quarta-feira, 7 de maio de 2008

Amamentação e primeiros 15 dias

Mantenha a calma. Se eu pudesse dar uma única dica para esta fase - que não é bolinho - seria esta. A forma como a mãe encara o turbilhão de novidades dessa etapa, que são os primeiros 15 dias após o nascimento, será determinante para que a vida nesse período seja um inferno ou uma deliciosa bagunça. No meu caso, graças a Deus, só tenho boas lembranças porque me foquei nas coisas boas. Não que tenha sido tudo um conto de fadas - sofri à beça com a amamentação e tive que dormir uma noite no hospital quando a Luísa tinha 3 dias por conta de uma hemorragia. Mas, surpreendentemente, a minha eterna ansiedade da gestação transformou-se em um poço de serenidade após o nascimento da Luísa. E isso eu tenho certeza que passou para a bebê, para o meu marido, e ajudou a fazer com que os problemas passassem bem rapidinho.
Além da calma, outros fatores ajudaram muuito:
- Meu marido foi um super companheiro. Tirou a primeira semana pra ficar com a gente e quis participar de tudo.
- Minha mãe, que passou os primeiros 15 dias com a gente, é uma excelente companhia, um ser evoluído espiritualmente e de super bom-senso. E bom-humor. Ela soube me dar forças e conselhos sem se meter na forma como eu agia com a Luísa e com a casa, soube dar espaço para os momentos do casal e, acima de tudo, ajudou a deixar o astral da casa altíssimo. Nos divertimos à beça nas madrugadas (eu, ela e o Luiz). Mas eu tenho amigas que passaram pelo oposto nessa fase com mães e/ou sogras, porque elas se metiam em tudo e não respeitavam a individualidade do casal, tornando esse período um inferno. Nesses casos em que você precisa da ajuda delas, mas já sabe que vai dar confusão, tente abrir o jogo logo de cara, combinando algumas regras em relação à administração da sua casa e também deixando claro quem é a mãe do bebê na história.
- Se estiver com dificuldades na amamentação na primeira semana (o bico geralmente racha no início e a gente vê estrelas na hora da mamada), procure ficar sozinha com o bebê ou no máximo com uma pessoa da sua extrema liberdade e confiança no momento de amamentar. E tenha paciência que logo passa. E, se o bebê estiver com dificuldades de pegar o peito, uma hora isso também vai passar desde que você mantenha a calma. O nervosismo só atrapalha nessa hora, e pode até fazer secar o leite. Se estiver com dificuldades, procure ajuda. Há vários grupos especializados em aleitamento materno que podem te ajudar. Não desista.
E não se desespere, porque essa parte mais chata da amamentação geralmente ocorre só na primeira semana. Logo você vai tornar esse momento um grande prazer. A Luísa está hoje com quase 9 meses e quem está sofrendo mais com a possibilidade de desmamá-la sou eu. Estou tirando aos poucos, mas já me dá um aperto só de imaginar... Adoooro amamentar, adoro essa relação de extrema intimidade com o bebê.

- Quanto às milhares de dicas e conselhos que você vai receber, aproveite aqueles que acha que vale e ignore o restante. Responda "ah, legal, vou tentar mais tarde" e não dê mais trela. Senão você vai ficar louca.

Um comentário:

elaine disse...

Oi Roberta! Aqui, Elaine. Vce tem razão, amamentar não é fácil. Eu nem sabia o que era leite empedrado. Descobri no primeiro dia aqui em casa com o bebe. No hospital as enfermeiras dizam que estava tudo bem comigo porque viam sair algumas gotinhas do meu peito. Não estava. No primeiro dia em casa o Rafael chorava sem parar e não sabia porque. Passamos uma noite inteira sem dormir. NO dia seguinte liguei para uma enfermeira especialista em amamentação que veio em casa me ajudar. Ela olhou para o meu peito e disse: está empedrado. Isso acontece geralmente nos primeiros dias depois do nascimento. O leite "desce" para o peito mas nesse caminho acaba "empedrando", dá pra sentir isso apalpando o seio. Pequenos caroços se formam no lugar das glândulas inflamadas. Dói muito. Pra isso não acontecer (descobri depois) é preciso massagear o peito pelo menos uma semana antes do parto e depois dele também. E massagear bastante! Não fiz isso. A primeira orientação de palpiteiros de plantão que tive pra resolver o problema foi a seguinte: precisaria colocar toalha quente sobre o peito pra soltar os nódulos. Gente, isso tá errado! Se colocar toalha quente o calor vai estimular ainda mais a descida do leite e, o peito que já está inchado e não dando vazão ao leite, vai ficar ainda mais inchado e dolorido. O ideal - segundo o pediatra que consultei e que me ajudou - é colocar uma toalhinha molhada com água morna ou uma bolsinha de gel, também morna, sobre o peito. Essas bolsinhas de gel são muito práticas porque podem ser aquecidas no microondas, muito mais prático (dar uma olhada antes na embalagem pra checar se vai mesmo ao microondas). Depois de uns 5 minutos sobre o peito comece a massagear até os nódulos se desfazerem. Eu usei um oleo de calendula da Weleda pra me ajudar na massagem. A enfermeira e o médico também me pediram para tomar Tylenol gotas, que ajudava a desinflamar os nódulos. O processo é muito dolorido no início, vi estrelinhas, chorei. Mas depois de uma semana começa a se normalizar tudo. Hoje estou amamentando tranquilamente, nunca mais tive esse problema. É importante não se desanimar com esses primeiros problemas. A relação que se estabelece na amamentação entre mãe e bebe é muito importante. Além de ser uma delícia ver aquele rostinho lindo colado ao peito!!