quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Sobre os ciclos da vida

Gente, feliz ano novo atrasado!

Sei que mais uma vez dei uma sumida, mas optei por passar meu final de ano e as férias com a família o máximo possível longe das redes sociais. E descobri o quanto é bom e libertador isso! 

Como vocês sabem, minha vida mudou bastante desde o ano passado, quando voltei a trabalhar fora em tempo integral. Foi uma decisão difícil, mas a cada dia tenho mais certeza que foi uma decisão acertada. Estou feliz e acho que tudo veio no momento certo na minha vida. As meninas se acostumaram bem e, na medida do possível, estou tentando equilibrar meus pratinhos. De vez em quando cai um ou outro, às vezes mais de um ao mesmo tempo, e eu fico meio arrasada, mas logo consigo recuperar e a vida segue!

O fato é que a vida é feita de ciclos, e para iniciar alguns tive que tomar a decisão de encerrar outros. Desde o final do ano passado eu deixei a sociedade do Mamatraca, filho querido que me deu tanto orgulho. Foi um prazer enorme ter feito um trabalho capaz de ajudar tanta gente, de provocar tantas discussões e, ao mesmo tempo, de ter aprendido tanto com ele. A troca que eu tive com minhas queridas (ex) sócias e com tantas outras mães (e pais) marcou minha vida como mãe e me ensinou mais do qualquer especialista poderia me ensinar. Foi uma experiência incrível, que me fez conhecer pessoas incríveis, mas chegou um momento em que eu não conseguia mais me dedicar. Meus objetivos de vida mudaram também, assim como minhas filhas cresceram e eu quis andar por outras searas além da maternidade. 

Esse blog aqui continuará sendo o meu espaço para que eu possa falar sobre maternidade quando tiver vontade, para que eu possa dar minhas dicas de sempre, e de vez em quando registrar algumas peripécias das meninas - apesar de atualmente ter optado por expor menos a minha vida pessoal. De novo, tudo na vida são fases, né? 

Beijos e um 2014 maravilhoso pra vocês!!





quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A E I O U e os Gabirus



É incrível acompanhar a fase de descoberta das letras, das palavras e da leitura. Luísa ainda não lê correntemente, mas já está totalmente absorvida pelo mundo das palavras. A escola onde ela estudou até agora tem como princípio não forçar a alfabetização e eu dou total apoio, acho que não é preciso ter pressa ou forçar a queima de etapas. 
Recentemente uma amiga jornalista que hoje mora em Manaus, a querida Liége Albuquerque, lançou um livro infantil delicioso chamado "A E I O U e os Gabirus", pela editora Valer. 
No livro, as letras são as personagens protagonistas da história, envolvidas em atividades do cotidiano sempre com reflexões super legais e divertidas. 

Um trechinho que eu adorei:

"Mas u era cuidadosa e muito curiosa. Como gostava muito de ler, um dia descobriu que tinha no dicionário a palavra tédio. 'Que palavra bonita para uma coisa tão triste', pensou a garotinha. É que ela já tinha explorado toda a casa da tia, todo dia a mesma coisa, nada para fazer diferente, ninguém com quem dividir a curiosidade... Era o tédio."

Como o livro tem bastante texto, recomendo para crianças a partir dos 5/6 anos, que já estão mais envolvidas com as letras ou em processo de alfabetização.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Dois posts num só: o dente que caiu e o autodesfralde



- Luísa perdeu seu primeiro dente no dia 18 de novembro. Ela estava muito ansiosa por esse momento, porque quase todas as amiguinhas já haviam ficado banguelinhas – algumas já perderam uns quatro ou cinco dentes. Quando ela percebeu que o dente estava mole foi a maior alegria. E agora mostra a janelinha pra todo mundo. Eu não me lembro desse momento ter sido tão importante pra mim como foi pra ela. E teve direito à fada do dente e tudo mais. Está certo que no meu tempo não tinha fada do dente, a gente jogava o dente no telhado e fazia um pedido qualquer, mas nada que resultasse em presente. Mas agora todo mundo fala da fala do dente que eu entrei na história – no fundo, gosto dessas fantasias da infância. A fada deixou R$ 10 debaixo do travesseiro dela (quisemos que fosse uma coisa bem simbólica mesmo), que pelo jeito ela vai guardar até os 15 anos. Aquela ali vai ser boa de economizar.


- Em setembro deste ano (notícia velha, mas quero registrar pra posteridade), Rafaela se autodesfraldou, sonho de minha amiga Dani Freitas. A fralda diurna eu tirei logo que ela fez dois anos, por volta de setembro do ano passado. E esperei que ela acordasse várias noites secas pra poder tirar a da noite. Ela começou oscilando: acordava dois dias secas, molhada no outro, depois dois dias seca de novo... e eu continuei esperando. Muuuuita preguiça de ter que dar banho em criança e trocar lençol da cama de madrugada. Aí ela começou a reclamar muito da fralda, não queria mais colocar. Até que ela começou a acordar de madrugada pra pedir pra fazer xixi, porque não queria fazer na fralda de jeito nenhum. Até que um dia ela à noite pediu pra dormir sem fraldas e eu deixei. E tchanã, ela continuou acordando pra fazer xixi à noite sem molhar a cama. Não é uma maravilha? Claro que aconteceram algumas escapadas, e muito de vez em quando ainda acontece uma ou outra, mas tudo bem normal. Botei um forro na cama e está tudo certo. Em tempo: a Luísa saiu da fralda noturna 6 meses depois da diurna, aos 2 anos e meio, e a Rafaela demorou um ano pra acordar seca, ou seja, desfralde total aos 3 anos.


quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Casaquetem ao vivo


Dando as caras por aqui pra dar uma dica bacana e dar uma força para uma amiga querida super empreendedora. O foférrimo site de vendas de decoração e design Casaquetem, da Lu Jock, vai promover um evento real para oferecer seus produtos em São Paulo entre os dias 22 e 24 de novembro. Ateliê das Três, Camila Lovisaro Joias, Daniela vidiz, Oidê Roupas Infantis, Terrarium e Wishi'n Sapatilhas são alguns dos expositores que estarão por lá. Ao todo serão cinco marcas infantis de roupas e brinquedos, além de recreação e aula de cerâmica gratuita para a criançada nos três dias às 15h.
Para quem nunca entrou no Casaquetem, os produtos são incríveis e com descontos exclusivos, recomendo. Boa dica pra evitar as correrias nos shoppings para compras de Natal. A entrada no evento é gratuita. 


Casaquetem ao vivo e em muitas cores e formas
22 a 24 de novembro de 2013, das 11h às 21h.
Rua dos Tamanás, 269. Vila Madalena - São Paulo-SP
(Próximo à Fnac Pinheiros e ao Instituto Tomie Ohtake)
Serviço de Vallet no local


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Essa tal de "sindromização" das crianças

Faz tempo que eu estou pra escrever sobre isso, mas não consegui encontrar um tempo. De qualquer modo, ando me irritando com essa história de "sindromizar" qualquer comportamento das crianças. E nesse tempo a Rosely Sayão escreveu um texto que retrata perfeitamente a impressão que eu tenho sobre esse excesso de medicalização nas crianças e o atual comportamento nas escolas de diagnosticar problemas médicos para todo e qualquer comportamento "não perfeito".

Abaixo o texto da Rosely Sayão que foi publicado esta semana no UOL:


Menino Maluquinho

A mãe de um garoto de nove anos pediu que eu a ouvisse a respeito das dúvidas que ela tem, no momento, sobre como conduzir algumas questões do filho. A história dela vai nos ajudar a refletir sobre como a lógica médica tem transformado nossas vidas e, principalmente, a vida dos mais novos.

O garoto é inteligente e, na escola, produz bem. Suas notas são altas mesmo sem estudar nada em casa ou fazer as lições que a professora envia. A mãe quer que ele estude, faz o possível para que ele faça as lições, mas toda a paciência dela desaparece em minutos e eles terminam, invariavelmente, brigando quando ela se dispõe a acompanhar as tarefas do filho, pressionada que é pela sociedade para que haja assim.

É que o garoto não para e nem presta atenção em nada: fica pulando de uma coisa para outra e, por isso, a tarefa que poderia fazer em minutos se arrasta pelo dia todo. E é assim que ele se comporta na escola. A mãe já foi chamada várias vezes pela professora e coordenadora por causa do comportamento agitado e ruidoso do filho. Da última vez, a escola sugeriu que ela o levasse a um médico, e ela atendeu. Saiu do consultório com um diagnóstico do filho e uma receita nas mãos.

Ficou transtornada porque nunca considerou a possibilidade de o filho ter problemas médicos e foi à casa da mãe para desabafar. E ouviu o que a deixou agoniada. A mãe lhe disse que ela, quando criança, era igual ao filho. Também foi uma criança muito ativa e barulhenta e que deu muito trabalho mas, naquela época, não se costumava pensar que isso era sinal de alguma doença.

Essa mulher é uma executiva de sucesso, disputada no mercado de trabalho e, segundo ela, uma de suas características profissionais que a impulsionou é justamente conseguir fazer bem várias coisas ao mesmo tempo. "Um traço meu, que meu filho parece ter herdado, nele é doença?", perguntou ela.

Pois é: em outras épocas, crianças assim eram celebradas e não diagnosticadas. Quem leu "O Menino Maluquinho" deve lembrar-se de como Ziraldo o descreveu: "...Ele tinha o olho maior do que a barriga, tinha fogo no rabo, tinha vento nos pés, umas pernas enormes (que davam para abraçar o mundo)...".

De lá para cá, cada vez mais as crianças deixam de ser consideradas "crianças impossíveis" por causa de seu comportamento, como era visto o Menino Maluquinho, e passam a ser crianças doentes, portadoras de síndromes dos mais variados tipos e que precisam de tratamento.

O que antes não era considerado problema médico --insônia, tristeza, angústia etc.-- agora são doenças, transtornos, distúrbios, síndromes. A essa maneira de pensar é que chamamos de "Medicalização da Vida", e no mundo todo há movimentos que resistem a esse estilo. Na cidade de São Paulo, por exemplo, há um dia --11 de novembro-- dedicado à luta contra a Medicalização da Educação e da Vida.

Por que a Educação está em destaque? Porque nunca antes vimos tantas crianças diagnosticadas e tratadas, seja por "problemas de aprendizagem" como por características de comportamento.

É bom lembrar que o comportamento das crianças está em sintonia com o mundo em que nasceram, e que a aprendizagem humana é um campo muito complexo e diverso. Diagnósticos e tratamentos têm lidado com muito simplismo tais questões.

Que voltemos a ter mais crianças impossíveis (que, com seu comportamento, alegram a casa, como o Menino Maluquinho) do que crianças consideradas doentes!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

GNT busca personagens

Uma produtora do GNT me procurou pedindo ajuda para encontrar personagens para um programa que vai retratar novas estruturas familiares do Brasil e cá estou eu divulgando caso alguém se encaixe ou tenha alguma indicação.

O programa "Família é Família" do GNT, dirigido pelo João Jardim (diretor de "Lixo Extraordinário", indicado ao Oscar "Melhor Documentário 2011) está em busca de boas histórias de famílias que fogem ao convencional.

Apesar de muitas vezes expor temas complexos, como adoção ainda na barriga, famílias de pais gays e amigos que decidem ter filhos, o objetivo do programa é despertar a discussão mas sempre com uma visão positiva do assunto abordado. "Queremos deixar uma imagem construtiva desta nova estrutura familiar brasileira".
Segue link da última temporada do programa, quando ainda se chamava “Novas Famílias”: http://gnt.globo.com/novas-familias/videos/

A busca no momento é por:

- Famílias Mosaico (filhos do primeiro casamento de um, de outro e filhos em comum do casal atual)
- Adolescentes pais (que cada qual ainda more na casa dos pais)
- Casos de barriga solidária
- Adoção ainda na barriga
- Mulheres que tiveram filhos com amigos

Quem tiver interesse ou alguma história para indicar, entrar em contato com Priscilla pelo email prisci.pome@gmail.com

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma cruel realidade, um vídeo chocante

Esse vídeo é chocante. Arrepiante. Triste. Quem ainda não viu, precisa ver.

Na maior parte das vezes as mulheres não têm direito a fazer suas escolhas, e é aí que está o grande problema. Esse vídeo mostra claramente que a questão não pode se centrar em críticas ou julgamentos com relação às mães, mas sim de questionar um sistema que não nos dá a mínima chance.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Como é que dois filhos podem ser tão diferentes?


Quem nunca ouviu ou disse a frase: "como é que pode: filhos da mesma mãe e do mesmo pai, cresceram na mesma casa, com tudo igual, com a mesma educação... como é que são tão diferentes?"

Pois é. Aí é que está. Eu demorei muito pra entender que não, nossos filhos não são criados da mesma forma. Na verdade, só descobri isso depois que tive a minha segunda filha e a questão vai muito além das diferenças de personalidade dos filhos. Os valores essenciais podem e tendem a ser os mesmos, mas os cenários onde essas crianças crescem, exceto em caso de gêmeos, são bem diferentes.

Vou explicar.

1) Primeiro filho

Tem coisa mais tensa do que pais de primeira viagem? Por mais calmo que você seja, sua vida de repente é invadida por um mundo completamente novo. Além do tsunami que é o nascimento da criança por si só, ele traz junto uma mudança grande no casamento, na relação com a família, com a casa, com os amigos, com a vida profissional. Tudo ao mesmo tempo.

O primogênito nasce nesse ambiente de descobertas e ansiedades, enquanto os pais vão aprendendo a lidar com as situações na base da tentativa e erro. Eu, por exemplo, achava que tinha que ser certinha com tudo. Tinha horror à possibilidade de criar uma criança mimada e as referências que eu tinha me indicavam que eu precisava impor disciplina desde cedo. Eu admito com dor no coração que peguei muito menos no colo minha primeira filha do que eu deveria – me diziam que a criança iria acostumar mal, e que depois eu não iria mais conseguir fazê-la dormir no berço. Eu achava que tudo o que eu fizesse teria consequências irreversíveis. Como se tudo fosse assim tão simples e linear. Que bobagem!

Já a criança, desde que não seja gêmea, é por um bom tempo a única. É mais mimada, mais paparicada pela família, ganha brinquedos novos, roupas novas, quarto novo, convive com um exagero de consumo. Não precisa dividir seus brinquedos e nem o amor dos seus pais. Mas, ao mesmo tempo, é mais cobrada.  Tem que fazer tudo certo. E ele tem que fazer todas as suas conquistas sozinho.

2) Segundo filho

Quando ele chega, os pais já estão com a vida adaptada – filho, casa, família, trabalho, casamento. Ou seja, o nível de tensão é infinitamente menor - mesmo sabendo que cada criança é diferente da outra. Mais leves, mais relaxados, os pais não são os mesmos que eles eram quando engravidaram pela primeira vez.

O filho mais velho, que tinha tudo só pra ele, de repente tem que dividir a atenção dos pais, brinquedos, carinho, roupas, quarto. E quando nasce o irmão, continua sendo cobrado porque, afinal, é o mais velho e precisa ser compreensivo. Ele se torna o estereótipo do filho mais velho e responsável simplesmente porque nós o moldamos assim.

Agora vejam o ambiente em que surge o segundo: para começar, ele já nasce com a segurança de ter um irmão. Ele não sabe como é a vida sem isso, portanto sua necessidade de adaptação é muito menor em comparação ao primeiro. Já nasce dividindo tudo. E seus pais já aprenderam que muitas de suas verdades lá atrás não eram tão verdades assim. Minha segunda filha, por exemplo, ganhou mais colo - e, vejam bem, dormia muito melhor.

Essas diferenças parecem óbvias, mas nem sempre nos damos conta que elas nos fazem definitivamente educar nossos filhos de forma diferente. Não sei se isso é bom ou ruim, afinal é o curso natural da vida, onde aprendemos com a experiência. Mas o que eu posso afirmar é que, definitivamente, esse discurso de “como é que podem ser tão diferentes” não faz tanto sentido assim.



terça-feira, 17 de setembro de 2013

Feira de livros no shopping Eldorado

A dica não é muito nova, mas só hoje que passei por lá pra conferir e resolvi vir aqui (depois de um tempão desaparecida, né?) pra recomendar. Super oportunidade pra quem mora em São Paulo: está rolando até o dia 30 de setembro uma feira do livro infantil promovida pela editora Ciranda Cultural no shopping Eldorado.

Imagem daqui
Livros super baratos - pelo que pesquisei no site, todos com no mínimo 50% de desconto - e muitos achados ali dentro. Essa editora tem uma proposta mais popular, de livros a preços acessíveis, e por isso não trabalha com os autores mais famosos, mas tem alguns ótimos autores. Livros entre R$ 3 e R$ 50 (não vi nada mais caro que isso), sendo que a maioria custa entre R$ 10 e R$ 20, dá pra fazer a festa. Eu fiquei doida, fiz uma seleção e levei uma pilha pra casa. Excelentes opções pra dar de presente, inclusive.

Esse aqui acima, de capa dura e pop ups, sai por R$ 20. A história é de um menino que ouve uma voz dizendo "eu vou comer você" e fica com medo, mas quando ele vê monstros e fantasmas ele fica aliviado. O problema mesmo está quando ele encontra a irmãzinha dele comendo o último biscoito do pacote. Muito fofo e divertido.

domingo, 11 de agosto de 2013

O nascimento de um pai



Paola Saliby/UOL


O nascimento de um filho é como um tsunami que chega com tudo e vira a nossa vida de ponta-cabeça. "Nasce um bebê, nasce uma mãe" é a frase comumente repetida, mas não podemos nos esquecer que nascem também um pai, um novo marido/companheiro, um novo casamento, uma nova rotina e ainda a necessidade de repensar nossas verdades e reforçar valores.

Nós, mulheres, abrigamos o bebê no ventre, amamentamos, desenvolvemos naturalmente a relação visceral com a cria. Talvez por isso, inconscientemente, tendemos a achar que somos mais "donas" dos nossos bebês do que os pais, que precisam conquistar essa relação.

Tendemos a ser cruéis na cobrança que fazemos aos nossos companheiros. Por um lado, queremos que eles participem, sejam ativos, compartilhem de todas as nossas angústias, sejam compreensivos e parceiros. Mas também esperamos que sejam perfeitos nesse comportamento –dentro da nossa concepção de perfeição–, sem compreender que a natureza masculina é diferente da feminina.

Imaginar como a vida dos pais também se transforma com a chegada de um bebê é um exercício que poderíamos começar a fazer.

Reclamamos que eles não sabem onde fica o termômetro. Reclamamos porque compram tudo errado no supermercado. Reclamamos porque não entendem que, quando pedimos alguma coisa, queremos aquilo na mesma hora e não dez minutos depois. A sensação é que eles nunca fazem nada certo.

Adoro uma esquete do espetáculo "Grávido" chamada "Office Boy", em que o pai corre pra lá e pra cá, fazendo tudo o que a mãe ordena, logo após o nascimento do filho, e nada do que ele faz é suficiente.

Quando ele acerta, a mulher diz que ele não fez mais do que a obrigação. Ou então, quando o marido aparece pra atendê-la, ela responde: "não precisa mais, agora eu já fiz". Muitas vezes, os homens querem e gostam de fazer as coisas –só que do jeito deles– e nós não permitimos.

Temos de encontrar uma forma de a mulher e o homem darem valor ao simples fato de compartilhar a vida dos filhos, sem a cobrança de que existe um único modelo a seguir. Não se trata de uma bandeira em defesa do sexo masculino, apenas estou tentando trazer uma discussão sobre as relações normais e saudáveis, de casais que se amam e se respeitam.

Não podemos nos esquecer que os pais desta geração estão vivenciando um movimento importantíssimo de mudança no comportamento familiar, o que é ótimo e necessário na nossa atual sociedade. Mas, ao mesmo tempo, eles têm a grande desvantagem de, em sua maioria, terem crescido com modelos muito diferentes dentro de casa.

Seus pais sequer diziam "eu te amo" a um filho, muito menos dividiam tarefas domésticas com suas mulheres. Ou seja, os pais modernos estão tentando, ao máximo, se adaptar à nova realidade, mas não têm referências. Como fazer? O que é certo? O que as mulheres e a sociedade efetivamente esperam deles?

O que observo é que, até hoje, os homens foram menos preparados para serem pais do que as mulheres para serem mães. Nem sempre é fácil, não vou mentir, porque a carga sobre as mães é enorme, mas cabe a nós termos um pouco de paciência e compreensão também.

Texto da minha coluna do Mamatraca no UOL publicada nesse Dia dos Pais. 

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pedro e O Lobo

Gente do céu, meu blog tá tão abandonado que nem sei mais o que dizer. Vocês estão bem? Mas há tempos que estou pra dar essa dica, então vai.
Para quem mora em São Paulo e ainda não foi assistir a peça teatral infantil Pedro e O Lobo, recomendo. É uma peça incrível. No início achei que as meninas pudessem ficar com medo, já que na história o lobo não é muito bonzinho e realmente come um patinho (esta é uma adaptação da famosa fábula russa) e o cenário é escuro. Mas elas amaram. É um teatro de bonecos incrivelmente perfeito, você não vê os manipuladores (vestidos de preto) de jeito nenhum. Juro que tentei de todo jeito. Impressionante. Altíssimo nível, não é à toa que está há muito tempo na lista das peças recomendadas para crianças. No Teatro Folha.









domingo, 23 de junho de 2013

Mini Me


Sou péssima pra fotografar roupas, mas os vestidos são lindos!


Eu juro que queria vestir as meninas pra colocar as fotos como modelos, mas como as roupas lindas que recebemos são chiquérrimas, para usar em festas, elas ainda não tiveram a oportunidade de usar. Mas eu faço questão de agradecer e divulgar a Mini Me, loja da Elisa, mãe de um amigo da Luísa.
Dou meu maior apoio às mães empreendedoras e por isso divulgo a loja dela com todo meu carinho. Sucesso pra vocês, Elisa!


quinta-feira, 13 de junho de 2013

Delinquente mirim



Minha filha mais nova, dona Rafaela, a figura mor dessa casa, no auge dos seus 2 anos e 10 meses virou uma mini-delinquente. Chegou dois dias em casa com chupeta roubada das amiguinhas da escola, que ela chupou escondido pra ninguém ver - ou seja, sabe muito bem que o que está fazendo é errado. (A dela está amarrada na cama já há um tempo, assim ela só chupa pra dormir e dá algumas bicadas quando passa pelo quarto).
Dá pra acreditar numa coisa dessas?
Agora me digam: imagina na Copa.
Sem mais.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

E a maternidade virou um grande espetáculo




Ilustração: Paola Salibi

A moda agora em algumas maternidades são as festas de nascimento, que acontecem ainda no primeiro dia de vida do bebê. Festa mesmo, com direito a decoração, bufê, garçons, champanhe, projeção de slides, maquiador e cabeleireiro para as mães, muitos convidados e sofisticadas lembrancinhas.

Na verdade, o espetáculo para exibição do rebento começa ainda antes. Por meio de vidros, os avós, tios e amigos assistem a todo o parto (muitas vezes, uma cesariana agendada para que todos possam estar presentes) e acompanham ao vivo o momento sublime em que o médico mostra o bebê a todos os espectadores, antes mesmo de a própria mãe ter acalentado o filho que ela acaba de parir.

Médicos e anestesistas fazem piadas, todos riem, é tudo uma grande festa. Logo o bebê está novamente disponível para visitação pelos vidros do berçário quando todos, menos a mãe, assistem ao seu primeiro banho.

Está mais do que na hora de pararmos um pouco para pensar. Existe algo de errado acontecendo, não acham? Mesmo deixando de lado as bizarrices de algumas pessoas excêntricas, está claro que existe uma inversão de valores nesse processo do nascimento e que muitos pais, especialmente os de primeira viagem, estão se deixando levar por essa indústria tão sedutora.

Não que eu não ache importante celebrar o nascimento, ao contrário. Eu, como a maioria das outras mães, também quis mostrar com orgulho as minhas filhas ao mundo. Assim como faço um grande esforço para não julgar as pessoas, porque eu mesma fiz coisas na primeira gravidez das quais me arrependo profundamente, como deixar a enfermeira ficar chacoalhando e buzinando na minha barriga só para o bebê se mexer e sair uma boa foto no ultrassom 3D. Hoje eu faria tanta coisa de forma diferente!

Mas o fato é que, a cada ano que passa, esse "show business" que está se tornando a maternidade tem tomado uma proporção sem tamanho. O nascimento de um filho é um marco único, mágico, de muito amor e felicidade. Mas não é um espetáculo para a plateia. Antes de qualquer coisa, é um momento de intimidade, de conexão, em especial da mãe com o bebê que ela acaba de gerar. Não é um momento do médico. Nem dos amigos e familiares nem de mais ninguém, além dos pais e do bebê.

Deixemos o espetáculo para depois. Tenho certeza que os bebês, esses pequenos e frágeis seres que precisam de muito aconchego para se adaptarem ao mundo em que acabam de chegar, agradecem.

Esse texto foi publicado hoje na minha coluna do Mamatraca no UOL

terça-feira, 28 de maio de 2013

Enfim, as vagas nos estacionamentos

Ilustra: Paola Salibi

Na semana passada, entrou em vigor uma lei que obriga estacionamentos de shopping centers, centros comerciais e hipermercados da cidade de São Paulo a reservar vagas de estacionamento para gestantes e mães de bebês de colo até dois anos. A lei deve ser regulamentada em até 90 dias.

Ouvi algumas pessoas dizendo ser um absurdo essa nova legislação, talvez naquela mesma linha do “gravidez não é doença” que ouvimos das velhinhas enfezadas nas filas preferenciais dos bancos e supermercados. Pois eu acho que essa lei é importante, sim. Mulheres em tais condições – grávidas ou com bebês de colo – têm problemas de mobilidade tanto quanto os idosos. Algumas mais, outras menos, assim como há idosos com mais dificuldades e outros extremamente saudáveis.

E ainda digo que é uma pena que essa lei não existiu nos meus tempos de poder usufrui-la. Eu nunca me esqueço do dia em que precisei ir ao shopping quando estava no final da gravidez para buscar uma roupa na lavanderia que ficava na ala de serviços daquele shopping. O estacionamento estava lotado. Eu, com aquele barrigão enorme, quase parindo, dei voltas e voltas e não encontrei nenhuma vaga. Perguntei ao segurança se haveria uma vaga preferencial em que eu pudesse estacionar, e ele respondeu que não, que gestantes não tinham preferência. Tive que ficar no carro aguardando até que um carro saísse. Exausta, naquele estacionamento abafado. Poderia ter passado muito mal.

E com bebês? A situação é ainda muito pior. Sair com o bebê, o carrinho, a bolsa e o bebê conforto do carro é um exercício de malabarismo de grau avançado. E quando se tem dois filhos ou mais? Em meio às vagas cada vez mais apertadas nos estacionamentos de uma forma geral, o contorcionismo é de causar inveja. Poder contar com uma vaga um pouco mais larga e em locais próximos às entradas desses centros comerciais é um benefício que só quem passa por tais apertos sabe o quanto não tem preço.

Está certo que o Brasil é um dos poucos países que oferece tais privilégios de preferência a gestantes e mulheres com bebês de colo. Em vários outros países do mundo, você pode estar com um bebê recém-nascido em alguma imensa fila que dificilmente alguém vai se importar com você. Seu direito é igual ao de qualquer outro cidadão da fila, portanto aguarde sua vez.

Há também gente que abusa. Isso é fato. Como há gente que abusa em tudo nesse país em que a educação infelizmente não é a maior qualidade. Há quem dê jeitinho pra tirar os pontos da carteira de motorista, há quem contrate idosos e deficientes pra ficar nas filas, possivelmente haverá mulher folgada inventando que está grávida para usar tais vagas. Mas eu ainda sou daquelas que acho injusto se nivelar a lei por quem a transgride. O que precisa haver é punição para os infratores, isso sim.


Esse texto foi publicado ontem na minha coluna do Mamatraca no UOL.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Art Attack - ou Missão Impossível

Alguém mais aí já assistiu ao Art Attack, aquele programa de artes do canal Disney Junior que se assemelha ao Mr. Maker, do Discovery Kids? Pois eu sempre fui fã do Mr. Maker, aprendi várias coisas com ele e fiz em casa com as meninas. Mas agora, como a Luísa adotou o Disney Junior na TV e abandonou o outro canal, eu gosto de acompanhar esse outro programa, que passa sempre num horário em que elas estão descansando e vendo um pouco de TV. Sempre gosto de me inspirar pra fazer coisas novas com elas.
Pois me digam, só eu que acho impossível tudo o que é mostrado nesse programa? As coisas ficam lindas, mas são pra artista plástico e não pra gente comum!! Os resultados são tão perfeitos que me desencorajam de tentar. Tudo bem, até tiro dali algumas ideias de técnicas pra fazer outras coisas, mas os processos são demorados demais e muito difíceis de serem executados até mesmo por adultos sem grandes habilidades artísticas.
Saudades do Mr. Maker.



sexta-feira, 26 de abril de 2013

Crianças e suas inseparáveis fantasias

Dona Minnie e Senhora Abelhinha


Se tem situação em que eu me divirto é quando vejo uma criança na padaria vestida de Batman, Homem Aranha,  princesa ou outra fantasia qualquer. Acho que essa é uma das grandes delícias da infância e curto junto com as meninas quando elas ficam zanzando fantasiadas por aí. Elas se sentem tão poderosas, encarnam personagens de verdade, né?
Além das fantasias, que as meninas têm algumas, ultimamente me apaixonei pelas tiaras (ops, mas a paixão não é das crianças? rsrs) . Talvez empolgada pelo livro da querida Silvana Rando, A Tiara da Clara, que conta a história de uma menina que colecionava tiaras e que de repente se encasquetou com uma tiara azul e não tirava mais da cabeça. Recentemente, quando fiz uma viagem para o exterior, trouxe uma mais fofa que a outra: tiara com antena de sapinhos, com antena de joaninhas, com orelha de gatinha e de coelho... Essas coisas me fazem ser criança um pouco também, talvez por isso eu curta tanto. As meninas têm uma coleção e se divertem horrores com essas tiaras.
Essa semana as meninas ganharam umas fantasias deliciosas da Tartar e, como elas são tipo roupa mesmo, com tecido molinho e que não pinica, as duas encasquetaram com essas fantasias de um jeito que eu morri de rir. A Rafaela, vestida de abelhinha, quer usar a roupa de manhã, de tarde e de noite e fica falando "bzzzzzz" pela casa. A Luísa, que já havia me pedido tempos atrás uma roupa da Minnie, está toda cheia de cuidados com medo de se sujar, mas também não tirou mais a fantasia. Na foto, as duas brincando pela casa enquanto eu implorava pra colocarem o pijama (atentem para a Luísa com meu sapato de salto).
Rê Lilata, me lembrei esses dias do André, que não queria tirar a roupa do Homem Aranha.
Tem coisa mais gostosa do que deixar os filhos se transportarem para o mundo da fantasia?? Não tem, né?

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Gravidez e birras

Para quem não viu, seguem os links para meus dois últimos posts lá na coluna do Mamatraca no UOL:

Eu não sinto saudade da gravidez

Tragam minha filha de volta!

Aliás, não deixem também de acompanhar por lá os textos das minhas queridas amigas e sócias Anne Rammi e Priscilla Perlatti. Delícia de ler os textos dessas duas. Toda segunda, quarta e sexta, na parte de Gravidez & Filhos.




segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mamatraca no UOL

Das coisas que fazem nosso esforço valer a pena!! Estreia hoje no UOL Gravidez & Filhos a coluna Mamatraca.

http://mulher.uol.com.br/noticias/redacao/2013/04/15/uol-estreia-coluna-com-as-maes-do-blog-mamatraca.htm

O texto de abertura é o meu, em que falo sobre o fato de não sentir saudades da gravidez.
Muito feliz com essa conquista. Quando a gente rala mas faz tudo com amor, o resultado vem.




quarta-feira, 10 de abril de 2013

Por uma mãe


Uma mãe de um grupo que eu participo no Facebook publicou esse texto e eu achei tão lindo que resolvi compartilhar aqui. Queria saber quem foi que escreveu essa lindeza que me deixou com olhos cheios de lágrimas. 

Por uma mãe (autor desconhecido)

Ele é o nó no meu cabelo.
O esmalte descascado na minha unha,
as olheiras no meu rosto.
Ele é o brinquedo na gaveta de roupas,
o amassado nas páginas do meu livro,
o rasgado no meu caderno de anotações.
Ele é o melado no controle remoto,
o canal de televisão,
o filme no DVD.
Ele é o farelo no sofá,
As tesouras no alto.
Ele é o backup no computador,
o mouse escondido,
as cadeiras longe da janela.
Ele é a marca de mão nos móveis,
o embaçado nos vidros,
o desfiado nos tecidos.
Ele é o ventilador desligado,
a porta do banheiro fechada,
a gaveta da cômoda aberta.
Ele é o coque na minha cabeça,
o amarrotado nas roupas,
as frutas fora da fruteira,
os panos de prato amarrando os armários.
Ele é o meu shampoo cheio de água,
a espuma no chão do banheiro,
o brinquedo dentro da privada.
Ele é o interruptor nas tomadas.
Ele é o peixe no áquario,
a árvore de natal,
os "pisca-pisca" de todas as casas.
Ele é o círculo, o susto....
A primeira visão da lua no começo da noite....

O valor do trabalho, a vontade de aprender,
a minha força,
a minha fraqueza,
a minha riqueza.
Ele é o aperto no meu peito diante de uma escada,
a ausência de sono diante de uma febre.
Ele é o meu impulso, o meu reflexo, a minha velocidade.
O cheirinho no meu travesseiro,
o barulho,
a metade,
o azul.
Ele é o vazio triste no silêncio de dormir,
o meu sono leve durante a noite.
Ele é o meu ouvido aguçado enquanto durmo.
A minha pressa de levantar da cama,
a minha espera de bom dia.
Ele é o arrepio quando me chama,
a paz quando me abraça,
a emoção quando me olha.
Ele é meu cuidado, a minha fé,
o meu interesse pela vida,
a minha admiração pelas crianças,
o meu respeito pelas pessoas,
o meu amor por Deus.
É o meu ontem,
o meu hoje,
o meu amanhã.
Ele é a vontade,
a inspiração,
a poesia.
A lição, o dever.
Ele é a presença, a surpresa
a esperança.

A minha dedicação.
A minha oração.
A minha gratidão.
O meu amor mais puro e bonito.
A minha vida!