opiniões contrárias podem se manifestar). Até porque existem limites, lógico, e ela não comeu eisbein nem tomou cerveja, ok? Pensa bem:
1. Ela passa uma semana toda, 24h por dia, com pessoas que ela ama de paixão: a mãe, o pai e a avó (desculpem a falta de modéstia, mas eu sei que ela me ama de paixão). E também tem a pepê (a chupeta), que não é uma pessoa mas ela também ama de paixão.
2. Enquanto numa semana rotineira ela passa a maior parte do dia em casa, nas férias ela passeia o dia inteiro, vê lugares e pessoas diferentes, ouve pessoas se comunicando em idiomas diferentes, come quando quer e o que quer, dorme tarde...
3. Tudo bem que tem a parte chata que é visitar museu e não poder brincar com nada (muito menos subir na cama que pertencia ao rei Ludwig II, ok, filha? Por favor, entenda, você já é uma mocinha). Mas depois tem a compensação de correr à vontade em um parque diferente, tomar sorvete fora de hora, ser paparicada o dia inteiro...
4. Quando estamos em lugares públicos, faço o possível para evitar birras ou pitis, o que significa ceder mais que o normal. E, numa viagem dessas, em que passamos a maior parte do dia em lugares públicos, a garotinha fez a festa. Chupeta, então, era aquela manha. Cada vez que era contrariada, começava aquele choro sem lágrimas que as mães conhecem bem: "pepêeeeeeee, mamãaaaaaaaae, pepêeeeeee, buáaaaaa" (lágrimas, por favor, para dar mais veracidade à cena!). Se rola uma dessas no meio de um museu, o que a gente faz? Bota a rolha para acalmar. Uma combinação que fizemos com ela era a seguinte: ou colo ou pepê. Se quisesse ficar no colo em vez de ficar no carrinho, não podia de jeito nenhum ficar de chupeta. E funcionava direitinho, essa criançada é muito esperta. (Eu sempre preguei que nunca aceitaria esse tipo de negociação com filha minha, mas tô aqui pagando a língua). Quando ela queria a chupeta, ficava no carrinho sem reclamar e poupava bastante as nossas colunas. Só teve um dia em que ela teve um piti no meio da rua em Munique porque queria ficar no colo e de chupeta. Lugar aberto, maior barulho. Pois colocamos ela no chão na marra e a bichinha ficou berrando, roxa, se agarrando nas minhas pernas, ajoelhando no chão... (sabe aquela história da criança se jogando no chão do shopping?). Como estava na rua, deixamos chorando até acalmar. E não cedemos. Ela se cansou, foi para o carrinho e dormiu em um minuto. Na verdade, o showzinho era puro sono.
Mas hoje acabou a farra. Voltamos aos horários habituais de alimentação, banho e sono - este, na medida do possível por causa da recuperação do fuso (sem bem que a volta é bem mais fácil de recuperar). E pepê só na hora de dormir. Sem grandes traumas. Eu estava receosa se ela iria voltar a comer direito, mas já entrou no eixo rapidinho (também, com aquele feijãozinho da dona Nicinha...). E agora, se chorar porque quer a chupeta, fica chorando até acalmar e se distrair com outra coisa. Em casa poooooode espernear à vontade. Ela sabe que agora não está mais no comando. Porque se deixar, aquele serzinho lindo, encantador e muito inteligente se espalha, cresce e toma conta da casa.

Um comentário:

Paloma, a mãe disse...

Eu também relaxo da rotina quando viajo (mas só consegui isso depois que ela completou 1 ano). E negociações, ao meu ver, são necessárias, seja em viagens ou em casa. Eu hoje não vivo sem elas, hehe!