quinta-feira, 25 de junho de 2009

O meu parto

10 de agosto de 2007, sexta-feira. Dormi bem à noite, apesar de não ser muito fácil lidar com uma barriga aos 9 meses de gravidez. Precisava de pelo menos quatro travesseiros pra ajudar a movimentação e apoio na cama. Mesmo assim, me sentia bem.
Foram nove meses de uma gestação que posso chamar de perfeita. Sem complicações, com muita energia e calma, apesar da correria de fazer mil coisas ao mesmo tempo (o que acontece com praticamente todas as grávidas que eu conheço). Nos últimos dias de gravidez, a tensão aumentou um pouco. Expectativas de como seria o parto, se eu sentiria muitas dores, se conseguiria mesmo ter parto normal, se o Luiz estaria próximo no dia, se eu estaria sozinha na hora de ir pra maternidade e todo o "depois" completamente novo que eu iria enfrentar.
Quando acordei, senti um pouco de cólica. Nada exagerado. Estava com 39 semanas de gestação. Naquele dia, graças a Deus, o Luiz trabalharia em São Paulo. Depois que ele saiu de casa, minhas cólicas aumentaram um pouco. Por volta das 10h da manhã, liguei para o Dr. Ricardo, explicando que estava sentindo contrações seguidas de uma dor que se estendia até as costas – eu havia lido que estes eram os sintomas do trabalho de parto, e é mesmo batata! Ele então pediu que eu monitorasse as contrações e ligasse em uma hora pra dizer a freqüência. Tive cerca de 5 em uma hora. Como eu teria consulta às 14h, o Dr. Ricardo disse que daria para nos encontrarmos no consultório porque as contrações ainda não estavam no ritmo suficiente para eu ir ao hospital. Perguntei se eu poderia ir à manicure (!), porque não havia feito a mão naquela semana. Ele falou que sim, porque seria até uma forma de controlar minha ansiedade. Pois então fui fazer a mão e o pé no salão perto de casa. Fui andando. Sentia contrações enquanto as moças cuidavam das minhas unhas, mas elas nem perceberam que algo acontecia. Dr. Ricardo depois me disse que nunca mais vai mandar alguma paciente dele pra manicure quando ela estiver em trabalho de parto.
Quando voltava para casa, senti a freqüência das contrações aumentar (deu aquela travadinha básica no meio da rua) e decidi ligar pro marido pra dizer que achava melhor dar uma passada na maternidade (que é vizinha de casa) antes de ir para o consultório (que ficava em outra região da cidade). Eram mais ou menos 11h40 da manhã. Quando liguei pro Luiz, ele largou o que estava fazendo no escritório e veio correndo pra me levar para o hospital. Estava mais nervoso do que eu. Fiquei deitada na cama com toda a calma do mundo. Arrumadinha pra sair, sem desespero, respirando mais fundo quando sentia as contrações.
Cheguei na maternidade por volta de 12h30. Na recepção, eu disse que queria apenas monitorar um possível trabalho de parto, no sossego. Ficamos ali no sofazinho esperando para sermos atendidos. Quando a enfermeira foi medir minha dilatação, arregalou os olhos: eu estava com sete centímetros de dilatação!! Minha filha estava quase nascendo!! Correria geral pra preparar a papelada da internação, enquanto minha irmã tirava meus brincos, colar e badulaques e a outra enfermeira trocava minha roupa por um avental. A enfermeira ligou para o Dr. Ricardo imediatamente e já veio com a notícia: “então... o Dr Ricardo já falou com um médico amigo dele e pediu pra ele vir pra cá, porque ele está vindo de Santo André e está preso no trânsito na Anchieta”.... pensei... ‘legal’, não vai dar tempo de o meu médico chegar e vou parir com uma pessoa desconhecida...
Me colocaram na maca e me levaram pra uma salinha de pré-parto enquanto preparavam a sala chamada de Delivery, especial para “partos humanizados”. A sala é ampla, com luzes no teto imitando estrelas, música ambiente, banheira de hidromassagem, bolas grandes para exercício e tudo mais. Ali você pode ficar quantas horas forem necessárias até o nascimento do bebê. Ali são realizados apenas partos normais - das poucas mães que o preferem, infelizmente, nesse país da indústria da cesárea. Quando não é possível o parto normal e há necessidade de se fazer a cesariana, a mãe é transferida para o centro cirúrgico. Como eu cheguei já com dilatação bastante avançada, entrei na sala e fui direto para a anestesia (eu queria parto normal, mas do jeito menos doloroso, com anestesia). Eu estava bastante calma e tenho certeza que isso ajudou muito. De repente abre a porta, esbaforido, o Dr. Ricardo. Ele contou que veio quase voando pelo acostamento, escoltado por um carro de polícia. Ufa! Deu tempo.
O Luiz não precisou se paramentar, porque naquela sala Delivery não é preciso. E a minha irmã, única que chegou em tempo, também pôde ficar na sala pra assistir ao parto. Não passei por aquilo que via naqueles programas de TV mostrando um parto normal. Não fiz caretas, não mordi o lençol, não gritei, não chorei. Apenas respirava fundo quando vinham as contrações e só. Depois da anestesia, nem as contrações eu sentia mais. O anestesista é que me avisava pra fazer força para empurrar quando minha barriga endurecia. Nada de dores ou desespero. Até falei no celular com a minha mãe em pleno trabalho de parto – para explicar o caminho pro taxista (ela veio voando de Sorocaba pra SP) e para tranquilizá-la. Como eu estava encarando tudo numa boa, acalmava também o Luiz, que ficou junto de mim o tempo todo. O nascimento de Luísa foi lindo e tranqüilo, como tudo estava sendo desde o início da gravidez. Fiz um pouco de força pra empurrar e ela simplesmente saiu de dentro de mim - como diz a música Luísa do Tom Jobim, “como um brilhante que partindo a luz explode em sete cores, revelando então os sete mil amores que guardei somente pra te dar Luísa...” Ela nasceu às 15h20, super saudável, 3 horas depois que cheguei ao hospital. Vocação total pra parideira.
O Dr Ricardo chamou o Luiz, que estava ao meu lado, pra ver a bebê nascendo de frente (e olha que não achávamos que ele teria coragem). O Luiz foi correndo e viu a Luísa nascendo, privilégio que eu não tive por esse mesmo ângulo. Ele chorou tanto que emocionou até ao médico. Depois trouxe a Luísa nos braços, embrulhada como um pacotinho, e a colocou junto de mim... ali ela ficou por quase uma hora. Junto do meu peito, sentindo o calor do meu corpo e se aproximando ainda mais de mim, que a carreguei na barriga por nove meses.

18 comentários:

Glauco disse...

Lindo!

Mari disse...

Alice nasceu nessa mesma sala do São Luís, 18 dias depois! Nosso parto foi bem parecido - o meu só demorou um pouco mais...
Beijo!

Paloma, a mãe disse...

Lindo relato!

disse...

Lindo mesmo. Meu parto foi quase igual, cheguei à maternidade às 17:30 com 6 de dilatação depois de um dia de trabalho, salão de beleza e muita tranquilidade. A única coisa é que não pude escolher um parto normal sem dor, estava numa maternidade pública e a Maria Ísis resolveu mudar de posição exatamente na hora de nascer, portanto, meu trabalho de parto durou 2 dias inteiros sem dor e mais 3 horas e meia de MUITA dor rsrs, mas valeu a pena, em 09 de outubro de 2007, nasceu Maria Ísis às 23:07 min.

Lu Terceiro disse...

Oi Rô, que delícia! Minha maior frustração da minha gravidez foi não ter tido o parto normal (mas aprendi a minha lição, se outro vier, já fiquei bem esperta em relação aos médicos :P). Que o seu relato encorage outras mães a seguir pelo mesmo caminho :) beijos!

Roberta disse...

Oi, Lu, sempre gosto de contar a minha história justamente por isso, para encorajar as mulheres que morrem de medo de tentar um parto normal e já agendam a cesárea sem sequer tentar. Lógico que nem todas têm a mesma sorte de ter um parto rápido e tranquilo como o meu e o da Mari, que também deixou aqui seu depoimento.
Não acho que o parto normal nos faz melhores mães ou mulheres. Acredito que o mais importante é preservar a vida e a saúde do bebê e da mãe.
Mas acho importante ter um médico que seja favorável ao parto normal. Eu não sou das mães mais corajosas, porque não optaria pelo parto natural sem anestesia, por exemplo, e acho que faria uma cesárea sem grandes traumas se meu médico (que eu confio e sei que só faria uma cesariana realmente em caso de risco) dissesse que era necessário. Mas por sorte deu tudo certo e a coisa aconteceu da forma mais natural possível.

Cissa disse...

Faltou contar que 20 minutos depois você já estava como se nada tivesse acontecido, ligando normalmente para as pessoas para a avisar que a Luísa tinha nascido. Eu, que atendi o telefonema, nem acreditei na sua calma! Olha, diga para o Dr. Ricardo que ninguém merece parir com as unhas mal feitas! Que, aconselhe sim as mulheres a irem na manicure antes do parto. O bebê nasce mais bonitinho! :) Aliás, boa idéia para um negócio: salão de beleza para hospitais. Uh?

Roberta disse...

Nesse caso é bom dar curso de parteira para as manicures, né, Cissa!? Aconselhada pelo Dr. Ricardo, quase que eu tive a Luísa no salão!!! hahaha

disse...

Poxa Roberta, você nunca responde aos meus comentários, estou ficando carente rsrs.
Parabéns pelo blog mais uma vez, é uma lição de aprendizado diário para nós mamães de primeira viagens e para as outras de outras viagens também.

Roberta disse...

Ô, Vê, me desculpe!!!! Adoro seus comentários, leio todos!! E admiro a sua coragem de aguentar toda essa dor e insistir no parto normal. Ainda bem que você conseguiu, né? Uma amiga ficou um dia todo tentando, tentando, sentindo dores, e na hora H o bebê também virou, mas foi de um jeito complicado e ela teve que fazer cesárea na última hora. Ou seja, teve as dores do parto e ainda o corte da cesárea. Mas é assim mesmo, né? Beijos, querida!!

Cath disse...

Fiquei emocionada com o relato do seu parto! Confesso que estou muito receiosa quanto ao parto normal, mas lendo o seu me deu mais vontade ainda de fazer.
Meu médico me deixou escolher, mas me disse que alguns fatores podem nos levar à fazer cesárea, mas ele não é daqueles que te empurram a fazer cesárea, o que me deixa muito tranquila.
Ainda falta 1 mês para o meu bebê nascer e vamos ver no que vai dar!
Beijos e chutinhos

carolina da mata disse...

Oi Roberta, conheci seu blog hoje estou com uma pequena de 9 meses....o parto dela foi um pouquinho diferente, ela estava com mais pressa que Luisa, cheguei as 8 h 45 da manha e ela nasceu as 9h18min...já estava com 8 de dilatacao e ainda fui andando para sala de parto, foi lindo, mas nem deu tempo de por a ´toquinha´...rsrsrsrs
beijos e parabéns pelo blog, já está nos meus favoritos....

Mari disse...

Muito emocionada com o seu relato! Tbém vou ter no São Luiz daqui pouca semanas (faço 37 hoje) e se Deus quiser o Delivery Room é nosso!!! rsrsrsrs
A vontade de ter normal é tanta que nem penso na dor... Acho q ela nem vai existir...
Adorei tbém a história da manicure!
Parabéns! Bjos!

Cíntia Anira disse...

Seu relato é lindo! Quem me dera eu tenha um parto tão tranquilo. Parabéns pela calma! Abs.

Patrícia Boudakian disse...

Que lindo relato! Não tinha lido ainda. E adorei. Me emocionei. Espero que consiga parir um dia como você. Normal e lindamente. Gosta cada vez mais do seu canto. Beijo

Patricia Ramos disse...

Oi, Roberta, conheci seu blog através da minha amiga-comadre Alessandra que sabe que amo histórias de grávidas e bebês. Ainda não sou mãe, mas sou rodeada de crianças, duas afilhadas e acaba de nascer minha sobrinha, filha da minha irmã 6 anos mais nova do que eu... então comecei lendo aqui a história do seu segundo parto e vim parar aqui no primeiro e é lógico que fiquei bastante emocionada e chorei muito rsrs ainda mais quando li que sua irmã assistiu o primeiro parto. E fico exremamente feliz de ver tantas mães a favor do parto normal, mesmo sem ter engravidado ainda eu quando vou a um ginecologista pergunto logo se é a favor do parto normal rsrsrs
PARABÈNS pelas filhas lindas e pelos partos tranquilos!!! Muita felicidade para todos da sua família!! Com certeza o seu blog está nos meu favoritos e se quiser dar uma passadinha no meu fique a vontade!!! beijos

Ana Carolina disse...

Não canso de ler relatos de parto e o seu foi lindo!!!!

Ana Carolina
www.quasemaepai.blogspot.com

Ana Paula disse...

Que lindo relato! Parabéns!