terça-feira, 23 de junho de 2009

Confissões (?) de mãe


A Lu, do Nhoc, tem uma prática super bacana de repassar seus livros já lidos para outras pessoas. E ela, fofíssima, me mandou o "Confissões de Mãe" (ed. Equilíbrio), da Maria Mariana (aquela que fez o maior sucesso com o Confissões de Adolescente nos tempos da nossa adolescência). Eu não tinha intenção de falar sobre o livro aqui no blog, até porque o assunto já foi mais do que batido por aí. Mas é impossível não comentar, juro!!
Respeito a Maria Mariana por sua história e por ter a coragem de abandonar a carreira por dez anos para assumir seu papel de mãe integral de quatro filhos. Legal a campanha que ela faz pelo parto normal. Também acredito, como ela, que ser mãe passou a ser a atividade número 1 da minha vida, acima de qualquer outra.
Mas acho que ela se equivocou ao tratar suas opiniões como verdades absolutas, além de dar dicas que os médicos e especialistas já consideram ultrapassadas. Vou listar abaixo algumas passagens do livro para que as pessoas que não leram entendam do que estou falando:
1. "Descobrimos que é possível se sentir linda mesmo estando há anos sem entrar em um salão de beleza. É possível se sentir sedutora usando xampu de jacaré e perfume de bebê. É possível ficar poderosa sem usar salto alto. Se sentir uma leoa com a unha cortada no sabugo. Ter confiança na própria aparência sem nem lembrar que existe um espelho".
Geeeeeente!!! Uma coisa é ganhar auto-confiança com a maternidade. Isso, sim. Creio que as mulheres se sintam mais maduras, mais fortes, mais seguras. Não sou das mais peruas ou excessivamente vaidosas, mas... se sentir linda e sedutora usando xampu de jacaré e estando há anos sem entrar em um salão de beleza? Será que ela se sentia sexy usando aquela calcinha bege enorme a la Bridget Jones?
2. "A responsabilidade do pai é outra. Cabe à mãe ensinar filho a gostar de si mesmo.(...) Cabe à mãe ensinar o filho a aprender. Cabe à mãe oferecer sempre colo certo. Cabe à mãe abrir os canais de amor na percepção emocional do filho."
É lógico que, quando uma mãe fica em casa com o filho e o pai vai trabalhar, a mãe passa a ter muito mais responsabilidade sobre essas questões. Mas não acho que se pode generalizar e dizer que nada disso é papel do pai. Mesmo que seja por um número menor de horas por dia, acredito que o pai tem, sim, parte importante na transmissão desses valores. Não acho assim tão fácil separar: a mãe ensina X, o pai ensina Y. Até porque depende de como é a mãe, depende de quem é o pai, depende da dinâmica do casal...
3."A mulher precisa ser mãe entre os 20 e 30 anos de idade. Antes é cedo e depois é tarde. É possível administrar este cedo e este tarde, porém será mais trabalhoso."
Eu tive minha filha aos 31, e acho que foi muito melhor do que se tivesse tido aos 22. Esse comentário parece aqueles ultrapassados do livro do Rinaldo De Lamare...
4."As mulheres que passam a gestação com medo de engordar, medo de o peito cair, medo de perder a sensualidade, medo de perder o marido somatizam estes medos em enjoos, pressão alta etc..." Nem dá para comentar essa generalização.
5."Penso que para a mulher que dá o devido valor ao lugar de mãe, amamentar possa ser mais fácil". Também não vou comentar essa. Então quem tem dificuldade de amamentar é porque não dá o devido valor ao seu lugar de mãe?
6. Agora.... a parte mais sensacional de todas, em que ela fala sobre 'alcançar a maturidade no casamento': "Quando você encontrar uma cueca usada do seu marido no chão, ao lado do cesto de roupa suja, agradeça a Deus a oportunidade de aumentar a paciência, evoluir. Depois de um dia inteiro ralando com seu filho e seu amado lhe perguntar "Tá cansada de quê?", respire fundo e agradeça: que bela oportunidade!"

8 comentários:

Cissa disse...

Bons conselhos. Só um minutinho que eu vou agradecer a Deus pela oportunidade de aumentar a minha paciência e pedir que me ajude a dar o devido valor ao lugar (nem papel é) de mãe.

Paloma, a mãe disse...

Gente, NOJO desta mulher e do que escreve. Repugnante!

Glauco disse...

Mulheres: respirem fundo e agradeçam a oportunidade.... kkkkkk... essa foi demais.
Nem a minha avó concordaria.

Roberta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
disse...

Cada um na sua onda...

Taís Vinha disse...

Amei a número 6! Para guardar e me lembrar todas as vezes que estiver para pegar a luva de box. Quem sabe eu comece a rir e evite socar um. Muito legal seu blog, Roberta! E suas considerações sobre o livro são ótimas. Eu acho que tá na hora da gente que é mãe parar de se julgar. Precisamos é de reconhecer que cada uma faz seu melhor e dar colo uma pra outra. Cada uma tem sua história, sua realidade e seu tempo. Reconhecer isso já seria um grande avanço. Já viu pai dizendo que isso é certo e isso é errado? Eles querem mais é tomar cerveja e falar de futebol. A culpa toda do mundo, eles deixam pra gente sentir. Bjs!

Roberta disse...

Pois é, Taís, é verdade. Parece mesmo que essa parte da culpa ficou pra gente! Bom, pelo menos alguém consegue ter equilíbrio na família, né? rsrs

Adri disse...

Gente, que absurdo! O pior foi dizer que depois dos 30 é tarde para ter um filho. Sem comentários...