segunda-feira, 27 de abril de 2009

Refém da babá

Eu sei que não é fácil engolir determinadas coisas que temos que engolir nessa relação com as babás. Mas tenho ouvido algumas histórias de pais que se tornaram totalmente reféns dessa relação, um verdadeiro inferno.
Uma amiga está com a mesma babá desde que a filha dela nasceu, há três anos, e me disse que esta é a relação de ódio mais duradoura que ela já teve até hoje. Ela chora de raiva e conta os dias para chegar a folga da mulher, mas não consegue mandá-la embora porque a filha a adora e, como ela trabalha fora, depende dessa pessoa (a filha vai para a escola meio período, e o restante do tempo fica com a babá). Diz que a mulher é uma excelente babá, da linha "educadora super experiente", mas ela é mandona e arrogante. A mulher manda não só na filha como nela própria.
Como ela trabalha muito e confiava na experiência da babá, ela admite que acabou terceirizando para a babá parte do seu papel de mãe, delegando a ela todos os cuidados e as rédeas da criança. O problema é que, quando fazem a linha das "espertas", as babás acabam criando essa relação de total dependência com os pais inseguros, que acham que não conseguiriam achar outra pessoa tão experiente quanto elas. A consequência é que as moças deitam e rolam enquanto os pais se sentem obrigados a conviver dentro da própria casa com pessoas que não suportam.
Essa amiga se deu conta que o erro dela foi lá no comecinho, quando a filha nasceu. Ela confessa que deveria ter mantido o controle da situação desde o primeiro dia, por melhor que a babá fosse (se bem que depois que o tempo passa é mais fácil enxergar isso do que quando estamos vivendo uma fase inicial de total insegurança com o primeiro filho). Ela sente que deveria ter tido voz firme na casa desde o início, porque agora não consegue mais reverter a situação com esta pessoa. O grande risco, dizem os livros e especialistas, é que sem perceber os pais estejam também delegando para a babá e para a escola um papel que deveria ser deles, que é o de educar e transmitir os seus valores.

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