segunda-feira, 15 de junho de 2009

11 horas no avião

O voo de ida era a minha maior preocupação em relação à viagem. O avião saía de SP às 13h, e chegaria em Munique (no nosso horário) por volta de meia-noite. Só que, na Alemanha, já seriam 5h da manhã. Para ambientar os passageiros, as companhias aéreas costumam regular o horário do jantar de acordo com o horário do país de destino. Então, quando ainda eram por volta de 5 da tarde, eles já estavam servindo o jantar e preparando o pessoal pra dormir. Mas eu tinha certeza que não seria tão fácil enganar o organismo da Luísa. E, de fato, não foi. Das 11 horas de viagem, ela ficou acordada umas 9 horas, mais ou menos. Quando ela dormiu, achei que iria ficar bastante tempo, mas acordou toda animada como se fosse aquele cochilo da tarde. Mas não deu trabalho algum, ficou apenas brincando. Alguns pontos relevantes:
- O pessoal da alfândega é bastante flexível quando se viaja com bebês. Meu marido queria que eu deixasse em casa o leite em pó, Toddynhos, sucos de caixinha e biscoitinhos que eu tinha separado, certo de que não iriam passar na alfândega. Mas eu resolvi arriscar e eles deixaram passar tudo, até a garrafa de água (desde que eu deixasse dentro da bolsa para que ninguém visse). Na volta, na Alemanha, foi a mesma coisa. Me deixaram até passar com as uvas que eu tinha me esquecido de tirar da sacola. Se bem que, quando eu fui para a Argentina, uma mãe disse que não a deixaram passar com papinhas da Nestlé. Não sei se eu dei sorte ou ela é que deu muito azar.
- Me preparei muito para esse voo, pensando em atividades para entretê-la. Comprei um livro de bichos que vinha com massinha de modelar e fiquei fazendo os bichinhos da selva pra ela brincar (ela amou aquilo e brincou com ele a semana toda). Só dei lá dentro do avião, pra não perder a novidade. Levei também o DVD portátil, giz de cera e papel pra desenhar, pratinhos, panelinhas e itens de cozinha que ela adora.
- Inicialmente, reservamos apenas três passagens (para mim, meu marido e minha mãe), e a Luísa iria como bebê de colo. Meu marido estava certo que a Luísa ficaria bem no colo e dormiria no bercinho. Mas eu estava bem preocupada. Insisti que ela não caberia naquele bercinho, porque é realmente para bebês, e no final ligamos na companhia aérea e eles confirmaram que o bercinho é só para bebês de até 9kg, parece. Como nós viajaríamos com milhas, resolvemos comprar então um assento para a Luísa. E foi a melhor coisa, porque senão ela não teria espaço pra brincar e seria muito complicado para dormir no colo. Como eu já disse em dicas anteriores sobre viagem de avião, é muito importante ficar em poltronas que tenham espaço na frente. Se for viajar de classe econômica, reserve os assentos da primeira fileira. Porque se o bebê ficar preso na poltrona e não tiver muito espaço pra se movimentar (e poltrona de avião às vezes é mais apertada do que de ônibus), ele vai dar mais trabalho, vai querer ficar circulando no corredor o tempo todo. Se for de executiva, o espaço é bem melhor e ainda tem TV individual (e controle remoto com muitos botões) pra ajudar a distrair. Quem viaja muito e tem milhas acumuladas, vale muito a pena dar um upgrade para a executiva.
- Como a minha filha já saiu da fase das papinhas da Nestlé, pedi antecipadamente para a cia aérea que fosse providenciada comida para criança (isso tem que ser feito por telefone, antes da viagem) e o cardápio infantil funcionou bem (fomos de Lufthansa, ótima empresa). Mas eu tinha as bolachinhas, sucos e etc para os momentos de fome extra-jantar. Os comissários de bordo também costumam ser bem prestativos quando levamos bebês e crianças pequenas. Ás vezes tem até presentinhos.
- Na volta, como o voo era por volta de 22h, foi tudo uma maravilha. O avião mal tinha decolado e a Luísa dormiu. Acordou uma hora e meia antes de chegar no Brasil quando eles acenderam as luzes para o café da manhã. Melhor impossível. Ou seja, se eu pudesse ter evitado voo de dia, seria o melhor dos mundos. Mas não tivemos escolha, então ok. Eu só fiquei preocupada à noite porque a Luísa se mexe muito e por duas vezes ela quase caiu da poltrona.
- Na volta, meu marido continuou na Europa a trabalho e eu voltei sozinha com a minha mãe, a Luísa, as malas, as sacolas de mão, as inevitáveis sacolas com compras e o carrinho. Aí deu pra sentir o que seria a viagem só em dois adultos. O trabalho não é a Luísa em si, mas sim carregar toda aquela tralha e mais ela (e com isso tudo ainda tentar fazer comprinhas no freeshop). No Brasil, um funcionário do aeroporto de Guarulhos se ofereceu pra nos ajudar e foi com a gente até a esteira de bagagem - foi literalmente uma mão na roda. Aliás, essa é uma dica importante para quem viaja sozinha com bebê. Quando eu viajei sozinha com a Luísa de colo, quando ela tinha dois meses, também pedi ajuda no aeroporto (Congonhas) e um funcionário foi carregando uma sacola minha e o bebê conforto até dentro do avião.

5 comentários:

cissa disse...

É que você deu sorte de parir uma santa. Menina, o que já vi nesses vôos da vida é puro terror.

Roberta disse...

Isso é verdade, a Luísa é bem calminha. Se fosse meu sobrinho, por exemplo, certamente não seria a mesma tranquilidade. Ele teria tocado o terror no avião, correndo pra lá e pra cá...

Cissa disse...

Teve um uma vez, isso na classe executiva (up grade por overbooking, nada de milhas), que uma dessas pestes resolveu que a brincadeira mais legal era puxar o meu cabelo e jogar coisa na minha cadeira. Ele estava sentado atrás de mim, a mãe dormindo, capotada, e o pai assistindo filme com o fone. E aquele aprendiz de demo amolando e xingando todo mundo em espanhol...parecia personagem de comédia do Almodóvar.

Roberta disse...

Hahahahaha, Cissa, só você mesmo. Eu me arrisco a dizer que nesse caso o problema é provavelmente a falta de educação em casa. Mas é difícil julgar sem saber, até porque não sei como a minha filha vai ser daqui para frente. De repente esses pais são legais, rígidos, e a criança é uma peste mesmo... sei lá, né.

cissa disse...

Ro, a Luísa não tem a menor chance de ser algo próximo ao que era aquele menino. Sério. Os pais nem olhavam para o garoto, que azucrinava sem parar todo mundo! Era um conjunto de falta de paciência (dos pais), educação (da peste) e uma personalidade bem marcante. Então, não se preocupa. Aquilo é penitência e você não fez nada de errado! :)